Neste Dia

Maria Luísa Mendonça

Atriz brasileira

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Maria Luísa Mendonça (Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1970) é uma atriz, diretora e apresentadora brasileira. Conhecida por seus personagens complexos e de forte carga dramática, tornou-se uma das atrizes mais conceituadas do país. Mendonça é ganhadora de vários prêmios, incluindo um APCA, um Prêmio Guarani, dois Prêmios Qualidade Brasil e um Prêmio Shell, além de ter recebido indicações para três Grandes Otelo e um Cóndor de Plata.

Mendonça fez sua estreia profissional na peça de drama Vestido de Noiva (1987) no papel de Alaíde. Desde então, tornou-se uma atriz prolífica no teatro integrando o elenco de diversas produções de aclamação crítica. No teatro, destacou-se em Romeu e Julieta (1992), Futebol (1994), Valsa N°6 (1994), Os Sete Afluentes do Rio Ota (2003), Na Selva das Cidades (2011), A Falecida (2013) e Um Bonde Chamado Desejo (2015), pela qual foi aclamada pela crítica e venceu os prêmios APCA, Shell e Qualidade Brasil.

Na televisão, sua estreia ocorreu em 1993 como Buba na novela Renascer, da TV Globo. Em telenovelas, Maria teve personagens importantes em Explode Coração (1995), Corpo Dourado (1998), Senhora do Destino (2004), Viver a Vida (2009), Além do Horizonte (2013), Segundo Sol (2018) e Verdades Secretas (2021). No entanto, foi nas séries, especial de drama, que ganhou mais destaque, como em Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), A Muralha (2000), Os Maias (2001), que lhe rendeu duas indicações ao Prêmio Qualidade Brasil, Queridos Amigos (2008) e Magnífica 70 (2015).

No cinema, fez seu primeiro trabalho na cinebriografia Quem Matou Pixote? (1996), mas ganhou maior reconhecimento no drama Corazón iluminado (1998), pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Prêmio Guarani. Mendonça é reconhecida pela versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque em As Três Marias (2002), Carandiru (2003), Jogo Subterrâneo (2005), Querô (2007), Nossa Vida Não Cabe Num Opala (2008), O Homem do Futuro (2011), Amanhã Nunca Mais (2011), Todo Clichê do Amor (2018) e Meu Casulo de Drywall (2023).

Primeiros anos de vida e formação

Maria Luísa Mendonça nasceu em 30 de janeiro de 1970 na cidade do Rio de Janeiro. Ela é filha de Lígia Mendonça, uma artista plástica, e Newton Mendonça, um advogado. Maria tinha uma irmã mais velha, chamada Maria Fernanda, que morreu em um acidente de carro quando a atriz tinha apenas oito anos. Ainda na adolescência, interessou-se pela arte e ingressou no curso de artes cênicas da Casa de Arte das Laranjeiras, onde formou-se aos 21 anos em 1991. Ela também estudou no Teatro O Tablado e frequentou cursos de expressão corporal na França, na Escola de Teatro Jacques Lecoq.

1987—95: Primeiros trabalhos e projeção nacional

Aos 17 anos, antes de sua formação artística ser concluída, Maria fez sua estreia nos palcos do teatro em uma montagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, onde ganhou repercussão por sua performance como a protagonista "Alaíde". Na peça, seu papel é o ponto principal do enredo, cujo acompanha esta jovem que, ao ser atropelada e hospitalizada, relembra o conflito com a irmã, de quem tomou seu namorado, e imagina um encontro com uma cafetina assassinada pelo namorado. Em seguida, participou do espetáculo Os Gigantes da Montanha, de Luigi Pirandello, em 1991, sob a direção de Moacyr Góes, com quem viria a trabalhar em outros projetos no teatro futuramente. Em 1992, voltou aos palcos novamente dirigida por Góes em uma montagem do clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare, onde encarnou a mocinha "Julieta" no romance trágico.

Em 1993, tornou-se nacionalmente conhecida pela interpretação da intersexo "Buba" na telenovela Renascer, escrita por Benedito Ruy Barbosa para o horário nobre da TV Globo, marcando sua estreia na televisão. Na trama, sua personagem envolvia-se com "José Venâncio" (Taumaturgo Ferreira) sem revelar sua verdadeira condição biológica. Ao descobrir a verdade, ele fica assustado e volta para sua ex-mulher, a vilã "Eliana" (Patrícia Pillar). No entanto, ele não resiste à doçura de "Buba", que é o oposto de sua mulher, e decide iniciar uma vida com ela, estando ambos disposto a adotar uma criança para construir uma família. O papel ganhou uma grande repercussão nacional e gerou muitas controvérsias por tratar do tema da intersexualidade, sendo lembrado até os dias atuais na carreira de Maria Luísa Mendonça.

Após o sucesso na televisão, Mendonça voltou a dedicar-se ao teatro no ano de 1994. Foi dirigida por Bia Lessa na peça Futebol, que recebeu críticas negativas por parte da crítica especializada. Atuando ao lado de nomes como Geórgia Gomide e Zeca Camargo, a peça contava a história do futebol por meio de uma parábola que envolve duas família rivais. A crítica considerou o espetáculo como um "acúmulo de futilidades pretensiosas", no entanto Maria teve sua interpretação destacada como a única que demonstra clareza sobre suas intenções em cena. Apesar do fracasso em Futebol, no mesmo ano foi consagrada com uma montagem do monólogo Valsa n° 6, mais uma vez ensaiando um texto de Nelson Rodrigues, onde a atriz interpretou oito personagens. A peça acompanha a solitária "Sônia", assassinada aos quinze anos, que, entre seus delírios, tenta montar o quebra-cabeça de suas memórias.

Em 1995, retorna à televisão na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados no papel de "Letícia", prima da protagonista "Engraçadinha" (Alessandra Negrini/Cláudia Raia), por quem é apaixonada mas desprezada após declarar seu amor pela prima, sendo tratada por ela como uma "pervertida". Neste ano ainda, foi escalada para interpretar "Vera Avelar", uma das protagonistas da novela Explode Coração, de Glória Perez. Na trama, sua personagem é esposa de "Júlio" (Edson Celulari), e é uma mulher alegre, romântica e ingênua, mas insatisfeita com sua vida. Ela percebe que o tempo está passando sem realizar seu potencial ou encontrar felicidade no casamento. Ela vive em função da carreira política de "Júlio" e ressente-se de sua falta de atenção e de seus casos extraconjugais. Apesar disso, ela é leal ao casamento e não percebe o interesse de sua prima "Eugênia" (Françoise Forton) pelo marido.

1996—03: Reconhecimento cinematográfico

Em 1996, estreou no cinema no drama Quem Matou Pixote?, dirigido por José Joffily, que conta a curta trajetória de Fernando Ramos da Silva, como ator e como pessoa. No filme, faz uma participação como "Malu", uma olheira que enxerga o pequeno ator nas ruas e o convida para realizar um teste de elenco. Neste ano, também esteve no episódio "Mulheres" da série A Comédia da Vida Privada. Em 1997, esteve no curta-metragem Amar..., de Carlos Gregório, onde interpretou "Lídia". Em 1998, viaja para a Argentina para ser a protagonista do filme Corazón iluminado, de Hector Babenco, que estreou no Festival de Cannes, na França. A atuação de Maria Luísa como "Ana", uma mulher considerada "louca" e que foi internada algumas vezes em clínicas psiquiátricas, foi muito bem recebida pela crítica e ela recebeu prêmios em alguns festivais internacionais, além de ter sido indicado pela Academia ao Grande Otelo de Melhor Atriz e ser premiada na mesma categoria do Prêmio Guarani de Cinema, concedido pela crítica cinematográfica brasileira.

Também em 1998, Mendonça voltou às novelas como "Amanda", a antagonista de Corpo Dourado, escrita por Antônio Calmon. Na trama, Amanda, filha de Hilda (Lucinha Lins) e Tinoco (Carlos Vereza), é a principal antagonista feminina de Selena (Cristiana Oliveira). Ela é sofisticada, inteligente e pragmática, aparentemente fria e calculista, disposta a cometer vilanias para alcançar seus objetivos. Apesar de sua simpatia e elegância, "Amanda" é egocêntrica, vaidosa e orgulhosa, sempre pensando em si mesma. Sua determinação esconde uma sexualidade intensa. Casou-se com Chico (Humberto Martins) por atração física, mas esconde essa paixão. Ela humilha Chico sempre que possível, mas ele conhece suas fraquezas. Seu casamento foi motivado pela vingança contra Zé Paulo (Lima Duarte) e seu ex-noivo. A morte de seu pai a tornou amarga e solitária.

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