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Melisenda de Jerusalém

Melisenda (c. 1110 — 11 de setembro de 1161) foi rainha de Jerusalém de 1131 a 1153. Era a filha primogénita do rei Bald

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Melisenda (c. 1110 — 11 de setembro de 1161) foi rainha de Jerusalém de 1131 a 1153. Era a filha primogénita do rei Balduíno II de Jerusalém com a princesa arménia Morfia de Melitene. Do seu casamento com o também rei Fulque de Jerusalém, gerou dois filhos seus sucessores, Balduíno III de Jerusalém e Amalrico de Jerusalém.

Jerusalém fora conquistada pelos cristãos francos em 1099, durante a Primeira Cruzada, e desde essa época o reino latino instituído no Levante foi governado por dois irmãos originários do condado de Bolonha, Godofredo de Bulhão e Balduíno I. Depois passou para o primo destes, Balduíno II, que só gerou descendência feminina, tendo baptizado a sua primogénita com o nome da sua mãe, Melisenda de Montlhéry.

Melisenda de Jerusalém teve três irmãs mais novas: Alice, princesa de Antioquia, Hodierna, condessa de Trípoli, e Ioveta, abadessa em Betânia. A relação entre as irmãs teria sido estreita, sendo provável que a rainha de Jerusalém tivesse auxiliado as políticas tanto de Alice como de Hodierna. Esta última chegou mesmo a baptizar a sua filha, Melisenda de Trípoli, com o nome da irmã.

Já antes em 1128, Melisenda, como primogénita, foi designada herdeira do Reino de Jerusalém. No período medieval, as mulheres que herdavam territórios geralmente só o faziam quando não havia herdeiros varões, geralmente devido à guerra e à violência, que causavam a morte prematura de muitos homens.

As mulheres reconhecidas como soberanas por direito próprio raramente exerciam a sua autoridade, ou exerciam-na sob algumas condições, nomeadamente a obrigação de terem um consorte aprovado pelo anterior rei ou pela nobreza do país. Exemplos de poderosas contemporâneas de Melisenda nestas condições incluíam a rainha Urraca I de Leão e Castela (1080-1129), a duquesa Leonor da Aquitânia (1121–1204) e a condessa portucalense Teresa de Leão (1080-1130).

A herança de Melisenda não lhe foi passada devido à existência de um filho, mas de forma independente da existência ou não deste. Segundo o cronista Guilherme de Tiro «o governo do reino permaneceu no poder da senhora rainha Melisenda, uma rainha amada por Deus, a quem passou por direito hereditário. Melisenda já não era uma mera regente-rainha em nome do seu filho Balduíno III, mas uma rainha reinante, por direito de hereditariedade e direito civil».

Durante o reinado do seu pai, Melisenda era referida como «filha do rei e herdeira do reino de Jerusalém» (filia regis et regni Jerosolimitani haeres) e em cerimónias tinha um lugar de destaque superior ao dos outros nobres e do clero. Balduíno II foi associando gradualmente a sua herdeira em documentos oficiais, na cunhagem de moeda, concessão de feudos e outras formas de patronagem, e na correspondência diplomática. Foi assim educada para a sucessão, apoiada pela Haute Cour, um tipo de conselho real que compreendia a nobreza e o clero do reino.

No entanto, Balduíno também julgou necessário casar Melisenda com um aliado poderoso, capaz de proteger e salvaguardar a sua herança e dos seus descendentes. A sua verdadeira intenção teria sido prover a filha com um simples consorte, não com um rei consorte reinante.

O escolhido foi Fulque V de Anjou, um cruzado e comandante militar de renome. Mas durante as negociações, Fulque insistiu no governo conjunto do reino com a sua esposa. Balduíno II acabou por ceder a estas condições uma vez que Fulque tinha o dinheiro e o exército necessários para a defesa de Jerusalém.

Com o nascimento em 1130 de Balduíno III, o filho herdeiro deste casamento, Balduíno II pretendeu reforçar a posição de Melisenda como única monarca soberana de Jerusalém. Para isso, designou a filha como guardiã do seu jovem filho, excluindo o angevino desta posição de poder. Apesar disso, depois da morte do rei Balduíno II em 1131, Melisenda e Fulque subiram ao trono, ambos como governantes.

Depois de assumirem o trono, Fulque V de Anjou, apoiado pelos seus cavaleiros, afastou Melisenda da capacidade de conceder títulos e outras formas de patronagem, e contestava publicamente a sua autoridade. Este tratamento para com a rainha irritou os membros da Haute Cour, cujas próprias posições de poder ficavam em risco se o rei continuasse ganhar domínio sobre Jerusalém.

O afastamento do casal real era uma útil ferramenta política, usada pelo angevino em 1134 quando acusou o conde Hugo II de Puiset e Jafa de adultério com a rainha. Hugo era o barão mais poderoso do reino, e devotadamente leal à memória de Balduíno II. Esta lealdade fora extensiva à filha deste, sua prima, apesar de Hugo, se se levasse em conta a estrita sucessão varonil, ter uma pretensão mais válida ao trono.

Fontes contemporâneas, como Guilherme de Tiro, descartam a infidelidade de Melisenda. Em vez disso, realçam que Fulque favorecia demasiadamente os recém-chegados cruzados francos de Anjou em detrimento da nobreza nativa do reino. A posição da nobreza e principalmente da Igreja pode servir de indicador: se Melisenda fosse adúltera, estes provavelmente não teriam aderido à sua causa.

Hugo aliou-se à cidade muçulmana de Ascalão, e assim conseguiu resistir ao exército que se formou contra a sua pessoa. Mas não era possível manter a sua posição indefinidamente, e sua aliança com Ascalão custara-lhe apoios na corte. Com o patriarca Jerusalém a negociar termos clementes de paz, acabou por ser exilado por três anos. Pouco depois houve um atentado à vida de Hugo, atribuído a Fulque ou aos seus apoiantes, o que levou o partido da rainha a desafiar abertamente o rei, uma vez que as acusações de infidelidade eram uma afronta pública que comprometiam a posição política de Melisenda.

Num verdadeiro golpe palaciano, os apoiantes da rainha derrubaram Fulque, e desde 1135 que a sua influência se deteriorou rapidamente. Os apoiantes do rei «fugiram [do palácio] aterrorizados pelas suas vidas». Segundo Guilherme de Tiro, Fulque «não tentou tomar a iniciativa, mesmo em assuntos triviais, sem o conhecimento [de Melisenda]».

O casal real reconciliou-se em 1136, e assim nasceu um segundo filho, Amalrico. E quando Fulque morreu em um acidente de caça em 1143, Melisenda pôs luto em público e em privado. A vitória da rainha era total. Mais uma vez surge nos registros históricos a conceder títulos nobiliárquicos, feudos, nomeações e cargos, favores e perdões reais, e a presidir à corte.

De facto, Melisenda teve sempre o apoio da Igreja durante a sua vida: desde a sua nomeação como sucessora de Balduíno II, durante o conflito com Fulque, e mais tarde quando Balduíno III chegou à maioridade. Este apoio deveu-se parte às suas benfeitorias: em 1138 fundou o grande convento de São Lázaro na Betânia, onde a sua irmã Ioveta seria abadessa; de acordo com o que era habitual para uma abadia real da época, concedeu-lhe terrenos, as planícies férteis de Jericó; a ainda ofereceu ricas mobílias e objectos litúrgicos, para que não fosse em nada inferior às casas religiosas para homens.

Melisenda também doou grandes «dotações ao Santo Sepulcro, à Nossa Senhora de Josafá, ao Templum Domini, à Ordem do Hospital, ao hospital dos leprosos de São Lázaro e aos premonstratenses de São Samuel», e também fez mecenato com os artistas do reino.

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