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Mariana Vitória de Bourbon

Princesa espanhola e rainha consorte portuguesa

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Mariana Vitória ou Maria Ana Vitória de Bourbon (Madrid, 31 de março de 1718 – Lisboa, 15 de janeiro de 1781) foi a esposa do rei José I de Portugal, sendo rainha consorte de 1750 até 1777, além de regente durante os últimos meses de vida do marido, entre 1776 e 1777.

Filha de Filipe V da Espanha e de sua segunda esposa, Isabel Farnésio, era conhecida como "Infanta-Rainha" por ter sido enviada para a França com apenas quatro anos de idade para se casar com o rei Luís XV, em 1722. No entanto, a incapacidade de gerar descendentes, intrínseca a pouca idade, fez com que Mariana Vitória fosse devolvida para a Espanha, onde seu pai lhe arranjou um novo casamento.

Em 1727, aos nove anos de idade, Mariana Vitória casou-se com José, Príncipe do Brasil, o futuro rei José I de Portugal. O casal teve quatro filhas que chegaram à idade adulta, incluindo a futura rainha Maria I, chamada "a Piedosa" e "a Louca". Ela atuou como conselheira de sua filha durante o seu reinado.

Mariana Vitória morreu em 1781, pouco tempo depois de regressar de uma vigem ao seu irmão Carlos III na Espanha, onde negociou o casamento entre seu neto, o infante João, e a neta de Carlos, a infanta Carlota Joaquina.

Nascida no Real Alcázar de Madrid, em 31 de março de 1718, Mariana Vitória era a filha primogénita do rei Filipe V da Espanha e de sua segunda esposa, Isabel Farnésio. Como Infanta da Espanha, ela detinha o direito ao tratamento de "Sua Alteza Real".

Os primeiros anos da infanta foram passados sem grandes preocupações entre os vários palácios reais na Espanha. Em dezembro e janeiro, a corte estanciava no Real Alcázar de Madrid, a velha residência que Filipe V substituiu, depois de um incêndio durante a Noite de Natal de 1734, pelo sumptuoso Palácio do Oriente. Em fevereiro, se dirigiam para o Bom Retiro. A páscoa era passada em Aranjuez e o Corpo de Deus em Madrid. No verão, estanciavam primeiro no Escorial (por seis semanas) e depois no Pardo, ao passo que em princípios de dezembro regressavam a Madrid. A partir de 1720, as estadias no Pardo foram substituídas pelas em Valsaín, onde Filipe V supervisionava as obras do Palácio Real de La Granja de San Ildefonso.

Familiarmente, era chamada afetuosamente de Marianina.

Ainda muito jovem, Mariana Vitória foi prometida em casamento ao rei Luís XV da França, numa negociação dupla donde o seu irmão, Luís, Príncipe das Astúrias, se casaria ao mesmo tempo com Luísa Isabel de Orleães, filha do Regente da França durante a menoridade de Luís XV. A Troca das Princesas deu-se em janeiro de 1722, na ilha dos Faisões, no meio do rio Bidasoa.

Instalada em Paris, a "Infanta-Rainha" (Infante-reine), como passou a ser conhecida, habitou inicialmente no Palácio do Louvre, ao passo que Luís XV manteve a sua residência nas Tulherias. Em junho do mesmo ano de 1722, Mariana Vitória mudou-se para Versalhes e lá foi acomodada nos apartamentos que haviam sido ocupados por sua bisavó, Maria Teresa, consorte de Luís XIV, e depois por sua avó, Maria Ana Vitória da Baviera, onde permaneceu até a sua partida da França.

Em 1725, no entanto, o compromisso foi quebrado. O motivo foi puramente de ordem política; com a morte do regente, em finais de 1723, o Duque de Bourbon, novo primeiro-ministro da França temia que se Luís XV morresse sem filhos, a Coroa poderia ser herdada pelo duque de Orleães, bem como pelo próprio Filipe V da Espanha, que nascido um príncipe francês e abdicado do trono espanhol, em 10 de janeiro de 1724, estaria livre para reenvidicar a Coroa da França. Nesta perspetiva, era, pois, urgente que Luís XV, que completara quatroze anos de idade em 15 de fevereiro de 1724, assegurasse a sucessão da Coroa. Como Mariana Vitória tinha somente seis anos, considerou-se que o tempo que importava esperar para o casamento ser consumado e, consequentemente, nascer um herdeiro, era demasiado longo. Ou seja, havia que escolher uma nova mulher para Luís XV. Tal implicava devolver a "Infanta-Rainha" a Espanha.

Embora Filipe V tenha, compreensivelmente, reagido muito mal à decisão francesa, esta acabou por se concretizar. Em 5 de abril de 1725, Mariana Vitória deixou para sempre Versalhes. No dia 17 do mesmo mês, já entregue ao representante enviado por seu pai, o Marquês de Santa Cruz, atravessou a fronteira para a Espanha. No dia 29, chegou em Guadalajara, onde finalmente reencontrou os pais, que na véspera haviam deixado Aranjuez. Em 30 de maio, a infanta, com grande solenidade, fez sua entrada em Madrid.

Várias fontes consideram que Mariana Vitória conservou até à morte uma enorme mágoa contra a França, aludindo um autor gaulês a "má vontade à nossa

nação, o que frequentemente manifestava". Outros usaram expressões como "aversão prodigiosa contra a corte de França", "rancor contra a nação francesa" e "ódio invencível pela nação francesa". O que não era totalmente verdade, já que a um diplomata que lhe comunicou, em junho de 1756, que a França chegara à paz com a Áustria, Mariana Vitória referiu-se a Luís XV como o "tronco da sua família". Em janeiro de 1757, comentou, em carta a Isabel Farnésio, o "horrível atentado" contra o soberano francês, referindo: "gostaria de saber o que é que o fez cometer um tão grande crime", dizendo recear que fosse algum herético, por motivos religiosos. Em 1767, fez a um outro embaixador gaulês numerosas perguntas sobre Luís XV e a restante família real francesa. E, em junho de 1774, lastimou, em carta a Carlos III, a morte do rei da França, "nosso primo", classificando-a como "coisa lamentável". Ao mesmo tempo, confidenciou à Jean-François de Bourgoing, que era, em 1777-1778, Secretário da legação francesa em Espanha, que "mantinha a recordação dos mínimos detalhes relativos à sua estada em França e, ao fim de 55 anos, lembrava-se das estátuas do jardim de Versalhes, das alamedas do parque, etc., como o poderia fazer no dia seguinte à sua partida". A quando sua filha Maria Ana Francisca de Bragança foi considerada uma potencial noiva para Luís, Delfim da França, filho e herdeiro de Luís XV, Mariana Vitória se opôs veemente a tal união, bem como uma união entre sua outra filha, Maria Doroteia de Bragança, com Luís Filipe II, Duque de Orleães, primo do rei Luís XV.

Em 27 de dezembro de 1727, aos nove anos de idade, Mariana Vitória casou-se por procuração, em Madrid, com José, Príncipe do Brasil, herdeiro da Coroa de Portugal. Em 19 de janeiro de 1729, deu-se a chamada Troca das Princesas; a filha de Filipe V rumou ao seu novo reino e para Espanha seguiu Bárbara, filha do rei João V de Portugal, também já casada por procuração com o futuro rei Fernando VI. O casamento de Mariana Vitória foi consumado em 1732, no dia em que completou quatorze anos de idade. Ela deu à luz quatro filhas, a futura rainha Maria I (1734), Maria Ana (1736), Maria Doroteia (1739) e Maria Benedita (1746). Mas esteve grávida pelo menos mais seis vezes, abortando sempre (1733, 1741, 1743, 1743, 1744 e 1752). Em 1750, seu marido tornou-se soberano reinante de Portugal, consequentemente, Mariana Vitória assumiu a dignidade de rainha consorte.

Em termos de organização do espaço no quotidiano, no tempo de José I, os membros da família real ausentavam-se de Lisboa, entre os primeiros dias de janeiro e 16 do mesmo mês, estanciando em Calhariz, Pancas e Pinheiro, onde a caça os ocupava. Assistiam depois ao tríduo do desagravo do desacato de Santa Engrácia, entre 16 e 18, saindo para Salvaterra, de novo para se entreterem em atividades cinegéticas. Regressavam depois da Páscoa, indo por vezes 15 dias para Almeirim, uma vez mais para a caça. Passavam o verão em Queluz – onde celebravam o São João e o São Pedro, com as magníficas festas organizadas pelo infante Pedro – e Mafra era a escolhida para o período de 1 a 15 de outubro. Ocasionalmente iam também a Vila Viçosa.

Em 1750, falecia João V, e o marido de Mariana Vitória subia ao trono. A rainha tinha então trinta e dois anos e José I, trinta e seis anos. O reinado do marido de Mariana Vitória é sobretudo marcado pelas políticas do seu secretário de Estado, o Marquês de Pombal, que reorganizou as leis, a economia e a sociedade portuguesa, transformando Portugal num país moderno.

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