Neste Dia

Meira Penna

Escritor brasileiro (1917-2017)

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José Osvaldo de Meira Penna (Rio de Janeiro, 14 de março de 1917 - Brasília, 29 de julho de 2017) foi um diplomata e escritor brasileiro. Foi um expoente do liberalismo e do conservadorismo no Brasil, além de um dos maiores defensores da criação de cursos universitários e de centros de estudos dedicados à análise das relações internacionais no Brasil. Meira Penna ingressou na carreira diplomática em 1938 vindo a ocupar a posição de secretário-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores para a Europa Oriental e a Ásia, onde testemunhou a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Chinesa, e desempenhou a função de embaixador em Israel, Nigéria, Noruega, Equador, EUA, França e Polônia.

No fim de sua carreira no Itamaraty, Meira Penna associou-se ao liberalismo e tornou-se um defensor ativo do pensamento liberal no Brasil. Estudou a problemática da cultura patrimonialista[carece de fontes?] e sua relação com outros vícios da sociedade brasileira, procurando formular soluções para que fossem superados. Neste intuito, publicou os livros Psicologia do Subdesenvolvimento (1972), Em Berço Esplêndido (1974), O Brasil na Idade da Razão (1980) e O Dinossauro (1988). Em 1986, fundou junto a outros intelectuais liberais a Sociedade Tocqueville, sendo também presidente do Instituto Liberal de Brasília e membro da Sociedade Mont Pèlerin. Escreveu para diversos jornais nos quais além de divulgar o liberalismo e sua análises da sociedade brasileira, discorria sobre o tema da escravidão e dos negros no Brasil. Foi simpatizante do sionismo, atuando em favor do estado de Israel em seu trabalho como diplomata.

Elogiado e reconhecido por nomes como o Nobel de literatura Mario Vargas Llosa e o ex-Ministro do Planejamento Roberto Campos, Meira Penna completou seu centenário em 2017, tornando-se um dos últimos representantes dos intelectuais de sua geração. Continuou ativo na promoção de suas ideias mesmo com idade avançada, inclusive participando de discussões na internet. Falecendo debilitado no mesmo ano, Meira Penna foi homenageado como um dos mais importantes intelectuais liberais do Brasil.

Meira Penna nasceu em 14 de março de 1917 na cidade do Rio de Janeiro. Matriculou-se no curso de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), concluindo sua formação em 1939. Ingressara na carreira diplomática um ano antes, em 1938, prestando concurso público. Meira Penna fez da diplomacia sua profissão por mais de quarenta anos, trabalhando como embaixador até sua aposentadoria em 1981. Complementou sua formação estudando na Universidade de Columbia (Nova Iorque), no Instituto C. G. Jung de psicologia (Zurique), e na Escola Superior de Guerra, tradicional instituto militar voltado à racionalização da defesa nacional, no Rio de Janeiro.

Após a Intentona Comunista de 1935, ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB), de Plínio Salgado. No movimento Integralista, fez parte do Departamento de Relações Internacionais da AIB, que tinha como chefe Antonio Gallotti e como vice Gerardo Mello Mourão. Também participou da Marcha dos 50 mil, na então capital federal.

Nos primeiros anos da sua carreira diplomática serviu em Calcutá (Índia), Xangai (ocupada por forças militares do Império do Japão), Ancara (Turquia) e Nanquim (outra metrópole chinesa, gravemente afetada pela ocupação nipônica, experimentando um brutal massacre pelos japoneses). Em Xangai, foi surpreendido pelo ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial, oficializado pelo presidente Getúlio Vargas, que emitiu em agosto de 1942 a declaração de guerra às nações do Eixo, Alemanha e Itália. O Brasil apenas declarou guerra ao Japão, onde residiu Meira Penna (Xangai sob ocupação) entre abril de 1941 e junho de 1942, no último ano da guerra, em junho de 1945. O diplomata retornou à China quando já acabadas as hostilidades entre as grandes potências, no período de 1947 a 1949, testemunhando o desenvolvimento da Guerra Civil Chinesa e o colapso do regime nacionalista do Kuomintang de Chiang Kai-Shek frente ao triunfo da Revolução Chinesa, liderada por Mao Tsé-Tung, no ano de 1949.

Após sua estadia na China, Meira Penna desempenhou funções diplomáticas também na Costa Rica, no Canadá e na Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas (DELBRASONU). Em seguida retornou ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), onde encabeçou a Divisão Cultural (atual Divisão de Operações de Difusão Cultural - DODC) do ministério entre os anos de 1956 e 1959, setor encarregado de exercer a diplomacia cultura promovendo a difusão da cultura brasileira aos povos estrangeiros. Posteriormente foi embaixador do Brasil na Nigéria e Secretário-Geral Adjunto do Ministério das Relações Exteriores para a Europa Oriental e a Ásia.

Meira Penna foi nomeado embaixador do Brasil na Nigéria em 6 de dezembro de 1963 e continuou suas atividades por pouco mais de um ano. Penna encontrou a missão diplomática em uma situação difícil. O embaixador que o antecedeu havia permanecido no país por apenas duas semanas, vindo a morrer de um ataque cardíaco. O embaixador que por sua vez antecedeu o falecido teve problemas em encontrar um caixão grande o suficiente para enterrar o morto, vindo a desesperar-se. Penna questionou a necessidade de uma embaixada na Nigéria, atribuindo sua existência ao "entusiasmo demagógico" do Governo Jânio Quadros.

Ao chegar no país, recebeu as credenciais do presidente Nnamdi Azikiwe, com o qual conversou sobre as influências culturais que ambos países exerciam sobre o outro. Meira Penna desejava propagar a imagem do Brasil como uma democracia racial, seguindo as diretrizes oficiais do Itamaraty. Por isso viria a entrar em conflito com o ator brasileiro Antonio Pitanga, que estava realizando uma viagem nos países africanos recém-independentes para apresentar o filme Ganga Zumba, no qual participou assumindo o papel de Zumbi dos Palmares. O filme explora a hostilidade entre africanos escravizados e os colonizadores portugueses no conflito em torno do Quilombo dos Palmares. Meira Penna não desejava exibir o filme por considerá-lo prejudicial à missão cultural da embaixada e tentou boicotar sua apresentação. Pitanga chamou-o de racista.

Penna relatou as dificuldades que enfrentou durante sua estadia no país africano: "em menos de três anos, presenciamos três falecimentos, uma criança atropelada, um cozinheiro morto por envenenamento, uma doença grave, desvio de finanças, quatro brigas e um caso de pedofilia". O embaixador perguntava-se se a África ocidental não seria de fato um "túmulo para brancos" como pensava-se na época. Meira Penna considerou que os problemas generalizados enfrentados pela missão diplomática não poderiam ser normais, sendo resultado talvez de uma maldição lançada por orixás para vingar seus devotos escravizados. O embaixador apoiou o golpe militar de 1964 e encerrou sua estadia na Nigéria em 6 de março de 1965.

Meira Penna foi nomeado embaixador do Brasil em Israel, função que exerceu entre os anos de 1967 e 1970. Testemunhou no país a Guerra dos Seis Dias (em junho de 1967), que opôs Israel aos estados árabes da região do Oriente Médio e do Norte da África. Recomendou que o Brasil desconsiderasse a resolução 242 das Nações Unidas, que determinava a retirada de Israel dos territórios ocupados durante a guerra. Meira Penna inclusive defendeu a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv a Jerusalém, que havia sido anexada pelos israelenses. Ocupou em seguida as funções de Assessor do Ministro da Educação e Cultura (MEC) e embaixador na Noruega, no Equador e na Polônia, onde encerrou sua carreira diplomática e aposentou-se em 1981. Voltou-se então ao exercício do magistério, tornando-se professor vinculado ao Departamento de Relações Internacionais e Ciência Política da Universidade de Brasília.

Meira Penna atuou desde fins da década de 1960 como jornalista, sendo colaborador de importantes periódicos como O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (JT) e o Jornal do Brasil, entre outros. Defensor do liberalismo, fundou em 1986 junto a Ricardo Vélez-Rodríguez e outros intelectuais de inspiração liberal provenientes de Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Santa Maria a Sociedade Tocqueville (em homenagem a Alexis de Tocqueville), da qual foi presidente, cuja ocupação seria expor as divergências sobre a construção do Estado entre liberais e socialistas. Foi também presidente do Instituto Liberal de Brasília, membro ativo da Sociedade Mont Pèlerin, entidade liberal fundada em 1947, contribuidor da Revista Brasileira de Filosofia, publicação do Instituto Brasileiro de Filosofia, e defensor da monarquia constitucional no Brasil.

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