Meningite é uma inflamação aguda das membranas protetoras que revestem o cérebro e a medula espinal, denominadas coletivamente por meninges. Os sintomas mais comuns são febre súbita e elevada, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço. Entre outros possíveis sintomas estão confusão mental ou alteração do estado de consciência, vómitos e intolerância à luz ou a barulho. As crianças mais novas geralmente manifestam apenas sintomas inespecíficos, como irritabilidade, sonolência ou recusa em comer. A meningite causada por bactérias meningocócicas apresenta manchas características na pele.
A inflamação das meninges é geralmente causada por uma infeção por vírus, bactérias ou outros microorganismos. Ainda que de forma pouco comum, pode também ser causada por alguns medicamentos. A meningite pode provocar a morte devido à proximidade da inflamação com o cérebro e medula espinal, o que faz com que a condição seja classificada como emergência médica. Um diagnóstico de meningite pode ser confirmado ou excluído com uma punção lombar. Este procedimento consiste na inserção de uma agulha no canal medular para recolher uma amostra do líquido cefalorraquidiano que envolve o cérebro e medula espinal, a qual é posteriormente analisada em laboratório.
Algumas formas de meningite podem ser prevenidas mediante vacinação com a vacina meningocócica, vacina contra a papeira, vacina antipneumocócica e vacina Hib. Pode também ser útil administrar antibióticos em pessoas com exposição significativa a determinados tipos de meningite. O tratamento inicial da meningite aguda é a administração imediata de antibióticos e, em alguns casos, de antivirais. Podem também ser administrados corticosteroides para prevenir complicações resultantes de uma inflamação excessiva. A meningite pode causar complicações graves a longo prazo, incluindo perda auditiva, epilepsia, hidrocefalia ou défice cognitivo, sobretudo quando não é tratada rapidamente. Quando não é tratada, a meningite bacteriana é quase sempre fatal. Pelo contrário, a meningite viral tende a resolver-se espontaneamente e raramente é fatal.
Em 2015 houve 8,7 milhões de casos de meningite em todo o mundo No mesmo ano, a doença foi responsável por 379 000 mortes, uma diminuição em relação às 464 000 em 1990. Com tratamento adequado e atempado, o risco de morte por meningite bacteriana é inferior a 15%. Entre dezembro e junho ocorrem frequentemente surtos da doença numa faixa da região da África subsariana entre a Gâmbia e a Eritreia. Podem também ocorrer pequenos surtos em outras regiões do mundo. O termo meningite tem origem no grego μῆνιγξ meninx, que significa "membrana", e no sufixo médico -ite, ou "inflamação".
A tríade clássica de sinais de diagnóstico consiste em rigidez da nuca, febre súbita e elevada e dor de cabeça intensa com alteração do estado mental. Esta tríade denomina-se meningismo. No entanto, apenas cerca de 45% dos casos de meningite bacteriana é que apresentam em simultâneo todos estes três sinais. Quando não está presente nenhum dos três sinais, é extremamente improvável que se esteja na presença de meningite. Entre outros sinais geralmente associados à meningite estão a intolerância a luzes brilhantes e intolerância a barulhos.
Em adultos, o sinal mais comum é uma dor de cabeça intensa, presente em cerca de 90% dos casos de meningite bacteriana, seguido por rigidez da nuca, presente em 70% dos casos. A rigidez na nuca é a incapacidade de mover passivamente o pescoço para a frente devido ao aumento do tónus muscular. No entanto, em muitos casos as crianças mais novas não apresentam os sintomas anteriormente mencionados, podendo apenas mostrar-se irritadas ou aparentar estarem doentes. Em bebés até seis meses de idade, é possível que as fontanelas se possam apresentar volumosas. Entre outras características que permitem distinguir meningite de outras doenças menos graves em crianças estão dores nas pernas, extremidades frias e cor da pele anormal.
Entre outros possíveis sinais estão a presença do sinal de Kernig ou sinal de Brudziński. O sinal de Kernig pode ser avaliado deitando a pessoa de costas, com a anca e joelho flectidos 90º. Numa pessoa com sinal de Kernig positivo, a dor limita a extensão excessiva do joelho. Um sinal de Brudziński positivo ocorre quando a flexão do pescoço causa a flexão involuntária do joelho e anca. Embora estes sinais sejam geralmente usados no diagnóstico de meningite, são de sensibilidade limitada; ou seja, nem sempre ocorrem. No entanto, são muito específicos para a meningite, o que significa que raramente ocorrem em outras doenças. Outro exame, denominado "manobra de acentuação", ajuda a determinar a presença de meningite em pessoas com febre e dor de cabeça. Pede-se à pessoa que rode rapidamente e horizontalmente a cabeça. Se esta manobra não agravar a dor, é pouco provável que se trate de meningite.
A meningite meningocócica pode ser diferenciada de outras meningites pela presença de uma mancha característica na pele, denominada púrpura. Esta mancha pode anteceder os outros sintomas. É constituída por numerosos pontos pequenos, irregulares e vermelhos ou azuis, no tronco, pernas, membranas mucosas, conjuntiva e, ocasionalmente, mas palmas das mãos ou pés. Ao ser pressionada com um dedo, a cor vermelha não desaparece. Embora esta mancha não esteja presente em todos os casos de meningite meningocócica, é relativamente específica da doença, embora em alguns casos possa ocorrer em meningite causada por outras bactérias. Entre outros possíveis sinais de meningite na pele estão sinais de febre aftosa e herpes genital, ambas associadas a várias formas de meningite viral.
As complicações podem ter início logo nos estádios iniciais da doença. Estas complicações podem necessitar de tratamento específico e em muitos casos indicam formas graves da doença associadas a pior prognóstico. A infeção pode resultar em sepse, síndrome da resposta inflamatória sistémica, diminuição da pressão arterial, ritmo cardíaco acelerado, temperatura anormalmente alta ou baixa ou respiração acelerada. A diminuição da pressão arterial ocorre em estádios muito iniciais, especialmente, mas não exclusivamente, na meningite meningocócica. Esta diminuição pode diminuir a irrigação de sangue a vários órgãos do corpo. A ativação excessiva de coágulos sanguíneos, denominada coagulação intravascular disseminada, pode obstruir a irrigação de sangue aos órgãos e, paradoxalmente, aumentar o risco de hemorragia. Na meningite meningocócica pode ocorrer ainda gangrena dos membros. As infeções meningocócicas e pneumocócicas podem resultar em hemorragia das glândulas suprarrenais, o que causa uma condição geralmente mortal denominada síndrome de Waterhouse-Friderichsen.
Os tecidos do cérebro podem inchar, fazendo aumentar a pressão intracraniana, e dando origem a uma hérnia cerebral na base do crânio. Os sintomas deste processo incluem diminuição do nível de consciência, perda do reflexo pupilar e postura anormal. A inflamação dos tecidos do cérebro pode também obstruir o fluxo normal de líquido cefalorraquidiano no cérebro, causando hidrocefalia. Podem ainda ocorrer convulsões por diversas razões. Em crianças, em 30% dos casos ocorrem convulsões nos estádios iniciais da meningite, não tendo necessariamente uma causa subjacente. As convulsões podem ser o resultado do aumento da pressão e de áreas inflamadas nos tecidos do cérebro. As convulsões que sejam difíceis de controlar com medicação podem deixar sequelas a longo prazo.
A inflamação das meninges pode resultar em anomalias nos nervos cranianos, um grupo de nervos com origem no tronco cerebral que inerva a cabeça e pescoço e que, entre outras funções, controla o movimento dos olhos, músculos da cara e a audição. Os sintomas visuais e a perda de audição podem permanecer, mesmo após o episódio de meningite. A inflamação do cérebro (encefalite) ou dos seus vasos sanguíneos (vasculite cerebral), assim como a formação de um trombo nas veias, pode causar sintomas como fraqueza, perda de sensibilidade ou função ou movimentos anormais da parte do corpo controlada pela área do cérebro afetada.