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Marisa Letícia Lula da Silva

35.ª primeira-dama da República Federativa do Brasil (2003–2011)

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Marisa Letícia Lula da Silva GCL • GCIC • GCNM • GCC • GCRB (São Bernardo do Campo, 7 de abril de 1950 – São Paulo, 3 de fevereiro de 2017) foi a primeira-dama do país entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011, durante os dois primeiros mandatos presidenciais de seu marido, o 35.º presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. Conhecida por seu perfil discreto e reservado, teve participação relevante em ações sociais, culturais e protocolares do governo, sobretudo na valorização da cultura popular, do artesanato brasileiro e em iniciativas ligadas à inclusão social. Tornou-se figura central da vida pública brasileira ao acompanhar a trajetória política de Lula desde o sindicalismo até a Presidência da República.

Como primeira-dama, apoiou programas sociais emblemáticos dos governos Lula, como o Fome Zero, e esteve envolvida em ações de promoção da economia solidária, do design social e da cultura popular brasileira. Após deixar o Palácio do Planalto em 2011, manteve vida reservada.

Marisa Letícia Casa nasceu numa família de imigrantes italianos (lombardos de Palazzago, província de Bérgamo), sendo filha de Antônio João Casa e Regina Rocco Casa.

Em 1955, Marisa e sua família mudaram-se para o centro de São Bernardo do Campo, região do Grande ABC, em São Paulo. Depois de frequentar uma escola humilde, Marisa foi transferida, na terceira série, para o Grupo Escolar Maria Iracema Munhoz. Aos nove anos, já tinha experiência como pajem de três garotas mais novas.[carece de fontes?]

Aos treze anos, com a autorização do pai, Marisa começou a trabalhar na fábrica de chocolates Dulcora, como embaladora de bombons. Permaneceu na empresa até os dezenove anos, quando se casou com o taxista Marcos Cláudio dos Santos, em 31 de janeiro de 1970. Seis meses após o casamento, em 20 de julho, Marcos foi morto em um assalto. Na ocasião, Marisa estava grávida de quatro meses. Seu filho recebeu o nome de Marcos Cláudio, em homenagem ao pai.

Mais tarde, em 1973, trabalhou como inspetora de alunos em um colégio estadual. Neste mesmo ano, já viúva, conheceu Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de sua cidade natal. Os dois casaram-se sete meses depois, em 25 de maio de 1974, e passou a se chamar Marisa Letícia Casa da Silva. Quando Lula incorporou seu apelido no nome, ela também o fez, passando a chamar-se Marisa Letícia Lula da Silva. O relacionamento de mais de trinta anos gerou três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio. Marisa tinha ainda uma enteada, Lurian, filha de Lula com sua ex-namorada Miriam Cordeiro.

Marisa começou na vida política militando ao lado do marido (eleito presidente do Sindicato em 1975) para que outras mulheres se juntassem ao movimento sindical na região. Em 1978, iniciaram-se as greves no ABC paulista.[carece de fontes?]

Foi Marisa quem cortou e costurou a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores, quando este foi fundado em 10 de fevereiro de 1980. Participou ativamente no início das atividades do partido, ajudando a criar núcleos e a estampar camisetas. Com a intervenção do governo federal no sindicato em abril do mesmo ano, Lula e outros sindicalistas foram presos, e as reuniões eram realizadas ilegalmente em sua casa.[carece de fontes?]

Nesse período, quando Lula e diversos sindicalistas estavam presos devido às greves, ela liderou a Passeata das Mulheres em protesto pela liberdade dos sindicalistas. Centenas de mulheres e de crianças, todas cercadas por policiais, tanques e cavalaria, saíram da Praça da Matriz e caminharam pela rua Marechal Deodoro até o Paço Municipal, retomando à Igreja da Matriz.

Durante as disputas eleitorais de 1982, 1986, 1994 e 1998, nas quais Lula se candidatou, Marisa dedicou-se aos filhos, à casa e às campanhas. Em 2002, entretanto, com os filhos já adultos, pôde se dedicar exclusivamente à campanha do marido.[carece de fontes?]

Durante os mandatos presidenciais de Lula (2003–2011), Marisa Letícia exerceu funções típicas de primeira-dama, participando de eventos oficiais, recepções diplomáticas e ações sociais. Embora não ocupasse cargo formal, teve papel ativo na organização de cerimônias no Palácio do Planalto e na promoção da imagem institucional do governo brasileiro no exterior. Seu estilo foi marcado pela discrição e pela recusa em assumir protagonismo político direto.

Entre as áreas às quais dedicou maior atenção estiveram a valorização do artesanato nacional, o design brasileiro e projetos sociais ligados ao combate à pobreza. Ela apoiou iniciativas como o programa Fome Zero e participou de eventos voltados à economia solidária e ao fortalecimento da cultura popular. Também teve atuação simbólica na revitalização de espaços históricos e na promoção da culinária brasileira como elemento de identidade nacional.

No contexto da Operação Lava Jato, em setembro de 2016 Marisa tornou-se réu de duas ações penais por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, relacionadas a um apartamento na cidade do Guarujá e de um outro apartamento de São Bernardo do Campo. Após sua morte, as acusações foram extintas.

Em 24 de janeiro de 2017, Marisa foi internada na UTI do Hospital Sírio-Libanês após sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC). Em 2 de fevereiro, o portal UOL anunciou que ex-primeira dama havia tido sua morte cerebral decretada, entretanto o Hospital Sírio-Libanês anunciou que ela seria submetida aos primeiros exames para a testificação de morte cerebral no dia seguinte. Após esses exames, o hospital divulgou nota confirmando a morte de Marisa, constatada às 18h57 de 3 de fevereiro de 2017. Sua família autorizou a doação de seus órgãos e a Secretaria Estadual de Saúde confirmou que seriam doados rins, fígado e as córneas.

A morte de Marisa Letícia repercutiu no meio político. O ex-presidente Lula recebeu visitas de políticos aliados e oposicionistas, a exemplo do presidente Michel Temer, dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, José Sarney e Dilma Rousseff, e de políticos de vários partidos políticos. Dilma afirmou que Marisa foi uma "mulher de fibra, batalhadora que conquistou espaço e teve importante papel político. Marisa foi o esteio de sua família, a base para que Lula pudesse se dedicar de corpo e alma à luta pela construção de um outro Brasil".

O velório ocorreu em 4 de fevereiro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O corpo chegou às 9h da manhã e o velório foi fechado para a família até às 10h, quando foi aberto para o público até cerca de 15h30. Amigos, parentes, correligionários e uma multidão de 20 mil pessoas, segundo o sindicato, prestaram homenagens a Marisa Letícia. O culto ecumênico foi marcado pelo tom político. Em discurso emocionado, Lula disse "Marisa morreu triste porque a canalhice, a leviandade e a maldade que fizeram com ela... Quero provar que os facínoras que levantaram leviandades contra ela tenham um dia a humildade de pedir desculpas". O corpo foi cremado no cemitério Jardim da Colina após o velório.

O Conselho Latino-americano de Ciências Sociais homenageou Marisa com um programa de bolsas para mulheres que lutam pela liberdade e pela democracia.

Em 29 de dezembro de 2017, o prefeito em exercício de São Paulo, sancionou o projeto de lei que dá o nome da ex-primeira dama Marisa Letícia a um viaduto no extremo sul da capital paulista que se inicia na Estrada do M’Boi Mirim e termina na confluência da avenida Luiz Gushiken com a rua Adilson Brito.

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Marisa Letícia Lula da Silva | World in Stories