Maria (em inglês: Mary; Londres, 25 de abril de 1776 – Londres, 30 de abril de 1857) foi uma princesa britânica da Casa de Hanôver, décima-primeira filha, a quarta menina, do rei Jorge III e Carlota de Mecklemburgo-Strelitz.
Casou-se com seu primo em primeiro grau, Guilherme Frederico, Duque de Gloucester e Edimburgo, quando ambos tinham quarenta anos. Em seus últimos anos de vida, sua sobrinha, a rainha Vitória, encontrava-se no trono, sendo a quarta monarca a reinar durante a vida de Maria, depois de seu pai e de dois de seus irmãos, Jorge IV e Guilherme IV. Maria faleceu aos oitenta e um anos, na Casa de Gloucester, em Londres, tornando-se a mais longeva e a última sobrevivente dos quinze filhos de Jorge III, treze dos quais alcançaram a idade adulta.
Maria nasceu em 25 de abril de 1776, na Casa de Buckingham, em Londres, tendo sido foi batizada em 19 de maio do mesmo ano, na Grande Sala do Conselho do Palácio de St. James, pelo Arcebispo de Canterbury Frederick Cornwallis. Os padrinhos da princesa eram primos de seu pai e foram representados por terceiros. O Conde Frederico de Hesse-Cassel foi representado pelo Conde de Hertford, a Duquesa Carlota de Saxe-Gota-Altemburgo foi representada pela Duquesa de Hamilton e a Princesa Frederica Mecklemburgo-Strelitz foi representada pela Condessa Viúva de Effingham.
O rei era um pai dedicado, encontrando tempo para visitar regularmente o berçário real. Interagia ativamente com os filhos pequenos e comportava-se de maneira relativamente informal, em contraste com a rainha Carlota, cuja postura se mantinha mais próxima da dignidade e do formalismo esperados de sua posição. Apesar de sua aparente reserva, Carlota desempenhou um papel tão consciencioso quanto o do marido na educação dos filhos. No caso das princesas reais, supervisionava atentamente seu bem-estar, sua formação intelectual e o desenvolvimento de valores morais. Em razão da escassez de tempo decorrente de seus deveres públicos e de sua recente união com o rei, nomeou Lady Charlotte Finch para administrar o berçário real e implementar suas diretrizes educacionais.
Segundo Flora Fraser, Maria era considerada a filha mais bela de Jorge III. A autora descreve-a como possuidora de uma "beleza discreta". Maria dançou um minueto em público pela primeira vez aos dezesseis anos, em junho de 1791, durante um baile da corte oferecido em comemoração ao aniversário do rei. Na primavera de 1792, realizou seu debute na corte. Por volta de 1796, Maria apaixonou-se pelo príncipe Frederico de Orange-Nassau, enquanto este e sua família viviam exilados em Londres. Frederico era filho de Guilherme V, Príncipe de Orange e Estatuder dos Países Baixos, além de irmão mais novo do futuro rei Guilherme I dos Países Baixos. Contudo, Frederico e Maria nunca se casaram, pois Jorge III determinara que as irmãs mais velhas de Maria deveriam contrair matrimônio antes dela. Em 1799, o príncipe Frederico faleceu em decorrência de uma infecção, enquanto servia no exército, e Maria recebeu permissão para entrar em luto oficial.
A irmã mais nova de Maria e sua companheira predileta, a princesa Amélia, referia-se a ela como o "instrumento de trabalho da mamãe", em razão de sua natureza obediente. A morte prematura de Amélia, em 1810, devastou profundamente Maria, que a assistiu com extrema dedicação durante sua dolorosa enfermidade. Maria também mantinha grande proximidade com seu irmão mais velho e compartilhava de sua antipatia pela esposa deste, sua prima Carolina de Brunsvique. Quando Carolina partiu para a Itália, Maria felicitou o irmão "pela perspectiva de uma boa partida", acrescentando: Que o Céu permita que ela não volte mais e que jamais tornemos a vê-la.
A educação de Maria foi marcada por grande proteção, tendo ela passado a maior parte de sua juventude na companhia dos pais e das irmãs. O rei Jorge III e a rainha Carlota empenhavam-se em resguardar os filhos, em especial as filhas. Maria, contudo, casou-se em 22 de julho de 1816 com seu primo em primeiro grau, Guilherme Frederico, Duque de Gloucester e Edimburgo, filho do irmão de Jorge III, o príncipe Guilherme Henrique, também duque de Gloucester e Edimburgo. Ambos tinham quarenta anos à época do matrimônio. No dia do casamento, o irmão de Maria, então Príncipe Regente, elevou o título do noivo de "Alteza" para "Alteza Real", dignidade à qual Maria já ostentava por ser filha do rei.
Guilherme Frederico havia inicialmente buscado contrair matrimônio com a sobrinha de Maria, a princesa Carlota de Gales. Embora interessada, Carlota foi repreendida por seu pai, que posteriormente também manifestou seu desagrado em relação a Gloucester, levando ao fim do relacionamento. O historiador A. W. Purdue sugere que a decisão de Mary de casar-se com o primo teve origem em sua aversão ao ambiente restritivo imposto pela rainha Carlota. A própria Carlota observou que o duque "estava muito apaixonado e afirmava ser a criatura mais feliz da Terra"; acrescentou ainda que, embora não pudesse dizer o mesmo de Maria, a possibilidade de ser dona de si, possuir sua própria casa e circular livremente pelas ruas lhe proporcionava grande satisfação.
O casal residia em Bagshot Park. Após a morte de Guilherme, Maria mudou-se para White Lodge, em Richmond Park. O casal não teve filhos.
Maria faleceu em 30 de abril de 1857, na Casa de Gloucester, em Londres, aos 81 anos. Foi a última filha sobrevivente e a mais longeva entre os descendentes do rei Jorge III e da rainha Carlota.
25 de abril de 1776 – 22 de julho de 1816: "Sua Alteza Real, a Princesa Maria"
22 de julho de 1816 – 30 de abril de 1857: "Sua Alteza Real, a Duquesa de Gloucester e Edimburgo"
A partir de 1789, como filha do soberano do Reino Unido, Maria passou a usar as armas do reino, diferenciadas por um lambel com três brincos de prata, a ponta central ostentando uma rosa vermelha e as pontas externas cada uma ostentando um cantão vermelho.