Neste Dia

Marta Suplicy

Ex-prefeita de São Paulo (2001–2005)

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Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy (São Paulo, 18 de março de 1945) é uma psicóloga, psicanalista, sexóloga e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ao longo de sua carreira política, foi prefeita de São Paulo, deputada federal, ministra de Estado nos governos Lula e Dilma, senadora da República pelo estado de São Paulo, e secretária de Relações Internacionais da cidade de São Paulo.

Descendente direta dos barões de Vasconcelos, Marta viveu seus primeiros anos no Jardim Paulistano, e estudou em instituições de ensino da elite paulistana. Em 1964, casou-se com Eduardo Suplicy, com quem teve três filhos—incluindo os cantores Supla e João. Entre 1966 a 1968, morou com Eduardo nos Estados Unidos, onde ambos estudaram. Em 1970, Marta graduou-se em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), concluindo uma pós-graduação e um mestrado no exterior logo depois.

Marta trabalhou como psicóloga comportamental e sexóloga. Em 1980, passou a apresentar o quadro Comportamento Sexual, na TV Mulher, onde falava abertamente sobre temas sexuais. Entre 1989 e 1992, trabalhou com Paulo Freire na implementação de um programa de orientação sexual. Em 1994, foi eleita deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores—partido o qual estava filiada desde 1981. Em 1998, Marta concorreu ao governo de São Paulo, mas foi derrotada ainda no primeiro turno.

Em 2000, elegeu-se prefeita de São Paulo—cargo que ocupou até 2005, após não conseguir se reeleger. Em 2007, tornou-se ministra do Turismo no governo Lula e, em 2008, foi derrotada no segundo turno da eleição paulistana. Marta foi eleita senadora em 2010 e foi empossada no cargo em fevereiro de 2011. Afastou-se do mandato no Senado durante o período em que foi ministra da Cultura (2012–2014), desfiliou-se do PT, filiou-se ao MDB e concorreu, novamente sem sucesso, à prefeitura de São Paulo em 2016. Em 2018, foi convidada para ser a candidata a vice-presidente na chapa de Henrique Meirelles pelo MDB. No entanto, recusou o convite e desfiliou-se do partido.

Início de vida, família e educação

Marta nasceu em 18 de março de 1945 no Jardim Paulistano, São Paulo, sendo filha primogênita do industrial carioca Luís Affonso Smith de Vasconcellos e da dona de casa paulista Noêmia Fraccalanza Smith de Vasconcellos. Além de Marta, o casal teve outros três filhos: Luiz, Teresa e Cristina. Seu pai, Luís Affonso, era proprietário de indústrias de papel e cartonagens. Vinda de famílias tradicionais de São Paulo, é neta de Jaime Smith de Vasconcellos, 3.º barão de Vasconcellos, e bisneta de Alessandro Siciliano, 1.º conde Siciliano. Além disso, por via de sua bisavó paterna, Laura de Mello Coelho, condessa Siciliano, Marta descende de tradicionais famílias paulistas quatrocentonas e de bandeirantes como Fernão de Camargo, o Tigre, Fernando Ortiz de Camargo, o Moço, Lourenço Castanho Taques, o Moço, e Lourenço Castanho Taques, o Velho.

Marta viveu sua infância e adolescência em uma casa ampla e confortável localizada no Jardim Paulistano. Entre seus passatempos, destacava-se a leitura e a montaria em cavalos. Ela estudou em instituições de ensino da elite paulistana, cursando o primário no Externato Madre Alix e estudando no Colégio Des Oiseaux, das cônegas de Santo Agostinho, até o fim do curso ginasial. Logo depois, cursou o colegial no Colégio Nossa Senhora de Sion, também na cidade de São Paulo, onde fundou e presidiu o Grêmio estudantil na década de 1960, com marcada atuação na política estudantil, notadamente contra a ditadura militar. Em 1964, ingressou no Instituto Sedes Sapientiae, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para estudar psicologia.

Em 15 de dezembro de 1964, Marta casou-se com o estudante Eduardo Suplicy, nascido em 1941 e proveniente da Família Matarazzo, outra tradicional família de São Paulo. Eles haviam se conhecido no ano de 1960 em São Vicente, quando Marta estava na praia e presenciou Eduardo salvando um homem do afogamento. Marta apaixonou-se por Eduardo e, graças a sua insistência, os dois viriam a namorar à distância. Juntos, eles tiveram três filhos: Eduardo "Supla" (1966), André (1968) e João (1974).

Marta interrompeu seus estudos na PUC-SP para acompanhar Eduardo, que fora cursar mestrado em Economia, nos Estados Unidos, entre 1966 e 1967. Neste período, estudou psicologia infantil na Universidade Estadual de Michigan, mesma instituição em que seu esposo estudava. Marta retornou ao Brasil e reingressou na PUC-SP em 1968, vindo a concluir sua graduação em psicologia em 1970. Ela deu continuidade aos seus estudos, finalizando uma pós-graduação na Universidade Stanford em 1972, onde estudou psicologia comportamental (behaviorismo), psicanálise e sexologia, e obteve o título de mestre em psicologia clínica pela Universidade Estadual de Michigan em 1973. Marta também recebeu um Certificado de Proficiência em Inglês pela Universidade Estadual de Michigan.

Carreira na psicologia e na televisão

Durante sua estadia nos Estados Unidos, Marta conheceu e ficou fascinada pelo movimento feminista. Quando voltou ao Brasil, deu continuidade ao seu trabalho como psicóloga comportamental e sexóloga. Marta foi uma das fundadoras do curso de Terapia Comportamental no Instituto Sedes Sapientiae, onde foi professora de terapia de casais entre 1973 e 1976. Ela também atendia casais em seu escritório particular, escrevia colunas para as revistas Claudia e Vogue, e ministrava palestras. Em meados dos anos de 1970, conheceu outras feministas e participou de um grupo de mulheres intelectuais que reuniam-se para debater a condição da mulher no Brasil.

Em 1980, Marta aceitou o convite do diretor Nilton Travesso para apresentar o quadro Comportamento Sexual, no TV Mulher, um programa novo da Rede Globo que era dedicado às mulheres. O quadro possuía uma audiência média diária de dois milhões de telespectadores, tornando-se um dos mais conhecidos do programa, e era voltado a um público cuja maioria era composta por mulheres de 29 aos 45 anos de idade. Entre os temas que Marta comentava, estavam a gravidez na adolescência, orgasmo, impotência e impulso sexual.

Como apresentadora, causou polêmica ao enfrentar o conservadorismo e defender abertamente assuntos controversos, como a emancipação e os direitos da mulher, o aborto, os movimentos feministas e LGBT. Sendo a primeira vez em que o sexo foi debatido na televisão brasileira, o programa recebeu quatro processos do Departamento Nacional de Telecomunicações, que era responsável pela censura na TV, por "divulgação de fatos impróprios para o horário." Marta também foi alvo de muitos protestos por falar, em pleno dia, sobre orgasmo feminino e por repetir as palavras pênis e vagina. Um dos grupos opositores foi as Senhoras de Santana, que exigiu a retirada do ar o quadro de Marta.

Em novembro de 1982, a Rede Globo, apesar de manifestar apoio a Marta, decidiu suspendê-la do programa devido ao volume de multas e a "incontáveis problemas que a empresa vem enfrentando junto a diversos órgãos oficiais ainda dominados por um obscurantismo que impede a livre discussão de problemas fundamentais para o telespectador." Após o afastamento, a emissora recebeu inúmeras manifestações contrárias à censura, culminando na volta de Marta ao programa no início de dezembro. O TV Mulher saiu da grade de programação da Rede Globo em junho de 1986. No ano seguinte, Nilton Travesso reeditou a atração na Rede Manchete, como Mulher 87, onde Marta continuou apresentando um quadro semelhante entre 1987 e 1988. Ao longo do período em que o programa foi transmitido pela Globo, Marta recebeu mais de três mil cartas de telespectadores com dúvidas e críticas sobre o papel da mulher na sociedade; tais cartas foram usadas por Mário Prata em uma peça teatral de 1984.

Marta voltou a apresentar um programa de televisão em agosto de 1999, quando ancorou o programa Jogo Aberto, destinado a debater a sexualidade das mulheres, sendo exibido nas noites de sábado na Rede Bandeirantes. Em outubro do mesmo ano, a emissora o tirou do ar alegando "alterações na grade de programação". No entanto, a baixa audiência, cuja média era de dois pontos no Ibope (cerca de 160 mil telespectadores na Grande São Paulo), e a falta de anunciantes foram decisivas para o seu fim.

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