O McDonnell Douglas F-4 Phantom II é um caça-bombardeiro supersônico de longo alcance, bimotor e de dois assentos, desenvolvido originalmente pela McDonnell Aircraft para a Marinha dos Estados Unidos. Demonstrando alta adaptabilidade, ele entrou em serviço com a Marinha em 1961, antes de ser adotado pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e pela Força Aérea dos Estados Unidos, tornando-se uma parte importante de suas forças aéreas até meados da década de 1960. A produção do Phantom ocorreu entre 1958 e 1981, com um total de 5 195 aeronaves construídas, tornando-o a aeronave militar supersônica americana mais produzida da história e consolidando sua posição como uma aeronave de combate emblemática da Guerra Fria.
O Phantom é um caça de grande porte com uma velocidade máxima superior a Mach 2,2. Ele pode transportar mais de 8,4 mil kg de armamentos em nove pontos de suporte externos, incluindo mísseis ar-ar, mísseis ar-terra e várias bombas. O F-4, assim como outros interceptadores da época, foi inicialmente projetado sem um canhão interno. Modelos posteriores incorporaram um canhão rotativo M61 Vulcan. A partir de 1959, a aeronave estabeleceu 15 recordes mundiais em voo, incluindo um recorde de velocidade e um de altitude absoluta.
O F-4 foi amplamente utilizado durante a Guerra do Vietnã. Ele serviu como o principal caça de superioridade aérea para a Força Aérea dos Estados Unidos, Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais, e se tornou importante nos papéis de ataque terrestre e reconhecimento aéreo no final da guerra. Durante a Guerra do Vietnã, um piloto da Força Aérea dos Estados Unidos, dois oficiais de sistemas de armas (WSO), um piloto da Marinha dos Estados Unidos e um oficial de interceptação de radar (RIO) se tornaram "ases" ao alcançar cinco vitórias aéreas contra aeronaves inimigas. O F-4 continuou a ser uma parte significativa do poder aéreo militar dos Estados Unidos ao longo das décadas de 1970 e 1980, sendo gradualmente substituído por aeronaves mais modernas, como o F-15 Eagle e o F-16 Fighting Falcon na Força Aérea dos Estados Unidos, o F-14 Tomcat na Marinha dos Estados Unidos, e o F/A-18 Hornet na Marinha dos Estados Unidos e no Corpo de Fuzileiros Navais.
O F-4 Phantom II permaneceu em uso pelos Estados Unidos nos papéis de reconhecimento e Wild Weasel (Supressão das Defesas Aéreas Inimigas) durante a Guerra do Golfo, sendo finalmente retirado de serviço em 1996. Ele foi também a única aeronave utilizada pelas duas equipes de demonstração de voo dos Estados Unidos: os Thunderbirds da Força Aérea dos Estados Unidos (F-4E) e os Blue Angels da Marinha dos Estados Unidos (F-4J). O F-4 também foi operado pelas forças armadas de outras 11 nações. Os Phantoms israelenses participaram intensamente em vários conflitos árabe-israelenses, enquanto o Irã utilizou sua grande frota de Phantoms, adquirida antes da queda do Xá, na Guerra Irã-Iraque. Em 2021, 63 anos após seu primeiro voo, o F-4 continua em serviço ativo nas forças aéreas do Irã, Coreia do Sul, Grécia e Turquia. A aeronave foi recentemente empregada no combate ao grupo Estado Islâmico no Oriente Médio.
Em 1952, Dave Lewis, Chefe de Aerodinâmica da McDonnell, foi nomeado pelo Jim McDonnell para ser o gerente de design preliminar da empresa. Com a ausência de novas competições de aeronaves no horizonte, estudos internos chegaram à conclusão de que a Marinha tinha a maior necessidade de um tipo de aeronave novo e diferente: um caça de ataque.
Em 1953, a McDonnell Aircraft iniciou o trabalho de revisão do seu caça naval F3H Demon, buscando ampliar suas capacidades e melhorar seu desempenho. A empresa desenvolveu diversos projetos, incluindo uma variante equipada com um motor Wright J67, e variantes com dois motores Wright J65 ou dois motores General Electric J79. A versão com motores J79 prometia uma velocidade máxima de Mach 1,97. Em 19 de setembro de 1953, a McDonnell apresentou à Marinha dos Estados Unidos uma proposta para o "Super Demon". De forma única, a aeronave seria modular, podendo ser equipada com fuselagens de um ou dois assentos para diferentes missões, com diferentes cones de nariz para acomodar radares, câmeras fotográficas, quatro canhões de 20 mm ou 56 foguetes não guiados FFAR, além dos nove pontos de suporte sob as asas e a fuselagem. A Marinha demonstrou interesse suficiente para encomendar um mock-up em tamanho real do F3H-G/H, mas considerou que os futuros Grumman XF9F-9 e Vought XF8U-1 já atendiam à necessidade de um caça supersônico.
O projeto da McDonnell foi, portanto, reformulado para se tornar um caça-bombardeiro noturno com onze pontos de suporte externos para armamentos. Em 18 de outubro de 1954, a empresa recebeu uma carta de intenção para a fabricação de dois protótipos YAH-1. Em seguida, em 26 de maio de 1955, quatro oficiais da Marinha chegaram aos escritórios da McDonnell e, em uma hora, apresentaram à empresa um conjunto completamente novo de requisitos. Como a Marinha já possuía o Douglas A-4 Skyhawk para ataque ao solo e o F-8 Crusader para combate aéreo, o projeto agora deveria atender à necessidade de um interceptor noturno para defesa da frota. Foi adicionado um segundo tripulante para operar o poderoso radar, pois os projetistas acreditavam que o combate aéreo na próxima guerra sobrecarregaria os pilotos solitários com informações.
O XF4H-1 foi projetado para transportar quatro mísseis semi-embutidos AAM-N-6 Sparrow III guiados por radar, e ser propulsado por dois motores J79-GE-8. Assim como no McDonnell F-101 Voodoo, os motores ficavam posicionados baixos na fuselagem para maximizar a capacidade interna de combustível e captavam ar por meio de entradas de geometria fixa. A asa de perfil fino possuía um ângulo de enflechamento da borda de ataque de 45° e era equipada com flaps soprados para melhorar o controle em baixas velocidades.
Os testes em túnel de vento revelaram uma instabilidade lateral, exigindo a adição de 5° de diedro nas asas. Para evitar redesenhar a seção central de titânio da aeronave, os engenheiros da McDonnell inclinaram apenas as porções externas das asas em 12°, o que resultou na média necessária de 5° em toda a envergadura das asas. As asas também receberam o distintivo "dente de cachorro" para melhorar o controle em ângulos de ataque elevados. O estabilizador horizontal móvel recebeu 23° de anedral para melhorar o controle em ângulos de ataque elevados, mantendo-o afastado dos gases de exaustão do motor. Além disso, as entradas de ar foram equipadas com uma rampa fixa e uma rampa de geometria variável, com ângulo programado para fornecer recuperação máxima de pressão entre Mach 1,4 e Mach 2,2. A correspondência do fluxo de ar entre a entrada e o motor foi obtida através do desvio do motor como ar secundário para o bocal de exaustão. A capacidade de interceptação em todas as condições climáticas foi alcançada com o radar AN/APQ-50. Para atender aos requisitos de operações em porta-aviões, o trem de pouso foi projetado para suportar pousos com uma taxa máxima de descida de 7 m/s, enquanto o amortecedor do nariz podia se estender em 51 cm para aumentar o ângulo de ataque na parte de catapulta de uma decolagem.
Em 25 de julho de 1955, a Marinha encomendou dois protótipos XF4H-1 e cinco exemplares pré-produção YF4H-1. O Phantom realizou seu voo inaugural em 27 de maio de 1958, com Robert C. Little no comando. Um problema hidráulico impediu o recolhimento do trem de pouso, mas os voos subsequentes ocorreram de forma mais tranquila. Os testes iniciais resultaram no redesenho das entradas de ar, incluindo a adição distintiva de 12 mil furos para "aliviar" o ar da camada limite de baixa velocidade da superfície de cada motor. As aeronaves da série de produção também apresentavam placas divisórias para desviar a camada limite das entradas do motor. O avião logo estava em competição com o XF8U-3 Crusader III. Devido à carga de trabalho no cockpit, a Marinha desejava uma aeronave de dois lugares e, em 17 de dezembro de 1958, o F4H foi declarado o vencedor. Atrasos com os motores J79-GE-8 fizeram com que as primeiras aeronaves de produção fossem equipadas com motores J79-GE-2 e -2A, cada um com empuxo de pós-combustão de 71,8 kN. Em 1959, o Phantom iniciou os testes de adequação para operações em porta-aviões, com o primeiro ciclo completo de lançamento e recuperação realizado em 15 de fevereiro de 1960 a partir do USS Independence.