Marina Correia Lima (Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1955) é uma cantora e compositora brasileira.
A cantora surgiu em meados dos anos 70 na música e desde então, permanece ativa na indústria fazendo shows até hoje. A artista teve seu primeiro sucesso no começo dos anos 80, com a música "Charme do Mundo" que estabeleceu Marina como um dos grandes nomes das rádios FM. Ano após ano, a crescente de músicas da artista que tocavam por todo o Brasil se intensificou e então, com seu álbum de 1984, Marina emplacou canções como "Fullgás" (sucesso mais reverenciado da sua carreira), "Mesmo Que Seja Eu" (regravação do sucesso de Erasmo Carlos), "Me Chama" (regravação de canção de Lobão, também grandiosa na voz de Marina) e por último e não menos importante, a sensual e romântica "Veneno" que toca até hoje em rádios.
Nascida no Rio de Janeiro, filha de dois piauienses, mudou-se ainda criança (5 anos) para a capital dos Estados Unidos, Washington, onde viveria até os 12 anos, pois o pai, Ewaldo Correia Lima, era economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Neste período ganhara um violão do pai, como um pretexto para sentir menos falta do país natal. Marina é irmã de Roberto, economista, e de Antônio Cícero, poeta e filósofo.
Iniciou a carreira em 1977, quando teve uma canção gravada por Gal Costa, "Meu Doce Amor". Decidiu musicar um dos poemas do irmão mais velho, Antônio Cícero e obteve reconhecimento. Estabelecida essa conexão "emocional", Marina e Cícero esqueceram antigas divergências ocasionadas pela idade e, a partir de então, trilhariam uma parceria de sucesso. Em 1978, foi apresentada como cantora em compacto que trazia as gravações de "Muito" (Caetano Veloso) e "Tão fácil" (Marina Lima e Antonio Cicero). De volta ao Rio de Janeiro, assina um contrato e lança o primeiro LP, Simples Como Fogo em 1979.
Mulher 80 e sucesso nos anos 80
Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) até o final da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos apresentando os novos talentos registravam índices recordes de audiência. Marina Lima participou do especial Mulher 80 (Rede Globo), o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então, abordando esta temática no contexto da música nacional e da inegável preponderância das vozes femininas, com Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Elis Regina, Joanna, Gal Costa, Rita Lee e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.
Em 1981, ao lançar o álbum Certos acordes, Marina Lima começou a se impor como compositora com o sucesso da canção "Charme do mundo" (Marina Lima e Antonio Cicero).
No ano seguinte, lança seu quarto álbum, ...Desta vida, desta arte..., pela gravadora Ariola.
Em 1984, lança Fullgás, álbum que abriu portas e mercado para a música para a cantora, graças ao estouro da música-título.
Em 1985, lançou seu álbum Todas e posteriormente´, no ano seguinte, a versão Ao vivo do álbum homônimo. Entregou hits como "Eu Te Amo Você", "Nada Por Mim" (regravação do sucesso da banda Kid Abelha) e "Pra Começar", que entrou na trilha sonora da novela Roda de Fogo da Rede Globo, virando o tema de abertura. Nessa altura do campeonato, mesmo com o rock nacional e o pop liderando, Marina conseguiu se destacar como uma das vozes mais marcantes da MPB, mesclando sua voz rouca e com identidade ao pop, soul, entre outros gêneros. Se tornou a cantora mais reproduzida nas rádios dos anos 80 em 1986, sem ter lançado ainda sucessos que marcaram o final da mesma década.
Valendo-se do filão engajado da pós-ditadura e feminismo, cantou no coro da versão brasileira de "We Are the World", o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções "Chega de mágoa" e "Seca d´água". Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.
Em 1987, Marina lançou aquele que junto do Fullgás seria um dos maiores álbuns de sua carreira: Virgem. Esse álbum marca a ida da cantora ao rock nacional puro e ao romantismo em canções leves e fortes. O álbum trás destaque em faixas como "Uma Noite e 1/2", um dos maiores sucessos da carreira de Marina Lima, que inclusive ficou entre as mais tocadas de 1987 no programa Globo de Ouro. "Virgem", canção título do álbum trás poder com versos empoderados que trazem o eu-lirico a refletir a necessidade de dependência emocional, usando o Rio de Janeiro como plano de fundo da canção, reverenciando o Morro Dois Irmãos, o hotel Marina e a favela do Vidigal. E também trouxe a gravação de uma composição de Cazuza, "Preciso Dizer Que Te Amo", mais uma canção que estourou nas rádios e entrou entre as 100 mais tocadas de 1988.
Em 1989, Marina retorna então com o álbum Próxima Parada, lançando o hit "A Francesa" que foi tema de destaque na novela Top Model da Globo.
Já em 1991 lançou Marina Lima, álbum com seu nome, onde a cantora atingiu seu auge artístico. "Criança", "Não Sei Dançar", "Acontecimentos" e "O Meu Sim" são o auge desse álbum, entregando grandes sucessos e relevância da cantora na década de 1990.
No começo dos anos 1990, assina como Marina Lima, e não apenas Marina.
Seu último álbum de grande destaque, O Chamado é lançado em 1993 trouxe a faixa título como sucesso estrondoso nas novelas e "Pessoa", regravação da canção de Dalto lançada em 1980. Ambas trilha sonoras de novelas e grandes marcos nesse álbum da artista.
Após a morte do pai, no período de produção de O Chamado (1993) e o cancelamento da turnê do CD posterior a este, Abrigo, de 1995, provocado por este e outros problemas pessoais, Marina entra em depressão por causa da morte do pai e da separação da mulher que ela amava. Na época alegava que o empecilho eram problemas nas cordas vocais. Mesmo neste estado, lança em 1996 o CD Registros à Meia Voz, com versões próprias para letras de Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Christiaan Oyens, Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Mais tarde, Marina afirmou que problema na voz foi devido a erro médico.
Em novembro de 1999, Marina fez um ensaio para a revista Playboy, quando recebeu R$ 2,5 milhões para posar. Sondada há anos pela revista, aceitou por sugestão de seu psiquiatra para superar a depressão.