Apóstolo Mateus, também chamado de São Mateus (em hebraico: מַתִּתְיָהוּ, Mattiṯyāhū; em aramaico: מַתַּי, Mattay; em grego: Ματθαῖος, Matthaîos; em latim: Matthaeus) ou Mateus, o Evangelista, foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e é reconhecido como autor do Evangelho segundo Mateus, um dos quatro Evangelhos canônicos. Originalmente conhecido como Levi, filho de Alfeu, exercia a profissão de publicano, isto é, cobrador de impostos para o Império Romano, função considerada impura e desprezada pelos judeus de sua época. Segundo os Evangelhos, foi chamado por Jesus enquanto trabalhava em sua coletoria em Cafarnaum (Mateus 9:9), ocasião em que deixou tudo imediatamente para segui-Lo.
Na tradição cristã, Mateus é venerado como santo, apóstolo e evangelista. Sua conversão rápida e total é vista como um testemunho da força do chamado de Cristo, capaz de transformar corações endurecidos. Devido à sua origem como cobrador de impostos, Mateus é frequentemente lembrado como símbolo da misericórdia de Deus, que não rejeita os pecadores, mas os convida à conversão. Conforme a tradição, ele sofreu martírio na Etiópia por volta do ano 60 d.C.
O evangelho que ele escreveu apresenta forte caráter catequético e foi escrito principalmente para cristãos de origem judaica, destacando Jesus como o cumprimento das antigas promessas messiânicas. A tradição afirma que, após a Ressurreição, Mateus pregou em diversas regiões — como a Palestina, a Síria e a Etiópia —, onde sofreu martírio por volta do ano 60 d.C..
São Mateus é representado na iconografia cristã com o símbolo de um homem ou anjo alado, um dos quatro seres viventes do Apocalipse, em referência ao início do Evangelho, que destaca a genealogia humana de Cristo. É considerado padroeiro dos contadores, banqueiros, administradores e trabalhadores financeiros. Sua memória litúrgica é celebrada pela Igreja em 21 de setembro no Ocidente.
Entre os primeiros seguidores e apóstolos de Jesus, Mateus é mencionado em Mateus 9:9 e Mateus 10:3 como tendo sido um coletor de impostos de Cafarnaum que foi convidado para o círculo dos Doze por Jesus. É também mencionado como um dos doze apóstolos, embora sem referência à sua profissão anterior, em Marcos 3:18, Lucas 6:15 e Atos 1:13. Geralmente identificado como o Levi, filho de Alfeu, também coletor de impostos e que é citado em Marcos 2:14 e Lucas 5:27.
Durante a ocupação romana, que iniciou em 63 a.C. com a conquista de Pompeu, Mateus coletava impostos do povo hebreu para Herodes Antipas, o tetrarca da Galileia. Sua coletoria estava localizada em Cafarnaum. Judeus que enriqueciam desta maneira eram desprezados e considerados párias. Porém, como um coletor de impostos, ele deve ter sido alfabetizado em aramaico (ainda que provavelmente não em grego nem em latim).
Foi neste cenário, perto de onde hoje está Almagor, que Jesus convidou Mateus para ser um dos Doze Apóstolos. Após o chamado, Mateus convidou Jesus para um banquete em sua casa. Ao ver isto, os escribas e os fariseus criticaram Jesus por cear com coletores de impostos e pecadores. A provocação fez Jesus responder, «Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.» (Lucas 5:29). Jesus assim Como entrou na casa de Zaqueu que também era coletor de impostos, Lucas 19.
O ministério de Mateus no Novo Testamento é bastante complexo de atestar. Quando ele é mencionado, é geralmente junto com Tomé. Como discípulo, ele seguiu Cristo e foi uma das testemunhas da Ressurreição e da Ascensão. Depois, Mateus, Maria, Tiago e outros seguidores próximos a Jesus se recolheram ao cenáculo em Jerusalém. Na mesma época, Tiago sucedeu a Jesus como líder da igreja de Jerusalém.
Eles permaneceram nas redondezas de Jerusalém e proclamaram que Jesus, filho do carpinteiro José, era o Messias prometido nas profecias. Acredita-se que estes primeiros cristãos judeus eram chamados nazarenos. É quase certo que Mateus era um deles, uma vez que tanto o Novo Testamento quanto o Talmud assim atestam.
Mateus pregou por quinze anos o Evangelho em hebraico para a comunidade judaica na Judeia. Mais tarde, ele viajaria fora da Judeia para outras provincias romanas, presumivelmente seguindo o ordenamento de Jesus em Mateus 28:16–20 e espalhou os ensinamentos de Jesus entre os etíopes, macedonianos, persas e partos. Tanto a Igreja Católica quanto a Ortodoxa sustentam a crença tradicional de que ele tenha morrido mártir na Etiópia, defendendo Santa Ifigênia da Etiópia.
Os cristãos do tempo de Mateus ainda se consideravam judeus e, como tais, eles adoravam no Templo e reverenciavam a Lei dada por Deus a Moisés. Eles também reverenciavam uma tradição oral chamada Torah Shebeal Peh, que interpretava a lei escrita. Foi neste contexto cultural (chamado Sitz im Leben) que a tradição oral cristã nasceu, conforme Jesus e rabinos cristãos desenvolveram a "mensagem" (evangelios) oral interpretando a lei escrita.
Quando o Segundo Templo de Jerusalém foi destruído em 70 d.C., esta tradição oral não era mais possível e se tornou necessário escrevê-la, o que ocorreu na Mishná (parte do que seria posteriormente o Talmude). Acredita-se que Mateus traduziu a "tradição oral cristã" (ou Logia) na forma escrita antes de partir para Roma.
Orígenes afirma que o primeiro evangelho foi escrito por Mateus. Este evangelho foi escrito em hebraico em Jerusalém para ser utilizado por cristãos-judeus e traduzido para o grego, embora esta não tenha sobrevivido. Uma cópia do original hebraico era mantido na Biblioteca Teológica de Cesareia Marítima. A comunidade nazarena transcreveu uma cópia para Jerónimo, que a utilizou em sua obra De Viris Illustribus. O Evangelho segundo Mateus era então chamado "Evangelho dos Hebreus" ou, às vezes, "Evangelho dos Apóstolos" e acredita-se que ele foi o original "Mateus grego" encontrado na Bíblia. Porém, esta interpretação foi contestada por estudiosos modernos como Bart Ehrman e James Edwards.
Os padres da Igreja Epifânio de Salamina e Jerônimo de Estridão mencionam um evangelho primordial, o hoje perdido Evangelho dos Hebreus, que foi parcialmente preservado nos escritos deles, e que teria sido escrito por Mateus. Epifânio porém não afirma por si que o autor seria Mateus, ele apenas afirma que esta era a crença dos heréticos Ebionitas. Certos estudiosos hoje em dia, notavelmente Raymond E. Brown, acreditam que "o evangelho canônico de Mateus foi escrito em grego por alguém que não foi testemunha ocular e cujo nome é desconhecido para nós e que dependia de fontes como o Evangelho segundo Marcos e a fonte Q", uma teoria conhecida como Prioridade de Marcos. Há opiniões divergentes, como a de Craig Blomberg.