Marilyn Monroe ([ˈmærəlɪn mənˈroʊ] MARR-ə-lin-mən-ROH; nascida Norma Jeane Mortenson; Los Angeles, 1 de junho de 1926 – Los Angeles, 4 de agosto de 1962) foi uma atriz e modelo norte-americana. Conhecida por interpretar personagens cômicas do tipo "loira bombástica", tornou-se um dos símbolos sexuais mais populares da década de 1950 e do início da década de 1960, bem como um emblema da revolução sexual daquela época. Foi uma atriz de destaque por uma década, e seus filmes arrecadaram 200 milhões de dólares (equivalente a 2 bilhões de dólares em 2025) até a sua morte, em 1962.
Nascida e criada em Los Angeles, Marilyn passou a maior parte de sua infância em lares adotivos e em um orfanato, além de ter casado pela primeira vez com apenas dezesseis anos. Em 1944 trabalhava numa companhia de aviação que fabricava drones para uso na Segunda Guerra Mundial, quando conheceu um fotógrafo da First Motion Picture Unit e iniciou uma carreira notável como modelo pin-up, o que a ajudou a fechar contratos para filmes de curta-metragem promovidos pela 20th Century Fox (1946–1947) e a Columbia Pictures (1948). Após uma série de papéis em filmes pequenos, assinou um novo contrato com a Fox. Rapidamente se tornou uma atriz popular com papéis em diversas comédias, incluindo As Young As You Feel (1951) e Monkey Business (1952), além dos dramas Clash by Night (1952) e Don't Bother to Knock (1952). Nesta época, Monroe causou escândalo quando descobriram que posara para fotos nuas antes de se tornar atriz, mas isso acabou aumentando ainda mais o interesse do público por seus filmes.
Em 1953, Marilyn era uma das estrelas mais bem-sucedidas de Hollywood, sendo a protagonista em três filmes; o noir Torrentes de Paixão, que destacou seu apelo sexual, e as comédias Os Homens Preferem as Loiras e How to Marry a Millionaire. Embora tenha desempenhado um papel importante na criação e gestão de sua própria imagem pública, estava decepcionada por seu trabalho não ter sido valorizado pelo estúdio. Foi brevemente suspensa no início de 1954 por recusar um projeto de filme, mas voltou no ano seguinte a estrelar num dos maiores sucessos de bilheteria de sua carreira, O Pecado Mora ao Lado. Quando o estúdio ainda estava relutante em modificar os termos de seu contrato, Monroe fundou sua própria empresa de produção cinematográfica, a Marilyn Monroe Productions (MMP). Buscando aprimorar seu desempenho como atriz, começou a estudar método de interpretação no Actors Studio. Logo em seguida a Fox assinou um novo contrato que lhe trouxe mais controle sobre a sua carreira e um aumento de salário. Depois de seu desempenho ser aclamado pela crítica em Nunca Fui Santa (1956) e atuando na primeira produção independente de MMP, The Prince and the Showgirl (1957), ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz por Some Like It Hot (1959). Seu último filme completo foi o drama The Misfits (1961).
A conturbada vida particular de Marilyn Monroe sempre despertou muito interesse. Durante sua carreira lutou contra o vício, a depressão e a ansiedade. Além disso, teve dois casamentos altamente midiáticos: com o jogador de beisebol Joe DiMaggio e com o dramaturgo Arthur Miller, ambos terminados em divórcio. A atriz também provocou controvérsia por ter sido cogitada como amante do então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, apesar de nada ter sido provado. Morreu em sua casa, aos 36 anos, vitimada por uma overdose de barbitúricos, no dia 5 de agosto de 1962. Embora a morte seja considerada como um provável suicídio, surgiram várias teorias da conspiração sobre um possível homicídio.
Infância e primeiro casamento (1926–1944)
Norma Jeane Mortenson nasceu no dia 1 de junho de 1926, sendo a terceira filha de Gladys Pearl Monroe (1902–1984). Os irmãos mais velhos de Monroe eram Robert (1917–1933) e Berniece (1919-2014). Ela não sabia que tinha uma irmã até completar doze anos de idade, conhecendo-a apenas depois de adulta. A identidade do pai biológico de Marilyn é desconhecida. Durante sua infância, Mortensen e Baker foram usados como seus sobrenomes em registros públicos.
Marilyn foi levada por pais adotivos, após o seu nascimento, para Hawthorne, na Califórnia, pois sua mãe estava mentalmente e financeiramente despreparada para cuidar de um filho. Inicialmente, Gladys viveu com a família para cuidar da própria filha em seus primeiros meses de vida, entretanto, após os turnos de seu trabalho se intensificarem foi obrigada a voltar para Hollywood, no início de 1927. Logo em seguida começou a visitar sua filha apenas nos finais de semana, planejando levá-la de volta consigo assim que sua condição se estabilizasse. No início de 1934, a mãe de Marilyn teve um colapso mental e foi hospitalizada. Ela foi diagnosticada com esquizofrenia paranoide. Desde então, Gladys passou o resto de sua vida dentro de hospitais e teve apenas contatos ocasionais com a filha.
Marilyn foi declarada sob a guarda do Estado e Grace Goddard, uma das amigas de sua mãe, assumiu a responsabilidade sobre ela e por assuntos relacionados à sua mãe. Viveu com seus pais adotivos até junho de 1935, e mais tarde contaria que foi abusada sexualmente por um deles quando tinha oito anos. Viveu então brevemente com Grace e seu marido, Erwin "Doc" Goddard, e duas outras famílias, até ser colocada num orfanato em setembro de 1935. Grace tornou-se sua guardiã legal no ano seguinte, levando-a do orfanato em 1937. Morou com os Goddards até ao final desse ano, quando Doc a molestou. Em seguida, foi levada para morar com parentes e amigos de Grace em Los Angeles e Compton. Marilyn só encontrou um lar permanente em setembro de 1938, quando foi viver com a tia de Grace, Ana Atchinson Lower, no oeste de Los Angeles. Devido a problemas de saúde de Lower, Marilyn voltou a viver com os Goddards em Van Nuys, entre 1940 e o início de 1941.
No início de 1942, a empresa onde Doc Goddard trabalhava obrigou-o a mudar-se para a Virgínia Ocidental. Entretanto, as leis da Califórnia impediam que os Goddards levassem Marilyn para fora do estado e ela teria que enfrentar a possibilidade de voltar para o orfanato. Como solução, ela teve que se casar com o filho de um dos vizinhos, James Dougherty, que na época tinha 21 anos e trabalhava na Lockheed Corporation. Os biógrafos não sabem se eles já haviam namorado antes ou se o casamento foi inteiramente arranjado por Grace. O matrimônio aconteceu em 19 de junho de 1942, logo após Marilyn ter completado dezesseis anos, fazendo-a abandonar a escola. Ela não gostava de ser dona de casa e mais tarde afirmou que o "casamento não a deixou triste, mas também não a fez feliz". "Meu marido e eu quase não conversávamos. Isso não acontecia porque estávamos sempre com raiva, nós só não tínhamos nada a dizer. Eu morria de tédio", completou. Em 1943, Dougherty alistou-se na Marinha. Inicialmente, ele foi chamado para servir na ilha de Santa Catalina, onde permaneceu até ser levado para o oceano Pacífico em abril de 1944 e continuou longe de casa durante dois anos. Depois de Dougherty ter ido para o Pacífico, Marilyn foi morar com os pais dele e começou a trabalhar numa fábrica que auxiliava à Segunda Guerra Mundial.
Modelagem e primeiros papéis (1945–1949)
No final de 1944, Marilyn conheceu o fotógrafo David Conover, que tinha sido enviado pela First Motion Picture Unit (FMPU) das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos para a fábrica, com o intuito de fotografar imagens moralizadoras de trabalhadoras do sexo feminino. Embora nenhuma das suas imagens tenham sido usadas, ela parou de trabalhar na fábrica em janeiro de 1945 e começou a modelar para Conover e para os seus conhecidos. Durante o trabalho de modelo, usava ocasionalmente o nome Jean Norman, tendo cabelos encaracolados e escuros, pintou-os de loiro para atrair mais a atenção dos publicitários. Como a sua figura foi considerada mais adequada para modelagem pin-up, ela foi empregada principalmente em propagandas e revistas direcionadas para o público masculino. De acordo com Emmeline Snively, que comandava a agência Blue Book Model, ela era uma de suas modelos que mais trabalhavam. Até à primavera de 1946 havia aparecido em 33 capas de revistas.