Max Nordau (Peste, 29 de julho de 1849 – Paris, 23 de janeiro de 1923) foi um médico, activista sionista e co-fundador da Organização Sionista Mundial. Trabalhou juntamente com Theodor Herzl e foi vice-presidente do congresso sionista. Depois da sua morte em Paris, foi enterrado em Tel Aviv, Israel.
Max Nordau nasceu em Pest, Hungria, em 29 de julho de 1849. Foi batizado com o nome de Simon Maximilian Südfeld, apelidado de Simi pelos familiares, e registrado nos livros da congregação religiosa com o nome de Simcha Me’ir (p. 10). Aos 13 anos, em maio de 1863, por ocasião da publicação de suas primeiras contribuições na imprensa (nesse caso, poemas) ele adotou o nom de plume pelo qual ficaria conhecido em público por toda a vida, Max Nordau.
Seu pai, Gabriel Südfeld, era um rabino na época de seu nascimento. Viera de Krotoszyn, atual Polônia, então uma cidade do leste da Prússia, na função de preceptor de filhos de famílias judias ricas. Ele ensinava hebreu e alemão, e depois de enviuvar estava em seu segundo casamento. Do primeiro, ficaram-lhe quatro filhos, que foram criados pela segunda esposa, mãe de Nordau, Rosalie Sara Neukin. Rosalie era nativa de Riga, fora criada em Vilna e mudara-se para Pest para trabalhar como professora, função que abandonou após o casamento, passando a se dedicar aos cuidados com a casa e os filhos (p. 14).
Desde cedo, Nordau demonstrou pendor para os estudos. Antes dos 5 anos, já capaz de ler, passou a frequentar a escola judaica. O ensino era feito em idioma alemão, preferido ao húngaro, que era em geral tido como dialeto bárbaro (p. 15). Em 1859 Nordau se graduou na escola preparatória judaica com as notas mais altas, e ingressou no Ginásio Católico Municipal, prosseguindo seus estudos com o sucesso costumeiro. Em 1862 o movimento nacionalista húngaro acirrou-se. O alemão foi banido das escolas, e os professores foram instados a lecionar em húngaro; muitos deles foram expulsos de suas antigas cátedras. Esse evento instilou em Nordau um definitivo desprezo pela língua magiar.
Nordau permaneceu mais um ano na escola, mas constantes conflitos com os novos professores – em sua maioria judeus prosélitos intransigentes da causa nacionalista - tornaram o ambiente insuportável para o jovem aprendiz. Ele se transferiu para o Ginásio Calvinista, onde completou seus estudos (p. 18). Essas mudanças na política interna da Hungria afetaram seriamente a vida familiar, fazendo diminuir as oportunidades de trabalho para o rabino Gabriel Südfeld.
Vida profissional: jornalista, preceptor, médico
Nordau se tornou um prolífico colaborador na imprensa local. A partir de agosto de 1864 ele se tornou um colaborador regular do bimestral “Salão de Literatura, Arte e Moda” (p. 20). Entre agosto de 1864 e outubro de 1865 publicou mais de 50 textos em três periódicos de Pest, entre histórias, poemas e resenhas de livros. Em 1865, passou a colaborar regularmente na coluna “Notícias Diversas”, onde seu poder de observação e a bem-humorada abordagem do cotidiano da cidade logo se sobressaíram e o tornaram conhecido dos leitores.
Ele também fazia crítica teatral para o jornal “Entre Atos” (p. 22-23). O que ganhava com essas atividades ajudava a complementar a esquálida renda familiar. Em 1866, Nordau aceitou uma posição como preceptor dos filhos da rica família Fuchs, e passou um ano na propriedade dos patrões em Rákoskeresztúr, nos subúrbios de Pest. De volta à cidade em 1867, obteve o seu baccalauréat (equivalente ao certificado de conclusão do Ensino Médio) e ingressou na Faculdade de Medicina (p. 33). Começava ali uma “atividade dupla” que se estenderia até o final da vida. Nordau aliaria a prática médica com a de jornalista/literato, dividindo as horas de seus dias com rigor metódico e inexorável: durante os dias, dedicava-se às atividades ligadas à medicina, e às noites produzia seus trabalhos jornalísticos que eram a fonte principal do sustento de toda a sua família. Foi também, durante um curto período, secretário do bispo de Pest, graças ao seu perfeito domínio do latim. Permaneceram amigos até bem depois das circunstâncias forçarem Nordau a abandonar a função.
Gabriel Südfeld morreu em 1872, fazendo com que Nordau se tornasse definitivamente o esteio da família. Em abril de 1873 Nordau realizou sua primeira excursão fora da Hungria: viajou como correspondente do jornal Pester Lloyd à Feira Mundial realizada em Viena. Durante aquele verão, Nordau circulou por toda a Feira, colhendo impressões e fazendo contatos com pessoas do mundo todo e de todas as classes sociais. Travou relações com soberanos e chefes de estado, com jornalistas de várias línguas e com os trabalhadores manuais de toda sorte. As contribuições diárias que ele enviava para o Pester Lloyd eram republicadas em diversos outros jornais de língua alemã, e o nome por trás daquelas crônicas espirituosas se tornou mais e mais conhecido. Logo o até então desconhecido jornalista passou a receber as mais inusitadas propostas: foi convidado para visitar as cortes dos reis da Itália, da Rússia e da Alemanha (p. 37-38). Com o dinheiro extra obtido com a intensa atividade junto à Feira Mundial, Nordau realizou uma longa viagem pela Europa, durante a maior parte dos dois anos seguintes.
A primeira etapa foi na Alemanha, onde circulou por várias cidades, sempre colhendo impressões que registrava por escrito. Era geralmente recebido e abrigado por pessoas que conhecera durante a Feira Mundial, e aproveitava para estender seu círculo de relações entre os jornalistas, literatos, acadêmicos e artistas dos locais por onde passava. Em janeiro de 1876, quando estava em Berlin, recebeu nova proposta do Pester Lloyd, dessa vez convidando-o a acompanhar como correspondente uma comitiva composta pelo Imperador da Áustria e pelo chefe de Estado da Hungria em uma viagem a São Petersburgo.
Em seguida, voltou à Alemanha, e depois ingressou numa jornada rumo à Dinamarca, onde o ponto alto foi uma visita a Hans Christian Andersen. O poeta o recebeu amavelmente, e Nordau ficou espantado com a simplicidade em que vivia um autor tão célebre (dada a frouxidão ou inexistência de leis de proteção ao direito autoral, Andersen não ganhava quase nada com as diversas traduções e reedições de seus trabalhos ao redor do mundo). Na Suécia, Nordau lamentou-se pela incapacidade de se comunicar com os habitantes, e amaldiçoou a barreira da língua que dividia os homens. De lá, ele atravessou o Mar do Norte num navio que transportava gado, e desembarcou em Londres depois de muitos dias de tormento e enjoos. Londres o impressionou vivamente, e em poucas semanas ele era capaz de falar inglês razoavelmente. Mais uma vez, o Pester Lloyd o encarregou da atividade de correspondente, desta vez numa caravana de escritores, jornalistas e acadêmicos numa viagem à Islândia, para as festividades ao redor da efeméride de mil anos de ocupação da ilha. A viagem foi acidentada e Nordau desenvolveu uma impressão bastante negativa daquele país (p. 56-57).
Em outubro de 1874, Nordau desembarcava na França, e logo travaria os primeiros contatos com aquela que mais tarde seria a sua cidade mais querida, Paris. A primeira impressão que teve foi bastante negativa: suas expectativas eram altas demais, e a Cidade Luz lhe pareceu medíocre. Sobretudo, lhe pareceu que a população parisiense demonstrava um total afastamento do espírito de 1789.
Voltados para atividades mesquinhas e triviais, interessados apenas em ganhar o pão de cada dia, os habitantes de Paris fizeram Nordau acreditar que a Revolução fora um trabalho dos habitantes das províncias, que teriam afluído para a Capital e depois retornado para seus locais de origem. Os liberais que conheceu através do engenheiro Emile Lemoine, conhecido dos tempos de Viena, eram suficientemente cultivados e progressistas, mas tinham pouca influência junto à população comum da cidade. Paris lhe pareceu, à primeira vista, uma cidade reacionária (p. 61). Logo nos primeiros dias, Nordau travou relações com Pauline, uma independente moça de origem normanda que trabalhava para um modista de chapéus. Tornaram-se próximos, frequentaram óperas e teatros juntos, e estabeleceram uma ligação que duraria muitos anos, e que só chegou ao fim quando Pauline se casou com um homem muito rico e bem mais velho que ela. Antes de voltar a Pest, Nordau passou ainda pela Espanha e pela Itália. Em novembro de 1875, estava de volta a sua velha cidade.