Marlene, nome artístico de Victoria Bonaiuti (São Paulo, 24 de novembro de 1922 — Rio de Janeiro, 13 de junho de 2014), foi uma cantora e atriz brasileira.
Tendo gravado mais de quatro mil canções em sua carreira, Marlene foi um dos maiores mitos do rádio brasileiro em sua época de ouro. Sua popularidade nacional também resultou em convites para o cinema (onze filmes depois de Corações sem Piloto, de 1944) e para o teatro (cinco peças após Depois do Casamento, em 1952), tendo também trabalhado em cinco revistas depois de Deixa que eu chuto (1950).
Suas atividades internacionais incluíam turnês pelo Uruguai, Argentina, Estados Unidos (onde se apresentou no Waldorf-Astoria Hotel e no Hilton Palmer House (Chicago). Na França (apresentou-se por quatro meses e meio no Olympia em Paris, a convite de Édith Piaf, sendo a primeira cantora brasileira a pisar nesse palco sagrado da música. Compositora bissexta, teve seu samba-canção A Grande Verdade (parceria com Luís Bittencourt) gravado por Dalva de Oliveira, em 1951.
Nasceu e cresceu no bairro paulistano da Bela Vista, um conhecido reduto de ítalo-brasileiros. Seus pais eram o romano Vittorio Bonaiuti e a calabresa Antonietta De Martino, ambos imigrantes italianos, e Victória era a mais nova de três filhas. Ela herdou o nome do pai, que morreu nove dias antes de seu nascimento. Sua mãe não se casou novamente, e criou sozinha as filhas, dando aulas de alfabetização no Instituto de Surdos e Mudos de São Paulo e como costureira.
Afiliada à Igreja Batista, internou a filha mais nova no Colégio Batista Brasileiro, cujas mensalidades foram dispensadas em troca de serviços prestados ao colégio, como arrumação dos quartos. Marlene estudou ali dos nove aos quinze anos, destacando-se nas atividades esportivas, assim como no coro juvenil da igreja.
Ao deixar o colégio, foi cursar contabilidade na Faculdade do Comércio, situada na Praça da Sé. Na mesma época, emprega-se como secretária, durante o dia, num escritório comercial. É quando começa a participar de uma federação de estudantes, recém formada, a qual passa a dispor de um espaço na Rádio Bandeirantes, a Hora dos estudantes, programa em que seria cantora. Foi quando seus colegas estudantes, por eleição, escolheram seu nome artístico, em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich.
Em 1952, casou-se com o ator Luís Delfino, com quem acabá de contracenar no filme Tudo Azul. Formaram o famoso " casal 20 ". Tiveram um programa intitulado "Marlene, Meu Bem", era um programa diferente, pois apesar de no começo ser um programa de rádio, já possuía cenários. Após um tempo o programa também a ser veiculado na TV Record, com grande sucesso.
O casal teve uma criança, Sérgio Henrique Bonaiuti Delfino dos Santos, o pequeno era noticiado como uma criança loira, de olhos azuis, parecia um príncipe, porém Marlene e Delfino nunca expuseram fotos da criança na mídia. Após onze anos de matrimônio, o casal se separou, o desquite foi muito comentando na época. Ainda na década de 60, Marlene se casou novamente, em outro país, com o empresário Paulo Barros. Sérgio Bonaiuti tem uma filha, chamada Agatha Nogueira Bonaiuti Delfino dos Santos.
Victória acabou deixando o curso de contadora em segundo plano, priorizando sua atividade artística. Então, em 1940, ela estreou como profissional na Rádio Tupi de São Paulo. Tudo isto, contudo, fez escondida da família, que, por razões religiosas e sociais vigorantes na época, não poderia admitir uma incursão no mundo artístico. O nome artístico esconderia sua verdadeira identidade até ser descoberta faltando aulas por causa de seu expediente na rádio, o que resultou num castigo exemplar da parte de sua mãe. Mas ela já estava decidida a seguir carreira.
Em 1942, foi contratada pelo Cassino Império, no Recife.
Em 1943, partiu para o Rio de Janeiro, onde, após ser aprovada no teste com Vicente Paiva, passou a cantar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ali permaneceu por dois meses até conhecer Carlos Machado, que a convidou para o Cassino da Urca, contratando-a como vocalista de sua orquestra.
Em 1946, houve a proibição dos jogos de azar e o consequente fechamento dos cassinos por decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra. Marlene, então, mudou-se com a orquestra de Carlos Machado para a Boate Casablanca. Dois anos depois, tornou-se artista do Copacabana Palace a convite de Caribé da Rocha, que a promoveu de crooner a estrela da casa.
Passou a atuar também na Rádio Mayrink Veiga e, no ano seguinte, na Rádio Globo. Nesse ínterim, já se tinha dado sua estreia no disco, pela Odeon, em meados de 1946, com as gravações dos sambas Suingue no morro (Amado Régis e Felisberto Martins) e Ginga, ginga, moreno (João de Deus e Hélio Nascimento). Mas foi no carnaval do ano seguinte que Marlene emplacou seu primeiro sucesso, a marchinha Coitadinho do papai (Henrique de Almeida e M. Garcez), em companhia dos Vocalistas Tropicais, campeã do concurso oficial de músicas carnavalescas da Prefeitura do Distrito Federal. E foi cantando esta música que ela estreou no programa César de Alencar, na Rádio Nacional, com grande sucesso, em 1948. Marlene se tornaria uma das maiores estrelas da emissora, recebendo de César, o slogan Ela que canta e dança diferente. Ainda nesse ano, foi contratada pela gravadora Continental, estreando com os choros Toca, Pedroca (Pedroca e Mário Morais) e Casadinhos (Luís Bittencourt e Tuiú), este cantado em duo com César de Alencar. Marlene esperou o fim de seu contrato com o Copacabana Palace para abandonar os espetáculos nas boates, dedicando-se ao rádio, aos discos e, posteriormente, ao cinema e ao teatro.
Em 55, esteve na Argentina, gravando o filme Ádios Problemas.
Porém Marlene não ficou parada no tempo. Na década de 60, participou dos famosos festivais, teve música censurada ( Pirambeira, de Hermínio Bello de Carvalho e Maurício Tapajós ) e ela mesma foi censurada devido sua dança ter sido considerada sensual durante uma apresentação. Também apresentou programas musicais nas TV's Rio e Record. Em 68, o show Carnavália, ao lado de Nuno Roland, Blecaute e Eneida, foi sucesso de crítica e público no Teatro Casa Grande, relembrando ao desavisados, que Marlene era a artista mais artista dos artistas, como dizia José Messias.
Em 69, continuou a gravar compositores da nova geração, que resultou no show É A MAIOR, Milton Nascimento, Marcos Valle, Arthur Verocai ( também assinava os arranjos e tocava guitarra ), entre outros...
Na década de 70, participou de peças de teatro ( Botequim, O Quarteto, Ópera do Malandro ) além de antológicos shows como Te Pego Pela Palavra.
Em 1972, puxou o samba-enredo da escola de samba carioca Império Serrano, homenageando Carmen Miranda, foi a campeã do Carnaval.