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Massacre de Tulsa

Massacre ocorrido em 31 de maio e 1 de junho de 1921 em Tulsa, Oklahoma, Estados Unidos

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O tumulto racial de Tulsa (mais corretamente chamado de Massacre de Tulsa, Massacre de Greenwood ou Massacre de Black Wall Street) ocorreu em 31 de maio e 1.º de junho de 1921, quando multidões de moradores brancos atacaram negros e suas residências e comércios no distrito de Greenwood, em Tulsa, Oklahoma. Foi chamado de "o pior incidente de violência racial da história norte americana". O ataque, realizado em solo e a partir de aviões particulares, destruiu mais de 35 quarteirões do distrito — na época a comunidade negra mais rica dos Estados Unidos, conhecida como "Black Wall Street". Mais de 800 pessoas foram internadas em hospitais e mais de 6000 residentes negros foram presos e detidos, muitos por vários dias. O Departamento de Estatísticas de Oklahoma registrou oficialmente 36 mortos, mas a Cruz Vermelha Americana se recusou a fornecer uma estimativa. O exame de eventos da comissão estadual de 2001 estimou que entre 100 e 300 foram mortos durante os distúrbios.

O massacre começou no fim de semana do Memorial Day, depois que Dick Rowland, 19 anos, um sapateiro negro, foi acusado de agredir Sarah Page, a operadora branca de 17 anos do elevador do edifício Drexel. A multidão de brancos irritados do lado de fora do tribunal onde Rowland estava sendo preso e a disseminação de rumores de que ele havia sido linchado assustaram a população negra local, alguns dos quais chegaram ao tribunal armados. Tiros foram disparados e doze pessoas foram mortas: dez brancos e dois negros. Quando a notícia dessas mortes se espalhou pela cidade, a violência da multidão explodiu: milhares de brancos invadiram o bairro negro naquela noite e no dia seguinte, matando homens, mulheres e crianças, queimando e saqueando lojas e casas: cerca de 10 000 pessoas negras ficaram desabrigadas e os danos materiais totalizaram mais de 1,5 milhão de dólares em imóveis e 750 000 dólares em bens pessoais (32 milhões em valores de 2019).

O massacre foi amplamente omitido nas histórias locais, estaduais e nacionais: "O tumulto racial de Tulsa de 1921 raramente era mencionado em livros de história, salas de aula ou mesmo em conversas particulares. Negros e brancos cresceram até a meia-idade sem saber o que havia acontecido". Em 1996, setenta e cinco anos após o tumulto, um grupo bipartidário na legislatura estadual autorizou a formação de uma comissão para estudar o caso. Os membros foram nomeados para investigar eventos, entrevistar sobreviventes, ouvir testemunhos do público e preparar um relatório de eventos. Houve um esforço de educação pública sobre o massacre durante o processo. O relatório final da comissão, publicado em 2001, dizia que o governo da cidade conspirou com a multidão de brancos contra os cidadãos negros e recomendou um programa de reparações aos sobreviventes e seus descendentes. O estado aprovou uma legislação para estabelecer algumas bolsas de estudos para descendentes de sobreviventes, incentivando o desenvolvimento econômico de Greenwood e de um memorial em Tulsa em homenagem às vítimas do motim.

A rebelião ocorreu na atmosfera racial e politicamente tensa do pós-Primeira Guerra Mundial do nordeste de Oklahoma. O território, que foi declarado um estado em 16 de novembro de 1907, tinha recebido muitos colonos do Sul que haviam sido donos de escravos antes da Guerra Civil Americana. No início do século XX os linchamentos não eram incomuns em Oklahoma, como parte de um esforço contínuo por brancos para afirmar e manter o domínio social. Entre a declaração de Estado e o motim da racial de Tulsa 13 anos depois, 31 pessoas foram linchadas em Oklahoma, 26 eram negros, em sua maioria homens. Durante os vinte anos seguintes à revolta, o número de linchamentos em todo o estado caiu para 2.

O legislativo estadual recém-criado tinha passado as leis de segregação racial, vulgarmente conhecidas como leis Jim Crow, como uma de suas primeiras ordens de trabalho. A leis constitucionais de 1907 tinham regras de registro de eleitores que efetivamente impediam o voto dos negros, assim como também os impediam de servir nos serviços de júri local, situação que durou até a aprovação da legislação federal de direitos civis pelo Congresso dos EUA, em meados da década de 1960. Tulsa aprovou uma lei em 16 de agosto de 1916, proibindo tanto negros como brancos residirem bairros onde pelo menos três quartos dos moradores eram de outra raça. Isso criou uma segregação residencial obrigatória na cidade. Embora o Suprema Corte dos Estados Unidos tenha declarado inconstitucional esse decreto-lei no ano seguinte, a portaria permaneceu nos registros de leis da cidade.

Na perturbação social ocorrida após a Primeira Guerra Mundial, na tentativa de algumas cidades em absorver veteranos no mercado de trabalho, houve tensão social e um sentimento anti-negros, naquilo que ficou conhecido como "Verão Vermelho" de 1919, onde várias cidades industriais em todo o Centro-Oeste e Norte tiveram rebeliões raciais graves, em que os brancos étnicos organizaram tumultos e mataram inúmeros negros, e mais milhares de pessoas ficaram desabrigadas quando suas propriedades foram destruídas, como em Chicago, Omaha, Baltimore, Washington D.C., e Filadélfia. Fortalecidos pelo serviço na Primeira Guerra Mundial, em cidades como Chicago, os negros lutaram.

No nordeste de Oklahoma existia uma crise econômica que acabou por tirar muitos homens do mercado de trabalho. Desde 1915, a Ku Klux Klan crescia em pequenos grupos urbanos em todo o Centro-Oeste, em particular com a volta dos veteranos da guerra, que fez sua primeira grande aparição (Ku Klux Klan) em Oklahoma em 12 de agosto de 1921, menos de três meses após a rebelião. O historiador Charles Alexander estima que até o final de 1921, Tulsa tinha cerca de 3 200 moradores da cidade pertencentes a Klan.

O bairro tradicionalmente negro de Greenwood, em Tulsa tinha um distrito comercial tão próspero que era conhecido como o "Wall Street Negro" (agora comumente referido como "Black Wall Street", em inglês, com ‘negro’ trocado por ‘black’). Os negros criaram os seus próprios negócios e serviços dentro do enclave da segregação racial, incluindo mantimentos diversos, dois jornais independentes, dois cinemas, discotecas e inúmeras igrejas. Profissionais médicos negros, dentistas, advogados e clérigos a serviço da comunidade atuavam na região. Por causa da segregação residencial, a maioria dos negros viviam juntos em Greenwood. Eles selecionaram seus próprios líderes, e nos arredores do nordeste de Oklahoma os negros também desfrutavam de relativa prosperidade e participavam do boom do petróleo.

Segunda, 30 de maio de 1921 - Memorial Day

Por volta de das 4 horas da tarde, Dick Rowland, um negro de 19 anos que trabalhava como engraxate na região central da cidade, adentrou num elevador de um edifício da região restrito aos negros. Ele encontrou Sarah Page, de 17 anos, operadora do elevador para brancos, que estava de plantão. Os dois provavelmente se conheciam pelo menos de vista, como este era o único edifício nas proximidades com um banheiro que Rowland tinha permissão expressa para usar, e o elevador operado por Page era o único do edifício. Um funcionário da Renberg, uma loja de roupas localizada no primeiro andar do edifício, ouviu o que soou como grito de uma mulher e viu um jovem negro correndo do prédio. O funcionário foi até o elevador e encontrou Page descontrolada e ansiosa. Pensando que ela tinha sido fisicamente atacada, o funcionário chamou as autoridades.

As notas do relatório da comissão de investigação apontaram que era incomum para ambos Rowland e Page trabalharem centro da cidade no Memorial Day, quando a maioria das lojas e empresas eram fechadas. Elas sugerem que Rowland deveria ter causado um pequeno incidente, como tropeçar e equilibrando-se contra a menina, ou que talvez eles fossem amantes e tiveram um briga no elevador.

Se - e até que ponto - Dick Rowland e Sarah Page se conheciam anteriormente é uma questão de especulação. Parece razoável que eles pelo menos foram capazes de se reconhecer de vista, já que Rowland teria regularmente pego o elevador onde Page ficava para dirigir-se ao banheiro. Outros, porém, têm especulado que o par podem ter sido amantes - um tabu perigoso e potencialmente mortal, mas não uma impossibilidade... Se eles se conheciam ou não, é claro que tanto Dick Rowland e Sarah Page, estavam no centro na segunda-feira, 30 de maio de 1921 - embora isso, também, esteja envolto em mistério. No Memorial Day, a maioria - mas não todas - lojas e empresas em Tulsa estavam fechadas. No entanto, tanto Rowland e Page estavam aparentemente trabalhando naquele dia...

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