Maria Pavlovna (em russo: Мария Павловна; Ludwigslust, 14 de maio de 1854 – Contrexéville, 6 de setembro de 1920) foi uma Grã-Duquesa da Rússia por meio de seu casamento com o Grão-Duque Vladimir Alexandrovich, filho do Czar Alexandre II. Reconhecida como uma das mais proeminentes anfitriãs em São Petersburgo, entrou para a história da família imperial russa como "a mais grandiosa das Grã-Duquesas".
Nascida duquesa alemã de nome Maria de Meclemburgo-Schwerin, filha do Grão-Duque de Meclemburgo-Schwerin. Após seu casamento, alterou o nome para Maria Pavlovna. Conseguiu fugir da Rússia durante a Revolução Russa de 1917 e morreu no exílio na França.
Maria era conhecida por sua beleza e senso de estilo. Quando o Príncipe Artur, Duque de Connaught e Strathearn, visitou a Alemanha em busca de noivas, a Rainha Vitória observou que Maria era dita como muito bonita. Quando se encontraram pela primeira vez, seu futuro marido, o Grão-Duque Vladimir Alexandrovich da Rússia, admirou seus olhos maravilhosamente expressivos. Em seu casamento, Thomas W. Knox observou que a noiva de Vladimir é atraente, de aparência sólida, bem constituída, com ombros arredondados e bem proporcionados; pescoço nem longo nem curto; traços regulares, com exceção do nariz, que tende levemente à forma arrebitada. Na coroação de seu cunhado, Alexandre III, sua sobrinha, Maria de Edimburgo, comentou que ela não é magra o suficiente para possuir linhas clássicas, mas veste-se melhor do que qualquer outra mulher presente; seus ombros são magníficos e tão brancos quanto creme; há uma elegância nela que ninguém mais consegue alcançar. Em 1910, a escritora Elinor Glyn afirmou que Maria era uma princesa imponente, de aparência magnífica.
Maria era famosa por seu espírito e sociabilidade. Meriel Buchanan participou de um dos jantares oferecidos por Maria no Palácio de Vladimir e escreveu que Maria sabia exatamente o que dizer a cada pessoa, um dom inimitável que nem sempre é comum à realeza, mas que ela possuía em sua plenitude. Ao visitar Sófia, na Bulgária, ela impressionou A. A. Mossolov, chefe da Chancelaria da Corte, com sua vivacidade e inteligência. Ele escreveu: Durante três horas, a Grã-Duquesa foi o centro de uma conversa animada e brilhante. Conversava com pessoas que nunca havia encontrado antes e não cometeu um único deslize. A escritora Elinor Glyn comentou que Maria tinha uma mente altamente cultivada e visionária, com um senso de humor encantador, e era adorada por todos.
Maria interessava-se por literatura. No final de 1909, ela convidou a popular romancista britânica Elinor Glyn a visitar a Rússia para escrever uma obra com base no país. Disse a Glyn: Todos sempre escrevem livros sobre nossos camponeses. Venha escrever um sobre como vivem as pessoas de verdade. Glyn produziu uma obra de ficção chamada His Hour, que dedicou a Maria, dizendo: A sua gentil apreciação do trabalho finalizado é uma fonte de imensa satisfação para mim. Glyn baseou uma das personagens, a Princesa Ardacheff, em Maria.
Assim como o marido, Maria amava as artes. Após a morte dele, ela o sucedeu como presidente da Academia de Belas Artes.
Maria era viciada em jogos de azar. O pintor Henry Jones Thaddeus participou de uma de suas festas, nas quais ela insistia para que os convidados jogassem roleta. Quando viajava com o marido para o exterior, gostava de frequentar os cassinos de Monte Carlo. Durante o reinado de Nicolau II, desafiou a proibição de jogar roleta e bacará em residências particulares, o que lhe rendeu uma suspensão temporária da Corte.
Maria Alexandrina Isabel Leonor nasceu duquesa da Casa Grão-Ducal de Mecklenburg, filha de Frederico Francisco II, Grão-Duque de Meclemburgo-Schwerin, e de sua primeira esposa, a princesa Augusta de Reuss-Köstritz, no Castelo de Ludwigslust. Ela tinha oito anos quando sua mãe faleceu, em 1862. Seu pai casou-se mais duas vezes. Ela estudou canto com Gustav Graben-Hoffmann.
Maria casou-se com o Grão-Duque Vladimir Alexandrovich da Rússia, terceiro filho do Czar Alexandre II da Rússia. Ela foi uma das raríssimas nobres com ancestrais eslavos a se casar com um membro dinástico masculino da dinastia Romanov.[carece de fontes?] Anteriormente, havia sido noiva de Jorge Alberto, Príncipe de Schwarzburg-Rudolstadt, mas rompeu o noivado assim que conheceu Vladimir.[carece de fontes?]
Maria e Vladimir casaram-se em 28 de agosto de 1874. A cerimônia foi realizada na capela do Palácio de Inverno. O casamento não foi tão suntuoso quanto o da irmã de Vladimir, a Grã-Duquesa Maria Alexandrovna da Rússia, com o Duque de Edimburgo. Lorde Augustus Loftus observou: Tudo transcorreu muito bem, embora o casamento não tenha sido tão esplendoroso quanto o do Duque de Edimburgo. Nesta época do ano, a cidade está deserta e, por isso, apenas compareceram aqueles que estavam obrigados a vir.
Ao se casar, ela adotou o nome russo de Maria Pavlovna. Era tetraneta do Czar Paulo I da Rússia e desejava enfatizar sua ilustre ascendência por meio do patronímico "Pavlovna".
Do seu casamento com o Grão-Duque Vladimir Alexandrovich da Rússia nasceram os seguintes filhos:
Alexandre Vladimirovich (31 de agosto de 1875 – 16 de março de 1877), morreu aos dezanove meses de idade;
Cyril Vladimirovich (12 de outubro de 1876 – 12 de outubro de 1938), casado com a Princesa Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota, com descendência;
Boris Vladimirovich (24 de novembro de 1877 – 9 de novembro de 1943), casado com Zinaida Sergeievna Rashevskaya, sem descendência legitima;
André Vladimirovich (14 de maio de 1879 – 30 de outubro de 1956), casado com Matilde Kschessinskaya, sem descendência legitima;
Helena Vladimirovna (17 de janeiro de 1882 – 13 de março de 1957), casada com o Príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca, com descendência.
O filho mais velho sobrevivente de Maria, o Grão-Duque Cyril Vladimirovich, casou-se, em 1905, com sua prima de primeiro grau, Vitória Melita de Saxe-Coburgo-Gota, filha da irmã de Vladimir, a Duquesa de Edimburgo e de Saxe-Coburgo-Gota. Além do fato de que casamentos entre primos de primeiro grau não eram permitidos, ela também era ex-esposa de Ernesto Luís, Grão-Duque de Hesse, irmão da Czarina. Esse casamento não foi aprovado por Nicolau II, e Cyril foi destituído de seus títulos imperiais. O tratamento dado ao filho gerou um conflito entre seu marido e o Czar. No entanto, após várias mortes na família colocarem Cyril como terceiro na linha de sucessão ao trono russo, Nicolau concordou em restituir-lhe os títulos imperiais, e sua esposa passou a ser reconhecida como "Sua Alteza Imperial, Grã-Duquesa Vitória Feodorovna".