Neste Dia

Maria de Saxe-Coburgo-Gota

Princesa do Reino Unido e de Saxe-Coburgo-Gota, e Rainha consorte da Romênia (1914-1927)

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Maria Alexandra Vitória (em inglês: Marie Alexandra Victoria; Kent, 29 de outubro de 1875 – Sinaia, 18 de julho de 1938), foi a esposa do rei Fernando I e última Rainha Consorte da Romênia de 1914 até 1927. Nascida Princesa do Reino Unido e de Saxe-Coburgo-Gota, era a segunda criança e primeira menina de Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota e de sua esposa, a grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia, tendo sido neta da rainha Vitória do Reino Unido e do czar Alexandre II da Rússia.

Nascida na família real britânica como princesa Maria de Edimburgo, Maria viveu seus primeiros anos entre Kent, Malta e a cidade de Coburgo, na Alemanha. Após recusar a proposta de casamento de seu primo, o futuro Jorge V do Reino Unido, ela casou-se com o príncipe Fernando, herdeiro do rei Carlos I da Romênia, em 1892. No longo período em que ocupou a posição de consorte do príncipe herdeiro (entre 1893 e 1914), Maria tornou-se bastante popular entre o povo romeno. A fama de que ela controlava o fraco gênio do marido levou um jornal canadense a afirmar que "poucas consortes reais exerceram maior influência do que a rainha Maria, durante o reinado de seu marido". Tal influência teria sido decisiva para que Fernando I declarasse guerra à Alemanha, em 1916.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Bucareste foi ocupada pelas tropas inimigas e a família real teve que refugiar-se na Moldávia. Lá, Maria e suas filhas atuaram como enfermeiras, cuidando dos soldados feridos ou atingidos pelo cólera. Em 1919, após o término do conflito, Maria participou da Conferência de Paz de Paris, onde fez campanha pelo reconhecimento internacional da Grande Romênia.

Como rainha, ela era muito popular, tanto na Romênia quanto no exterior – chegou a ser recebida com grande entusiasmo durante uma viagem oficial aos Estados Unidos, em 1926. Com a morte de Fernando I, em 1927, ela recusou-se a compor o conselho de regência durante a menoridade de seu neto, Miguel I. Em 1930, seu filho mais velho – que havia renunciado aos seus direitos ao trono em 1925 – depôs o jovem rei e assumiu o trono, como Carlos II. A partir de então, esforçou-se por derrubar a popularidade materna. Afastada da cena política, Maria passou a viver em sua residência, próximo ao mar Negro. Diagnosticada com uma cirrose hepática, ela morreu no Castelo de Pelişor, em 1938.

Marie nasceu na residência de seus pais, Eastwell Park, em Kent, em 29 de outubro de 1875, às 10:30 horas, na presença de seu pai. Seu nascimento foi comemorado com uma salva de tiros de canhão. Ela era a segunda criança e primeira varoa do príncipe Alfredo, duque de Edimburgo e da princesa Maria Alexandrovna (nascida grã-duquesa da Rússia). Ela recebeu os nomes de Maria Alexandra Vitória, em homenagem à sua mãe e avós, mas entre família era chamada de Missy. O duque de Edimburgo escreveu que sua filha promete ser tão saudável quanto seu irmão e dá todos os indícios de ter pulmões perfeitamente desenvolvidos e mostrou isso antes mesmo de vir ao mundo. Como neta da monarca britânica pela linha masculina, recebeu o estilo de Sua Alteza Real, Princesa Maria de Edimburgo desde o nascimento.

Maria foi batizada na capela privada do Castelo de Windsor, em 15 de dezembro 1875, solenidade presidida pelos deões de Westminster e de Windsor. A cerimônia teve "natureza estritamente privada" porque foi realizada um dia após o aniversário de morte do marido da rainha Vitória, o príncipe Alberto. Maria teve como padrinhos a czarina Maria Alexandrovna da Rússia (sua avó materna, representada no ato pela rainha Vitória), a princesa de Gales (sua tia paterna), a duquesa de Saxe-Coburgo-Gota (sua tia-avó, representada pela princesa Helena de Schleswig-Holstein), o czarevich da Rússia (seu tio materno, representado pelo conde Pedro Andreievich Shuvalov) e Artur, Duque de Connaught e Strathearn (seu tio paterno, representado pelo duque de Albany).

Maria e seus irmãos – Alfredo (nascido em 1874), Vitória Melita (nascida em 1876 e apelidada de Ducky), Alexandra (nascida em 1878 e apelidada de Sandra) e Beatriz (nascida em 1884 e apelidada de Baby Bee) – passaram grande parte de suas vidas pregressas em Eastwell Park, local que sua mãe preferia a Clarence House, sua residência oficial. Em suas memórias, Maria refere-se carinhosamente a Eastwell. O duque de Edimburgo foi praticamente inexistente na vida de seus filhos, em virtude de sua posição na Marinha Real Britânica, que ficaram a cargo completo da mãe. Maria afirmou mais tarde que nem ao menos sabia a cor dos cabelos de seu pai até ver seus retratos, acreditando serem muito mais escuros do que realmente eram. Quando estava em casa, entretanto, o duque costumava brincar com seus filhos, inventando vários jogos para eles. De todos os seus irmãos, Vitória Melita era a mais próxima de Maria. Embora fosse um ano mais nova, todos acreditavam ser Vitória a mais velha, em virtude de sua estatura. Todos os filhos do duque de Edimburgo foram batizados e educados na fé anglicana, algo que incomodava a duquesa, cristã ortodoxa.

A duquesa de Edimburgo era defensora da ideia de separação das gerações e Maria lamentava profundamente o fato de sua mãe nunca permitir que as duas conversassem de igual para igual. Ainda assim, a duquesa era uma mulher independente, culta e a pessoa mais importante na vida de seus filhos. Por determinação dela, as filhas aprenderam francês, que Maria detestava e raramente falava. No geral, a duquesa negligenciou a educação de suas filhas, considerando-as pouco brilhantes ou talentosas. Elas tinham autorização para ler em voz alta, mas receberam apenas uma instrução superficial em pintura e desenho, áreas em que haviam herdado o talento da rainha Vitória. Os duques de Edimburgo recebiam com frequência membros da família real em Eastwell Park, onde eram convidados quase que diariamente para o café. Essa proximidade levou Maria e Vitória Melita a serem convidadas para servirem como damas de honra no casamento de sua tia, a princesa Beatriz, com o príncipe Henrique de Battenberg. Entre as companhias mais frequentes de Maria estavam seus primos maternos, os grão-duques Nicolau ("Nicky") e Jorge (Georgie) e a grã-duquesa Xenia da Rússia – os outros dois primos russos, o grão-duque Miguel (Misha) e a grã-duquesa Olga eram muito jovens para as meninas Edimburgo. Eventualmente, também tinham contato com os filhos de seu tio materno, o grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia.

Em 1886, quando Maria tinha onze anos, o duque de Edimburgo foi nomeado comandante-em-chefe da esquadra do Mediterrâneo e a família passou a residir no Palácio de San Anton, em Malta. Sua estadia na ilha era recordada como a memória mais feliz de minha existência. Também foi em Malta que Maria encontrou seu primeiro amor, Maurice Bourke, capitão do navio do duque, a quem ela chamava de Captain Dear. A jovem chegava a ter crises de ciúmes quando Bourke dava mais atenção a uma de suas irmãs do que a ela. O duque e a duquesa de Edimburgo eram bastante queridos em Malta e o Palácio de San Anton estava sempre cheio de convidados. Maria e Vitória Melita ganharam cavalos brancos de sua mãe e iam quase que diariamente ao hipódromo local, com exceção dos sábados. Durante o primeiro ano em Malta, uma governanta francesa supervisionava a educação das princesas, mas, devido à sua saúde debilitada, ela foi substituída no ano seguinte por uma alemã mais jovem.

Nessa época, como o príncipe de Gales houvesse renunciado aos seus direitos ao trono do Ducado de Saxe-Coburgo-Gota, o duque de Edimburgo tornou-se herdeiro presuntivo de seu tio, o duque Ernesto II. Consequentemente, a família mudou-se para Coburgo em 1889. Maria referiu-se mais tarde a esse momento como o fim de uma vida de absoluta felicidade e alegria, sem nuvens, de uma vida sem decepções ou ilusões e sem qualquer nota discordante. A duquesa, que era pró-Alemanha, contratou uma governanta alemã para suas filhas, comprou-lhes roupas simples e até as confirmou na fé luterana. A família passava os verões no Castelo de Rosenau. O duque Ernesto foi descrito por Maria como alguém que tinha suas esquisitices; sua corte era menos rígida que outras cortes alemãs da época. Em Coburgo, a educação das princesas foi ampliada: maior ênfase foi dada à pintura e à música, cujas aulas eram ministradas por Anna Messing e Mrs. Helferich, respectivamente. As princesas também apreciavam o teatro e assistiam às apresentações no Teatro Coburgo às quintas-feiras e aos domingos. Maria e Vitória Melita observavam frequentemente os amigos de seu irmão e faziam comentários sobre os que mais gostavam – algo que Maria considerava inevitável às meninas que tem irmãos. Outros eventos que as meninas apreciavam grandemente em Coburgo eram as festas de inverno organizadas por sua mãe, quando elas tinham oportunidade de patinar no gelo e participar de jogos, como o hóquei.

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