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Maria Pia de Saboia

Rainha consorte de Portugal

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Maria Pia de Saboia (em italiano: Maria Pia di Savoia; Turim, 16 de outubro de 1847 – Nichelino, 5 de julho de 1911), também conhecida como Dona Maria Pia, foi a esposa do Rei D. Luís I e Rainha Consorte de Portugal e Algarves de 1862 até 1889. Ela foi a terceira rainha consorte portuguesa pertencente à Casa de Saboia, depois de Mafalda e Maria Francisca de Saboia-Némours.

Nascida uma princesa italiana, filha de Vítor Emanuel II, rei da Sardenha-Piemonte, e, posteriormente, o primeiro rei da Itália unificada. Casou-se com o rei D. Luís I de Portugal quando tinha apenas catorze anos. Como rainha, D. Maria Pia destacou-se pela sua compaixão e dedicação a causas sociais, o que lhe valeu os epítetos de "Anjo da Caridade" e "Mãe dos Pobres". Por outro lado, tinha fama de perdulária. Sua predileção pelo luxo e por roupas caras, durante um período de grave depressão econômica, foi alvo de críticas, às quais respondeu com a expressão: "Quem quer rainhas, paga-as!"

Após a morte do marido, em 1889, atuou como regente por duas vezes durante a ausência do novo rei, seu filho D. Carlos I, cujo assassinato em 1908 a afetou profundamente. Após a abolição da monarquia em 1910, exilou-se na Itália, onde morreu em 1911, aos 63 anos.

A princesa Maria Pia nasceu em Turim, a 16 de outubro de 1847, pelas seis horas da manhã, pertencente à Casa de Saboia. Nesse mesmo dia, pelas 17h30, recebeu solenemente o sacramento do batismo, tendo como padrinho o Papa Pio IX. A cerimónia foi descrita pelo mestre de cerimónias como "brillantissima" em todos os seus aspetos. Maria Pia era neta de Carlos Alberto de Saboia, rei da Sardenha-Piemonte, e filha do príncipe herdeiro Vítor Manuel e de sua esposa, Maria Adelaide de Habsburgo, nascida arquiduquesa austríaca.

Na altura do nascimento de Maria Pia, o Reino da Sardenha compreendia a ilha homónima, o Piemonte, onde se situava a capital do reino, Turim, a antiga República de Génova, bem como o Condado de Nice e o Ducado de Saboia, territórios que atualmente integram a França. Quando Maria Pia nasceu, os seus pais eram casados desde 1842 e tinham já quatro filhos: Clotilde (nascida em 1843), Humberto (nascido em 1844), Amadeu (nascido em 1845) e Otão (nascido em 1846). Após o nascimento de Maria Pia, Maria Adelaide deu à luz mais três filhos do sexo masculino, que não sobreviveram, numa sucessão de partos excessivamente próximos. Maria Pia tinha, assim, 17 meses de idade quando os seus pais ascenderam ao trono, em 24 de março de 1849.

Maria Pia cresceu a falar três línguas: o francês, utilizado pelos cortesãos; o piemontês, falado pelo povo, pelos criados e frequentemente por Vítor Manuel; e o italiano, idioma que os Saboias eram obrigados a dominar, agora que o Piemonte ambicionava unificar a Península Itálica. Era nesta língua que o pai e os filhos se correspondiam, enquanto com a mãe falariam em francês, idioma que Maria Adelaide e Vítor Manuel utilizavam entre si. Após a morte da mãe, a educação da princesa passou a ser supervisionada por uma antiga dama da rainha, a marquesa Paulina Pallavicini, e pela condessa Natalia de Foresta. No entanto, Maria Pia cresceu sob os cuidados directos da condessa de Villamarina, auxiliada por Daria Salasco e Camila de Foras. À excepção de Otão, que possuía uma deficiência física, os filhos de Vítor Manuel receberam uma educação rígida e muito severa: Clotilde e Maria Pia permaneceram quase reclusas no Palácio Real de Turim, enquanto Humberto e Amadeu se formavam em Moncalieri, em ambiente militar. O pai dedicava-lhes pouco ou nenhum tempo, pelo que o afecto que Maria Pia recebeu provinha dos irmãos, da sua aia, condessa de Villamarina, e da professora de pintura, Virgínia Panizzardi. Maria Pia conservou para sempre alguns bilhetes de infância enviados por Amadeu. Um, datado de 1855, no qual a chama Sorellina; outro, de janeiro de 1858, em que a trata por Mi cara Marghi e, de forma brincalhona, lhe recomenda "come e dorme bem mas não rebentes".

Em fevereiro de 1861, após anos de guerras, Vítor Manuel convocou o primeiro parlamento do Reino da Itália e, em março, tornou-se o seu primeiro rei da Itália unificada, com o título de Vítor Manuel II, enfatizando a continuidade da dinastia. Para a unificação total da península faltavam apenas os territórios de Roma e de Veneza, sendo este último pertencente à Áustria, cujo chanceler era Renato de Habsburgo, cunhado de Vítor Manuel. Em junho, o novo reino foi reconhecido pela França e, logo de seguida, por Portugal, que se tornou o segundo país a fazê-lo. Outras nações seguiram o exemplo, mas Vítor Manuel era malvisto pelas famílias reais da Europa, tanto pelo seu confronto com o Papa e com o imperador da Áustria, como pelo facto de ter destronado o rei de Nápoles. Neste contexto, compreende-se que o rei de Itália tivesse grande interesse em estabelecer laços estreitos entre a sua Casa e outra família reinante, católica e constitucional. A família real portuguesa era excelente, até porque Vítor Manuel acreditava que também na Península Ibérica se faria a união política. Portugal podia ser aí o que o Piemonte fora na Itália. E o rei da Ibéria, casando-se com Maria Pia, seria seu genro.

Em 1861, estando viúvo o jovem rei de Portugal, D. Pedro V, circulou o boato, tanto em Portugal como em Itália, de que ele se iria casar com Maria Pia de Saboia. Os rumores tinham algum fundamento. Nada fora formalmente tratado por parte de D. Pedro, mas o primeiro-ministro italiano, Cavour, enviara nesse ano a Lisboa o marquês Caracciolo di Bella para sondar o soberano português. As negociações não avançaram, embora em Itália a ideia não tivesse sido abandonada. Entretanto, em novembro de 1861, no espaço de pouco tempo, morreram vários membros da família real portuguesa, incluindo o rei D. Pedro, pelo que a dinastia se encontrava em sério perigo. Perante esta situação, restava apenas D. Luís, que precisava casar-se rapidamente para assegurar a descendência. Vítor Manuel de Itália, como todos, tinha plena consciência dessa urgência e sabia também que a sua filha já era púbere, constituindo um trunfo político de grande valor.

D. Luís não acatou a proposta de imediato. Em março, aconselhou-se com a "tia" Vitória da Inglaterra. Como não nutria simpatia pelos Sabóias, esta considerou que uma aliança com essa família seria a menos conveniente, devido à política e, sobretudo, ao carácter moral de Vítor Manuel II; além disso, afirmava que a princesa era demasiado jovem. Preferia, portanto, a princesa Maria de Hohenzollern (irmã da ex-esposa do falecido D. Pedro V) ou a arquiduquesa Maria Teresa da Áustria. Entre janeiro e junho de 1861, os jornais portugueses avançavam ora que o rei casaria com Maria de Hohenzollern, ora com Maria Teresa da Áustria, ora com Maria de Saboia. O ministro Sá da Bandeira insistia nesta última opção, mas D. Luís acabou por escolher a arquiduquesa austríaca, o que desagradou ao ministério, de orientação liberal e de esquerda, que via com grandes reservas uma aliança com os Habsburgos, considerados incompatíveis com a bandeira da liberdade política. A questão resolveu-se quando o pai da arquiduquesa recusou a pretensão do rei de Portugal, justificando-se com a juventude da filha.

Finalmente, D. Luís pediu a mão de Maria Pia de Saboia em carta escrita a Vítor Manuel no dia 18 de junho de 1863, sabendo que seria aceite. Nesse mesmo dia, D. Luís recebeu por telegrama a confirmação de que Vítor Manuel e Maria Pia consentiam no casamento. Em carta a D. Luís, o seu futuro sogro afirmava que o pedido o tinha tocado profundamente, tanto como rei quanto como pai, e lhe tinha agradado imensamente, tendo consultado a filha, que lhe manifestou o seu total consentimento e "o desejo de poder fazer feliz" o futuro marido. O casamento foi anunciado oficialmente no Parlamento italiano a 11 de julho de 1862 e, no dia seguinte, Vítor Manuel informou os outros filhos por telegrama: "O rei da Itália ao príncipe Humberto. Anuncio-te a ti e aos teus irmãos o ajuste de casamento da tua irmã com o rei de Portugal. Estou certo de que ficareis contentes".

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