Maria Luísa Beatriz (nome pessoal em alemão: Maria Ludovika Beatrix; Monza, 14 de dezembro de 1787 – Verona, 7 de abril de 1816), mais conhecida por Maria Ludovica de Módena, foi a terceira esposa do Imperador Francisco I e Imperatriz Consorte da Áustria e seus domínios de 1808 até sua morte. Filha de Fernando Carlos, Arquiduque da Áustria-Este e Maria Beatriz d'Este, Duquesa de Massa, era ela própria neta da celébre imperatriz Maria Teresa da Áustria.
Maria Luísa era inimiga declarada do imperador francês Napoleão Bonaparte e estava em conflito com o ministro das Relações Exteriores austríaco, Klemens von Metternich. Como imperatriz, Maria Luísa exerceu considerável influência sobre o marido e conquistou a admiração de muitos políticos. Ela também era particularmente popular entre os cidadãos do império, que a comparavam à sua avó, a imperatriz Maria Teresa. Durante as Guerras Napoleônicas, ela apoiou a entrada da Áustria na guerra ao lado da coalizão contra a França.
Maria Luísa se opôs ao casamento entre Napoleão e sua enteada, a arquiduquesa Maria Luísa, em 1809. Em 1812, compareceu, contra a própria vontade, a uma recepção de monarcas alemães organizada por Napoleão para celebrar sua campanha contra a Rússia. Após o fim das guerras, foi anfitriã no Congresso de Viena e, mais tarde, viajou para sua terra natal, no norte da Itália, onde morreu em 7 de abril de 1816, vítima de tuberculose, aos 28 anos. Ela foi sepultada na Cripta Imperial, em Viena.
Maria Luísa nasceu em Monza em 14 de dezembro de 1787, filha de Fernando Carlos, Arquiduque da Áustria-Este e de sua consorte Maria Beatriz d'Este, Duquesa de Massa. Recebeu educação sob os cuidados da mãe e de uma ama de leite e governanta enviadas anos antes a Milão por sua avó, a imperatriz Maria Teresa. Durante a infância, teve formação bilíngue, mas como sua mãe e suas professoras falavam apenas italiano, ela desenvolveu apenas um conhecimento rudimentar do alemão, idioma de seu futuro marido. Em 1796, com a invasão do norte da Itália pelas tropas de Napoleão Bonaparte, sua família refugiou-se na Áustria, o que despertou nela forte hostilidade em relação ao imperador francês.
Em 1807, o imperador Francisco I da Áustria, ficou viúvo pela segunda vez aos 39 anos. Em busca de consolo, visitou sua tia Maria Beatriz, na casa de quem surgiu um vínculo afetivo com a jovem Maria Luísa, então com 19 anos, conhecida por sua beleza e instrução. A diferença de idade entre os dois não pareceu representar um obstáculo. O casamento foi celebrado com grande solenidade em 6 de janeiro de 1808, sendo oficiado por seu irmão mais novo, o bispo Carlos Ambrósio. O casal não teve filhos.
Contudo, seu casamento gerou apreensão na corte vienense, uma vez que se temia que a nova imperatriz, influenciada pela mãe e contrária a Napoleão, pudesse incitar um novo conflito, mesmo após o tratado de paz de 1806. O arquiduque Carlos e o embaixador francês em Viena se opuseram à união. Maria Luísa, entretanto, manteve posição firme e aderiu ao grupo favorável à guerra, divergindo do imperador, que defendia a paz. Durante a ocupação de Viena em 1809, justificou sua intervenção política em carta ao marido, afirmando ter agido em defesa do irmão Maximiliano, rendido e ameaçado.
Como imperatriz, Maria Luísa buscou agir com justiça, mesmo mantendo seu compromisso com a guerra. Isso fica evidente em sua carta de 16 de abril de 1809, onde repreende o arquiduque João por incentivar os tiroleses a lutar contra os bávaros, aliados de Napoleão. O Tirol havia sido legalmente cedido à Baviera em 1805 e, portanto, estava oficialmente sob sua autoridade. Após os primeiros e infelizes confrontos com o inimigo, o imperador visitou o exército para tentar elevar o moral das tropas. Maria Luísa o acompanhou, mas ficou decepcionada ao encontrá-lo nas proximidades de Enns, onde estavam apenas as tropas reservas.
A saúde frágil da imperatriz foi profundamente abalada pela turbulência política e pelo crescente afastamento em seu casamento. Sua decisão de permanecer em Budapeste, junto aos enteados, durante a entrada de Napoleão em Viena, contribuiu ainda mais para o distanciamento do casal. As diferenças de personalidade e opinião entre os dois já vinham se acentuando havia algum tempo. Além disso, o chanceler Klemens von Metternich exercia forte influência sobre a corte e chegou a interceptar cartas da imperatriz. Em uma delas, dirigida à amiga, a Condessa Esterházy, Maria Luísa confessou que cumprir seus deveres conjugais exigia grande esforço, pois já não nutria amor pelo marido.
Por recomendação de seu médico pessoal, o doutor Thonhauser, a imperatriz, enfraquecida, viajou em junho de 1810 para Carlsbad em busca de tratamento termal. O repouso lhe trouxe alguma melhora. Durante sua estada, ela participou de uma peça de Kotzebue e conheceu Johann Wolfgang von Goethe. O poeta ficou impressionado com sua inteligência.
Dois anos depois, em maio de 1812, Maria Luísa esteve presente com o marido numa reunião de príncipes alemães em Dresden , organizada por Napoleão. Nessa reunião, Bonaparte apresentou a ideia de uma campanha militar contra a Rússia. Após o episódio, a imperatriz foi para Teplice em julho para recuperar as forças.
Ela foi a anfitriã do Congresso de Viena em 1814-1815. No geral, a conferência teve o caráter de uma grande celebração, realizada em honra da pacificação universal. Ao final do evento, Maria Luísa declarou: O Congresso me custou dez anos da minha vida
Ela morreu de tuberculose, aos 28 anos, no Palácio Canossa, em Verona, enquanto viajava para casa. Ela foi enterrada na Cripta Imperial, em Viena.