Matinhos é um município brasileiro no litoral do estado do Paraná, Região Sul do país. Localiza-se a cerca de 110 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 120 km², sendo que 20 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 42 063 habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de 19,5 °C e na vegetação do município predomina a mata atlântica, com trechos de restinga ao longo de sua faixa litorânea. Com uma taxa de urbanização da ordem de 99%, o município contava, em 2009, com nove estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,793, considerando como médio em relação ao estado.
O município destaca-se pelas suas praias situadas nos 15 balneários, que atraem milhares de pessoas na alta temporada, sendo o balneário de Caiobá o maior de todos, onde estão a Praia Brava e a Praia Mansa. Também há a realização anual de diversas festas e eventos, como o Festival de Verão, em fevereiro ou março, Festa de São Pedro e as feiras de artesanato, organizadas no decorrer do ano.
Há aproximadamente entre 3000 e 5000 anos atrás, vivia na região do atual município de Matinhos o "Homem do Sambaqui", que são um povo extinto e que deixou os primeiros vestígios da presença do homem naquela área. Depois deles surgiram os índios Carijós, do Grupo Tupi-Guarani.
Matinhos sofreu influência sociocultural dos povoadores de Paranaguá, e posteriormente dos de Guaratuba, por se tratar de ponto intermediário entre os dois municípios. Com o tempo foi se firmando como povoado, tendo vida própria, e participando da vida política regional.
Em 1771 residia ali o alferes Antonio Carvalho Bueno, que foi nomeado pelo tenente-coronel Afonso Botelho, para servir de Juiz Ordinário na Vila de Guaratuba.
Formação administrativa e etimologia
Até 1938 Matinhos estava diretamente ligado a Guaratuba, município a quem estava jurisdicionado, quando, por ato do Interventor Manoel Ribas, Guaratuba perdeu sua autonomia política, passando a pertencer ao município de Paranaguá. Como Matinhos pertencia territorialmente à Guaratuba, passou também à jurisdição de Paranaguá. Pela Lei n° 613 do dia 27 de janeiro de 1951, Matinhos foi elevado à condição de distrito, ligado diretamente a Paranaguá, de quem se desmembrou a 12 de junho de 1967, pela Lei Estadual n° 05, sancionada pelo governador Paulo Pimentel, ganhando a condição de município emancipado.
De origem geográfica, sua denominação provém da abundância de vegetação rasteira, típica da planície litorânea do Paraná. "Matinhos" é uma palavra formada pelo termo "mato" acrescida do sufixo nominativo masculino plural "inhos". O termo "mato" é substantivo masculino de "mata", e origina-se do latim tardio "matta", terreno onde medram plantas agrestes. (ABHF, AGC, FT).
A instalação do novo município se deu solenemente no dia 19 de dezembro de 1968, ocasião em que ocorreu a posse das autoridades municipais eleitas.
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 117,479 km², sendo que 20,26 km² constituem a zona urbana. Situa-se a 25°49'04" de latitude sul e 48°32'34" de longitude oeste e está a uma distância de 109 quilômetros a sudeste da capital paranaense. Seus municípios limítrofes são Guaratuba, a sul e oeste, e Paranaguá e Pontal do Paraná, a norte; além do Oceano Atlântico, a leste.
O relevo do município de Matinhos é predominantemente plano, sendo esta uma das características do litoral paranaense, onde predomina o tipo de relevo denominado planície litorânea, planície com cerca de 10 a 20 km de largura, constituída de formações arenosas, paludais terrestres, manguezais (paludais marinhos) e nas proximidades do complexo cristalino por terrenos de aluviões terrestres, não tendo formações de lagoas ou lagunas. O município está inserido entre o maciço montanhoso da Serra da Prata e amplas áreas da planície costeira da Praia de Leste, havendo oito morros: Cabaraquara, da Cruz ou Escalvado, Canela, Bico Torto, Taguá, Pedra Branca, Batatal e do Boi.
O território é banhado por dez rios e córregos, sendo eles: da Draga, Matinhos, da Onça, Canal da Lagoa Amarela, Indaial, Novo, Cambará, do Meio, Cachoeirinha e Guaraguaçu. Um dos principais é o Rio da Onça, que passa pelo perímetro urbano e em suas margens situa-se o Parque Estadual Florestal do Rio da Onça, constituindo-se como um corredor biológico, mas o maior rio do litoral paranaense (Rio Guaraguaçu), possui suas nascentes em Matinhos e, após percorrer grande parte do território matinhense, tem sua foz em Paranaguá.
O clima matinhense é caracterizado, segundo o IBGE, como subtropical subquente superúmido (tipo Cfa segundo Köppen), tendo temperatura média anual de 21 °C, com temperaturas amenas e chuvas abundantes durante todo o ano. O mês mais quente é janeiro, com temperaturas máximas chegando a 29 °C, e o mais frio, com mínimas de até 13 °C. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico é de aproximadamente 2 022 milímetros por ano, concentrados nos meses de verão e apresentando uma ligeira diminuição nos meses de inverno. As precipitações acontecem principalmente sob a forma de chuva e, em algumas ocasiões, de granizo.
Segundo a Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Paraná, de outubro de 1948 a março de 1980 e entre 2008 e 2011, o maior acumulado de chuva em 24 horas registrado em Matinhos foi de 240,5 milímetros (mm), observado no dia 28 de janeiro de 1951. Outros grandes acumulados foram de 165,9 mm, no dia 28 de fevereiro de 1954; 162,4 mm, em 23 de fevereiro de 1950; e 161,0 mm, em 31 de março de 1954.
A vegetação nativa do município pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica), onde destacam-se árvores como os ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras, guanandis e cedro. Também destaca-se nas áreas costeiras a restinga, que reduz a constante mudança das dunas formadas pela areia, depositadas nas praias pelas marés altas e transportadas pelos ventos. Há vários projetos com foco à preservação desse tipo de vegetação.
Na fauna matinhense, destacam-se a grande ocorrência de pacas, porcos do mato, catetos, macucos, tucanos e surucuás.
Há duas áreas de preservação que se destacam na cidade. Uma delas é o Parque Estadual Florestal do Rio da Onça, que situa-se na região central do município, às margens do Rio da Onça. Foi criado pelo Decreto Estadual nº 3825, de 4 de junho de 1981, em uma área de reflorestamento que abrigava o depósito de lixo do município, tendo atualmente 1 660 hectares. A outra área é o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, que foi criado pela Lei nº 10.227, de 23 de maio de 2001, sendo que tem 24 500 hectares, englobando áreas de Matinhos, Guaratuba, Morretes e Paranaguá. Nele o foco é a preservação da mata atlântica.