Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima (nascida Maria Osmarina da Silva; Rio Branco, 8 de fevereiro de 1958), mais conhecida por Marina Silva, é uma historiadora, professora, psicopedagoga, ambientalista e política brasileira, filiada à Rede Sustentabilidade (REDE). Foi senadora pelo Acre entre 1995 e 2011 e candidata à presidência da República nas eleições de 2010, 2014 e 2018, sendo a candidata que compareceu a mais debates televisionados, com o total de 21 participações. Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil em dois períodos: de 2003 a 2008 e novamente de 2023 a 2026. Em 2022, foi eleita Deputada Federal pelo estado de São Paulo, cargo o qual exerce atualmente.
Nascida em um seringal no Acre, Marina mudou-se para a capital do estado ainda na adolescência, onde foi alfabetizada. Concluído o ensino médio, graduou-se em história pela Universidade Federal do Acre. Desenvolveu interesse pela política e vinculou-se ao Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização de extrema-esquerda marxista-leninista que se abrigava no Partido dos Trabalhadores (PT), posteriormente ajudando a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre. Juntamente com Chico Mendes, ajudou a liderar o movimento sindical, elegendo-se para o seu primeiro cargo público, o de vereadora de Rio Branco, em 1988.
Na eleição de 1990, Marina foi eleita deputada estadual e, em 1994, senadora da República, tornando-se, aos 36 anos de idade, a mais jovem senadora da história do país. Reeleita para o Senado em 2002, Marina aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assumiu o Ministério do Meio Ambiente em 2003, exercendo o cargo até 2008. Em 2009, deixou o PT e filiou-se ao Partido Verde (PV).
Em 2010, Marina candidatou-se a presidente pelo PV, obtendo a terceira colocação no primeiro turno, com mais de 19 milhões de votos. Em 2014, assumiu a candidatura a presidente pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) após a morte de Eduardo Campos, ficando novamente em terceira colocada com mais de 22 milhões de votos. Em 2015, conseguiu o registro de seu novo partido político, a Rede Sustentabilidade, o qual a escolheu para disputar pela terceira vez a presidência da República em 2018.
Marina Silva nasceu pelas mãos de sua avó, que era parteira, na localidade de Breu Velho, em Rio Branco, capital do estado do Acre, em 8 de fevereiro de 1958. Descendente de africanos e portugueses, foi registrada com o nome de Maria Osmarina Silva de Souza, sendo filha do seringueiro cearense Pedro Augusto da Silva e da dona de casa Maria Augusta da Silva. O nome Marina, decorrente de um apelido dado por uma tia, foi acrescentado por ocasião da eleição de 1986, quando os candidatos ainda não podiam usar alcunhas nos nomes oficiais (um processo semelhante ao que aconteceu com Luiz Inácio Lula da Silva).
Durante sua infância e parte de sua adolescência, Marina viveu com sua família em uma palafita chamada Breu Velho, no seringal Bagaço, a 70 km do centro de Rio Branco. Seus pais tiveram onze filhos, dos quais oito sobreviveram.
Em 1967, a família deixou o seringal em Bagaço para ir a Manaus abrir uma taberna, mas durou pouco tempo. Cinco meses depois, eles foram a Santa Maria do Pará, onde a situação era ainda pior. Em 1969, a família voltou para o seringal com a passagem paga pelo ex-patrão do pai de Marina. Aos 10 anos, Marina Silva começou a trabalhar no seringal para pagar a dívida que a família contraiu com o patrão.
Quando Marina tinha quinze anos, a mãe Maria Augusta faleceu vítima de inúmeras doenças adquiridas pela falta de infraestrutura no local onde viviam.
Aos quinze anos, foi viver na zona urbana de Rio Branco, para tratar de sua saúde. Havia contraído hepatite, porém os médicos atestaram ser malária. Na mesma época, duas de suas irmãs faleceram, uma vítima de sarampo e outra vítima de malária. Fixou-se definitivamente em Rio Branco em 1974, recebendo os cuidados do então bispo do Acre, Dom Moacyr Grechi, que a acolheu na casa das irmãs Servas de Maria.
Em Rio Branco, seu primeiro trabalho foi de empregada doméstica, abandonando seu plano inicial de ser freira. Ao longo de sua adolescência e juventude, Marina Silva teve inúmeros problemas de saúde, tais como malária, contaminação por mercúrio e leishmaniose.
Analfabeta, Marina foi matriculada no Mobral, projeto de alfabetização do regime militar, alfabetizando-se aos dezesseis anos.
Após concluir sua alfabetização, estava apta para seguir com os estudos e já sonhava em uma graduação, optou por fazer vestibular, decidindo cursar História e formando-se em 1984, aos vinte e seis anos, na Universidade Federal do Acre (UFAC). Lá, em 1976, foi líder da chapa “Seringueira”, do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A chapa tinha como objetivo lutar contra o autoritarismo da universidade e tinha este nome para que a palavra fosse ao menos pronunciada dentro da instituição. O ciclo da borracha foi importante na região, tendo seu decaimento ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Mais tarde fez especializações em teoria psicanalítica na Universidade de Brasília (UnB), e em psicopedagogia na Universidade Católica de Brasília (UCB). Outra especialização em psicopedagogia na Argentina foi interrompida em 2010 devido à campanha eleitoral.
De seu primeiro casamento (1980) teve dois filhos: Shalon e Danilo. A união terminou em 1985. No ano seguinte, em 1986, casou-se com Fábio Vaz de Lima, técnico agrícola que assessorava os seringueiros de Xapuri. Desse casamento, que dura até hoje, Marina teve Moara e Mayara.
Quando tinha 42 anos de idade, Marina converteu-se à Igreja Evangélica. Enquanto no passado pensou em ser freira e pregava a Teologia da Libertação, passou a circular pelo Congresso Nacional com a Bíblia a tiracolo. O livro sagrado transformou-se em uma espécie de agenda que acomodava suas anotações, bem como os lembretes do dia-a-dia. A escolha pela nova religião alegadamente ocorreu em 1997, quando adoeceu, ficando acamada, frágil e com a visão e locomoção deficientes, em razão de problemas neurológicos devido à contaminação com mercúrio. Marina achava que morreria, mas sua recuperação coincidiu com a época em que começou a frequentar a Igreja Evangélica, influenciada por amigos. De acordo com ela, "Fui em busca de um milagre, mas o maior milagre foi a experiência que passei a ter da bênção de Deus." Após se curar, ela se converteu e se tornou uma fiel assídua da Igreja Bíblica da Graça.
Em 2010, ano de sua candidatura, a jornalista Marília de Camargo César lançou uma biografia com reportagens e momentos da vida de Marina. O livro, "Marina, a Vida por uma Causa", foi prefaciado por Fernando Meirelles e publicado pela editora Mundo Cristão. Em 2011, foi anunciado que a editora Mundo Cristão fechou contrato com a Cineluz Produções, da cineasta Sandra Werneck, cedendo os direitos de adaptação do livro em filme. A longa-metragem está em projeto e a produção não tem data definida para iniciar as filmagens, porém estava previsto para que fosse rodado em 2012. Em 2014, Werneck divulgou que as filmagens foram adiadas pela falta de patrocínios. Desde do início do projeto, Marina declarou que não quer que a obra cinematográfica tenha cunho político.
Em fevereiro de 2024, o sobrinho-neto de Marina Silva, Cauã Nascimento Silva, de 19 anos, foi morto três tiros na Rua Baguari, bairro Taquari, em Rio Branco. Em 27 de setembro do mesmo ano, após sete meses, a Polícia Civil prendeu o principal suspeito de assassinar o sobrinho-neto de Marina, no Ramal do Macarrão, em Rio Branco. As investigações apontaram que vítima foi flagrada por criminosos pichando a sigla de uma facção rival no bairro.
Ingressou no Partido Revolucionário Comunista (PRC), organização marxista que se abrigava no Partido dos Trabalhadores, então sob o comando do deputado José Genoino.