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Maurícia

País insular do oceano Índico

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Maurícia (português europeu) ou Maurício (português brasileiro) (em inglês Mauritius, em francês Maurice, em crioulo mauriciano Moris), oficialmente República da Maurícia (português europeu) ou República de Maurício (português brasileiro) (em inglês: Republic of Mauritius, em francês République de Maurice, em crioulo mauriciano Repiblik Moris), é um país insular do oceano Índico, a cerca de 2 000 km da costa sudeste do continente africano. O país inclui as ilhas Maurícia e Rodrigues, 560 km a leste da ilha Maurícia, e as ilhas exteriores (Agalega e as ilhas de São Brandão, conhecidas também como "Cargados Carajos"). O país também reivindica o Arquipélago de Chagos, que faz parte do Território Britânico do Oceano Índico, e também reivindica a ilha de Tromelin, que faz parte das Terras Austrais e Antárticas Francesas. As ilhas Maurícia e Rodrigues fazem parte das Ilhas Mascarenhas, junto com a vizinha Reunião, um departamento ultramarino francês. A área do país é de 2 040 km². A capital e maior cidade é Porto Luís. O país é membro da Comunidade das Nações, da Francofonia e da União Africana.

Anteriormente uma colónia neerlandesa (1638–1710) e uma colónia francesa (1715–1810), as Ilhas Maurícia tornaram-se uma possessão colonial britânica em 1810 e assim permaneceram até 1968, ano em que adquiriram a independência. A colónia da Coroa Britânica de Maurício integrou os territórios atuais das Ilhas Maurícia, Rodrigues, as ilhas exteriores de Agalega, São Brandão, Arquipélago de Chagos e Seicheles. Em 1903 foi criada a colônia de Seicheles e em 1965 o arquipélago de Chagos tornou-se uma entidade separada. A soberania sobre o arquipélago de Chagos é disputada entre Maurício e o Reino Unido. O Reino Unido extirpou o arquipélago do território mauriciano em 1965, três anos antes da independência de Maurício. O Reino Unido gradualmente despovoou o arquipélago e arrendou a ilha principal, Diego Garcia, aos Estados Unidos. O acesso ao arquipélago é proibido a turistas ocasionais, à mídia e aos seus antigos habitantes. Em 2024 foi firmado acordo onde o Reino Unido devolverá as Ilhas Chagos às Maurícias, mas a base em Diego Garcia, no entanto, permanecendo sob domínio britânico. O acordo de transferência foi assinado em 22 de maio de 2025, com a condição de que a ilha de Diego Garcia fosse arrendada de volta ao Reino Unido por pelo menos 99 anos. Espera-se que o Tratado seja ratificado no início de 2026. As Maurícias também reivindicam a soberania sobre a ilha de Tromelin á França.

O povo mauriciano é multiétnico, multirreligioso, multicultural e multilíngue. O governo da ilha segue o sistema parlamentarista de Westminster, o país é altamente classificadas em democracia, em liberdade económica e política. O Índice de Desenvolvimento Humano de Maurícia é o mais alto da África. A Maurícia é conhecida pela sua flora e fauna variadas, com muitas espécies endémicas da ilha. A ilha é amplamente conhecida como a única casa conhecida do dodô, que, juntamente com várias outras espécies de aves, foi extinta por atividades humanas relativamente pouco depois do assentamento da ilha. Maurícia é o único país da África onde o hinduísmo é a religião mais praticada. A administração usa o inglês como idioma principal, embora não haja uma língua oficial definido e sejam também usados pela população o francês, o inglês e o crioulo mauriciano.

Local de visita de marinheiros que vieram da Arábia durante o século XV e nomeado em língua árabe como Diva Mashriq (المغنية المشرق), "ilha oriental", a Maurícia de hoje (da língua inglesa Mauritius e do francês Maurice) é visível nos mapas da época. Um século depois, troca-se o nome pelo de Cirne, dado pelos portugueses, pelos quais foi encontrada deserta e não tiveram o desejo de ocupação, e depois pelo de Mascarenhas, que descobriu a vizinha ilha de Reunião.

O nome moderno Mauritius originou-se dos neerlandeses. Em 1598, uma esquadra neerlandesa desembarcou na ilha. Eles a reivindicaram e a nomearam em homenagem ao Príncipe Maurício de Nassau, o estatuder (chefe de Estado) da República Neerlandesa. O nome Mauritius é a forma latinizada do seu nome em neerlandês, Maurits.

Depois tornou-se uma colónia francesa e foi renomeada Île de France, que significa "Ilha de França". Durante o século XIX, quando a ilha passou a ser administrada pelo Reino Unido, foi retomado o nome Mauritius, que foi traduzido em português europeu como "Maurícias". Na mesma língua, o uso e as fontes lexicográficas têm, no entanto, privilegiado a forma Maurícia, a par de (Ilhas) Maurícias.

A ilha Maurícia era desabitada antes de sua primeira visita registrada durante a Idade Média pelos árabes, que lhe chamaram Dina Arobi. No entanto, a ilha pode ter sido visitada muito antes por marinheiros dos tempos antigos; tabuletas de cera foram encontradas nas costas da Maurícia pelos neerlandeses, mas como as tábuas não foram preservadas, não se pode dizer se eram de origem grega, fenícia ou árabe.

Em 1507, os navegadores portugueses chegaram à ilha desabitada e estabeleceram uma base de visitantes. Diogo Fernandes Pereira, navegador português, foi o primeiro europeu conhecido a desembarcar nas Maurícias. Ele nomeou a ilha de "Ilha do Cirne". Os portugueses não ficaram muito tempo porque não estavam interessados nessas ilhas.

Em 1598, uma esquadra neerlandesa comandada pelo almirante Wybrand Van Warwyck desembarcou em Grand Port. Eles reivindicaram e batizaram a ilha de Mautitius em homenagem ao príncipe Maurício de Nassau, da República Neerlandesa, governante de seu país. Os neerlandeses habitaram a ilha em 1638, na qual exploraram árvores de ébano e introduziram cana-de-açúcar, animais domésticos e veados. Foi a partir daqui que o navegador neerlandês Abel Tasman partiu em busca da Grande Terra do Sul, mapeando partes da Tasmânia, Nova Zelândia e Nova Guiné. O primeiro assentamento neerlandês durou vinte anos. Em 1639, a Companhia Holandesa das Índias Orientais trouxe malgaxes escravizados para cortar árvores de ébano e trabalhar nas novas plantações de tabaco e cana-de-açúcar. Várias tentativas de estabelecer uma colônia permanentemente foram feitas posteriormente, mas os assentamentos nunca se desenvolveram o suficiente para produzir dividendos, fazendo com que os neerlandeses abandonassem Maurício em 1710. Um artigo publicado em 1755 no jornal britânico Leeds Intelligencer afirma que a ilha foi abandonada devido ao grande número de macacos de cauda longa "que destruíram tudo nela", e que também era conhecida na época como a Ilha dos Macacos. Os marinheiros portugueses trouxeram esses macacos para a ilha de seu habitat nativo no sudeste da Ásia, antes do domínio neerlandês.

A França, que já controlava a vizinha Yian Bourbon (atual Reunião), assumiu o controle da ilha em 1715 e a renomeou como Isle de France. Em 1723, o Code Noir (Código Negro, em francês) foi estabelecido para categorizar um grupo de seres humanos como "bens", para que o proprietário desses bens pudesse obter dinheiro do seguro e compensação em caso de perda de seus "bens". A chegada do governador francês Bertrand-François Mahé de La Bourdonnais, em 1735, coincidiu com o desenvolvimento de uma economia próspera baseada na produção de açúcar. Mahé de La Bourdonnais estabeleceu Porto Luís como uma base naval e um centro de construção naval.

Sob seu governo, numerosos edifícios foram erguidos, alguns dos quais ainda estão de pé. Estes incluem parte da Sede do Governo e o Château de Mon Plaisir. A ilha estava sob a administração da Companhia Francesa das Índias Orientais, que manteve sua presença até 1767.

De 1767 a 1810, exceto por um breve período durante a Revolução Francesa, quando os habitantes estabeleceram um governo virtualmente independente da França, a ilha era controlada por funcionários nomeados pelo governo francês. Jacques-Henri Bernardin de Saint-Pierre viveu na ilha de 1768 a 1771, depois voltou para a França, onde escreveu Paul et Virginie, uma história de amor que tornou a Ilha de França famosa onde quer que a língua francesa fosse falada. Dois famosos governadores franceses foram o visconde de Souillac (que construiu o Chaussée em Porto Luís e encorajou os fazendeiros a se estabelecerem no distrito de Savanne), e Antoine Bruni d'Entrecasteaux (que cuidava para que os franceses no Oceano Índico tivessem sua sede na Maurícia em vez de Pondicherry na Índia).

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