Neste Dia

Matteo Ricci

Sacerdote e missionário italiano

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Padre Matteo Ricci, S.J. (Macerata, 6 de outubro de 1552 – Pequim, 11 de maio de 1610) foi um padre jesuíta italiano e uma das figuras fundadoras das missões jesuítas na China. Ele criou o Kunyu Wanguo Quantu, um mapa-múndi de 1602 escrito em caracteres chineses. Em 2022, a Sé Apostólica declarou seu reconhecimento às virtudes heróicas de Ricci, concedendo-lhe assim o título honorífico de Venerável. Ricci chegou ao assentamento português de Macau em 1582, onde começou seu trabalho missionário na China. Ele dominou a língua chinesa e o sistema de escrita. Ele se tornou o primeiro europeu a entrar na Cidade Proibida de Pequim em 1601, quando convidado pelo imperador Wanli, que procurou seus serviços em assuntos como astronomia da corte e ciência do calendário. Ele enfatizou paralelos entre o catolicismo e o confucionismo, mas se opôs ao budismo. Ele converteu vários funcionários chineses proeminentes ao catolicismo. Ele também trabalhou com várias elites chinesas, como Xu Guangqi, na tradução dos Elementos de Euclides para o chinês, bem como os clássicos confucionistas para o latim pela primeira vez na história.

Matteo Ricci é considerado também como "um modelo de proveitoso encontro entre as civilizações europeia e chinesa" e ainda como "um singular modelo de evangelização e de diálogo com as várias realidades culturais e religiosas". Mais especificamente, "Matteo Ricci é considerado o símbolo do primeiro contacto da China com as ciências e a tecnologia europeias, do encontro pioneiro do Evangelho com os intelectuais da raça Han, assim como um dos primeiros intercâmbios entre a cultura chinesa e a ocidental".

Na altura, Ricci era classificado pelos chineses como "um dos mais notáveis e brilhantes homens da História" e como o "Mestre do grande Ocidente". Isto porque Ricci fascinou os chineses pelo seu grande interesse, admiração e respeito pela cultura chinesa e também pelo seu vasto saber ocidental em diversas áreas do conhecimento, como a teologia, a apologética, a catequese popular, a matemática, a astronomia, a literatura, a poesia, a arte e a música.

Em 2010, quando das celebrações do quarto centenário da morte de Matteo Ricci, o Papa Bento XVI afirmou que o "Padre Ricci constitui um caso singular de feliz síntese entre o anúncio do Evangelho e o diálogo com a cultura do povo ao qual Ele é levado, um exemplo de equilíbrio entre clareza doutrinal e obra pastoral prudente. Não apenas a profunda aprendizagem da língua, mas também a assunção do estilo de vida e dos costumes das classes cultas chinesas, fruto de estudo e de exercício paciente e clarividente, fizeram com que Padre Ricci fosse aceite pelos chineses com respeito e estima, não como um estrangeiro, mas como o 'Mestre do grande Ocidente'." O Papa afirmou ainda que a actividade missionária de Ricci na China "se torna também diálogo entre culturas; um diálogo desinteressado, livre de ambições de poder económico ou político, vivido na amizade, que faz da obra de Padre Ricci e dos seus discípulos um dos pontos mais salientes e felizes na relação entre a China e o Ocidente". Por fim, o Papa salientou ainda o facto de que, "no "Museu do Milénio" de Pequim somente duas pessoas estrangeiras são recordadas entre os grandes da história da China: Marco Polo e Padre Matteo Ricci".

Recebeu a sua primeira formação na sua cidade natal de Macerata (Itália). Em 1568 partiu para Roma para estudar Direito na Universidade La Sapienza, dado que seu pai ambicionava para si a ascensão na administração pontifícia. Foi em Roma que começou a frequentar as reuniões da Annunciata, uma associação cristã de jovens ligada à Companhia de Jesus, que promovia a oração e os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Este desenvolvimento espiritual leva a que a 15 de agosto de 1571, contra a vontade do seu pai, requeira o ingresso na Companhia de Jesus. Ingressou depois no Colégio Romano, onde estudou Retórica, Filosofia e Teologia. Aí estudou também Matemática, Cosmologia, Geografia e Astronomia, sob a orientação do célebre padre Cristóvão Clávio.

Aconselhado pelo padre Alessandro Valignano, visitador da Companhia de Jesus nas missões do Oriente, em 1577 Ricci voluntariou-se para trabalhar nas missões de evangelização da Ásia. Por isso, prosseguiu para Portugal, onde aproveitou para aprender a língua portuguesa na Universidade de Coimbra. A 24 de março de 1578 partiu de Lisboa para a colónia portuguesa de Goa, na nau São Luís, juntamente com um grupo de jesuítas. Ordenou-se sacerdote a 26 de julho de 1580, enquanto trabalhava como professor de latim e grego em Cochim, onde terminou também os seus estudos de Teologia.

Em 1582 foi destacado por Alexandre Valignano para a missão jesuíta da China. A 7 de agosto do mesmo ano, chegou à colónia portuguesa de Macau com o fim de estudar a língua chinesa, para poder evangelizar no país, naquela altura governado pela dinastia Ming. A entrada neste país por um ocidental era difícil, pois eram tomados como feiticeiros e intrusos de índole perigosa.

Em Macau, Matteo Ricci e Miguel Ruggieri (que já esteve a estudar a língua chinesa em Macau desde 1579), começou a compilar o primeiro dicionário Português-Chinês (em chinês: "葡汉辞典"). Esta obra, terminada somente em Zhaoqing, foi concebido essencialmente para o benefício dos missionários ou outros estrangeiros, que queriam aprender chinês. O dicionário apresentava, pela primeira vez, a romanização (criado por Matteo Ricci) da língua chinesa falada nos anos finais da dinastia Ming e constituiu assim um marco cultural na documentação histórica do desenvolvimento dos estudos chineses.

No verão de 1583, juntamente com o padre Ruggieri, penetrou finalmente no Império Chinês, mais precisamente na província de Guangdong. Dirigiram-se a Zhaoqing, à residência do vice-rei de Guangdong e Guangxi, onde o padre Ruggieri já havia estado em 1581 e 1582. A 14 de setembro de 1583 recebe as devidas autorizações para permanecer naquele território. 14 meses mais tarde, inauguraram em Zhaoqing a primeira casa da missão católica jesuíta na China, com a assistência do padre Francisco Cabral, reitor do Colégio jesuíta de Macau.

A missão em Zhaoqing, no início, revelou-se um sucesso: o número de baptizados aumentou na região, especialmente entre a elite cultural chinesa; a casa jesuíta tornou-se num local privilegiado de aprendizagem da cultura e filosofia chinesas e um ponto de diálogo com os letrados e mandarins chineses da região, ganhando assim também a amizade e o respeito de muitos deles; a casa tornou-se também num centro de tradução e produção de material catequético e doutrinal em língua chinesa (foi em Zhaoqing que Ruggieri e Ricci traduziram para o chinês várias orações e conceitos católicos, publicaram o primeiro Catecismo em chinês e a obra "Explicação dos Dez Mandamentos"; foi também em Zhaoqing que Ricci continuou a elaborar, em chinês, o seu famoso mapa-múndi, uma obra muito apreciada pelos chineses, iniciada em Macau e acabada somente em Pequim). Porém, as coisas começaram a complicar: em 1588 Ruggieri regressou à Itália, para convencer a Santa Sé a enviar um representante oficial a Pequim, com a finalidade de convencer o Imperador chinês a conceder liberdade religiosa aos católicos. Ruggieri nunca mais regressou à China e falhou na sua missão na Itália. E, em 1589, os jesuítas foram despojados da residência pelo novo vice-rei de Guangdong e Guangxi. Mas, receando algumas complicações com os missionários portugueses que se encontravam em Macau, o vice-rei autorizou os jesuítas a residirem em Shaoguan (ou Shaozhou).

Em Shaoguan, a nova missão católica continuou a converter e a estabelecer amizades com os letrados chineses e as autoridades de Shaoguan revelaram-se mais acolhedores e amigáveis do que as de Zhaoqing. Também foi em Shaoguan que Ricci começou a adoptar o vestuário, a terminologia e os costumes dos letrados (intelectuais ou eruditos) confucianos chineses, abandonado assim aos poucos as suas vestes iniciais de monge budista. Apesar do budismo ser uma das religiões predominantes do povo chinês, esta alteração estratégica baseia-se no facto de a posição social e a influência de um letrado confuciano serem superiores às de um monge budista e no facto de que, ao usar o vestuário e a terminologia budistas, muitos chineses acharem erroneamente que o catolicismo é uma variante do budismo. Além do vestuário, Ricci começou a estudar a filosofia chinesa (nomeadamente o confucionismo) e passou ainda a observar e apoiar os ritos (ex: culto dos antepassados) e os costumes chineses que não colidiam com a doutrina católica. Toda esta estratégia de inculturação da fé, com o fim de melhorar as relações com os chineses e de melhorar os resultados das missões, foi permitida pelo seu superior Alexandre Valignano, pelo Superior-geral da Companhia de Jesus e até, inicialmente, pelo Papa.

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