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Mercè Rodoreda

Mercè Rodoreda i Gurguí (Barcelona, 10 de outubro de 1908 – Girona, 13 de abril de 1983) foi uma escritora catalã. Seu t

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Mercè Rodoreda i Gurguí (Barcelona, 10 de outubro de 1908 – Girona, 13 de abril de 1983) foi uma escritora catalã. Seu trabalho, traduzido para quarenta idiomas, alcançou repercussões internacionais e é constantemente referenciado por outros autores, o que a coloca como a escritora contemporânea de língua catalã mais influente.

Sua produção abrange diversos gêneros literários, incluindo poesia, teatro, conto e, principalmente, romance. Postumamente, foi descoberta uma outra faceta sua, a pintura, que, embora tenha ficado em segundo plano devido à prioridade que Rodoreda dava à escrita, revela uma dimensão importante de sua expressão artística.Escrevo porque gosto de escrever. Se não achasse exagerado diria que escrevo para gostar de mim própria. Se, aliás, aquilo que escrevo gosta outrem, melhor. Talvez seja mais profundo. Talvez escreva para afirmar-me a mim própria. Para sentir o que sou... E acabo. Falei de mim e de cousas essenciais na minha vida, com um certa falta de mesura. E a desmesura sempre me fez muito medo.

Mercè Rodoreda i Gurguí nasceu em 10 de outubro de 1908, em uma pequena vila com jardim na rua de Sant Antoni, atualmente rua de Manuel Angelon, no bairro de Sant Gervasi de Cassoles, em Barcelona. Foi a única filha de Andreu Rodoreda Sallent, contabilista de uma armaria, e Montserrat Gurguí Guàrdia. Ambos eram grandes amantes da literatura e do teatro. Assistiram a aulas de declamação na Escola d'Art Dramàtic (Escola de Arte Dramática), que mais tarde se converteria em Institut del Teatre (Instituto do Teatro), regidas por Adrià Gual. A sua mãe também tinha grande interesse e afetividade pela música.

Rodoreda frequentou durante dois anos o ensino primário (1915-1917) em duas escolas diferentes – o Colégio de Lourdes do bairro de Sarrià e o centro Nuestra Señora de Lourdes, mais próximo de sua casa, na Calle de Padua, na altura da rua Vallirana.

O seu avô materno, Pere Gurguí, era um admirador nato de Jacint Verdaguer, com quem teve uma grande amizade, e cooperou como redator nas revistas La Renaixensa e L'Arc de Sant Martí. Em 1910, Pere Gurguí construiu um monumento em memória a Jacint Verdaguer, no jardim de casa, que tinha uma gravação com as duas obras mais importantes do autor, Canigó e L'Atlàntida. Esse espaço converteu-se em lugar de festas e reuniões da família. A figura do avô marcou Rodoreda intensamente, até o ponto de ela considerá-lo o seu mestre. Gurguí a transmitiu um profundo sentimento catalanista, um amor à língua catalã e às flores, que se mantiveram bem refletidos em toda a obra de Mercè Rodoreda.

Lembro a sensação de estar em casa quando, debruçada sobre a varanda, via cair sobre a relva e as hortênsias as flores azuis dos jacarandás. Nunca saberei como explicar; nunca teve essa enorme sensação de me sentir em casa, como quando morava em casa do meu avô.

– Mercè Rodoreda, Imatges d'infantesa

Em 18 de maio de 1913, com apenas cinco anos, atuou pela primeira vez numa peça de teatro, com o rol da menina Kitty na obra El misteriós Jimmy Samson, no Teatro Torrent de les Flors. Alguns anos mais tarde, esta personagem foi recuperada para o conto El bany, dentro da obra Vint-i-dos contes.

Na sua infância, leu principalmente os autores catalães e modernos, como Jacint Verdaguer, Ramon Llull, Joan Maragall i Gorina, Josep Maria de Sagarra e Josep Carner, entre outros. Possivelmente, influenciada pelo ambiente boêmio que se respirava na casa familiar.

Em 30 de maio de 1920, participou no drama Quince días de reinado na escola Nuestra Señora de Lourdes. Nesse ato também recitou a poesia em catalão La negra.

Em 1921, depois da morte do avô materno, Pere Gurguí, seu tio Joan instalou-se na casa familiar, e mudou o estilo de vida, já que impôs a austeridade e a ordem convencionais. Mercè Rodoreda tinha-o idealizado já desde as cartas que tinha recebido dele, e acabou por casar com Joan em 10 de outubro de 1928, o dia do seu vigésimo aniversário, na igreja de La Bonanova. Ele era catorze anos mais velho que ela e, por causa do grau de consanguinidade, precisaram de uma dispensa papal.

Após o casamento, o casal viajou a Paris, e depois se instalou numa casa na rua Zaragoza. Seu marido tinha ido a Argentina quando jovem e voltou com uma pequena fortuna.

Em 23 de julho de 1929 nasceu o seu único filho, Jordi Gurguí i Rodoreda. Desse momento, Mercè Rodoreda começou a fazer provas literárias para conseguir se liberar da dependência econômica e social que era consequência da vida de casada. Foi assim que começou a conceber a escritura como um ofício. Cada dia se fechava um tempo num pombal azul que havia na casa materna de Manuel Angelon, que possivelmente lhe serviu de inspiração para escrever La plaça del Diamant. Nesse tempo, escreveu versos, uma comédia teatral (atualmente desaparecida) e um romance. Nesse ínterim, foi proclamada a Segunda República Espanhola.

Em 1931, Mercè Rodoreda começou a assistir às aulas no Liceu Dalmau, onde aprimorou seu conhecimento da língua graças aos ensinamentos do pedagogo e linguista Delfí Dalmau i Gener, que a influenciou profundamente, incentivando-a a se formar e com quem desenvolveu um vínculo de amizade. Mercè Rodoreda ensinava o que escrevia a Dalmau, e ele animou-a a fazer públicos estes primeiros textos. Segundo Dalmau, Mercè Rodoreda era uma aluna excepcional, que possuía uma plenitude espiritual e uma prometedora alma de literata. Esta admiração por Mercè Rodoreda levou Dalmau a pedir-lhe que fosse uma das contrapartes na seva obra Polèmica, ela respondeu afirmativamente, e a obra foi publicada em 1934. Segundo reconheceu o mestre Delfí Dalmau, esta obra também esteve influenciada pelas observações de Rodoreda.

Em 1932 se publicou o primeiro romance de Mercè Rodoreda na editora Catalònia, intitulado Sóc una dona honrada? (Sou uma mulher honrada?), e também alguns contos para diversos jornais. A obra quase passou desapercebida até que optou ao prémio Crexells de 1933, embora o vencedor desse ano fosse Carles Soldevila.

Em 1 de outubro de 1933, iniciou a sua carreira jornalística na revista semanal Clarisme, onde publicou 24 contribuições: cinco prosas sobre cultura tradicional, treze entrevistas, duas resenhas, um conto e três comentários de temática político-cultural, musical e cinematográfica. Também nesse ano, começou a participar na Associació de la Premsa de Barcelona, fato que evidenciava a sua vontade de formalizar a sua cooperação com a tarefa jornalística.

Na primavera de 1934, Mercè Rodoreda publicou a sua segunda obra, Del que hom no pot fugir (Daquilo que não se pode fugir), nas edições da revista Clarisme. Em maio do mesmo ano, recebeu o Prêmio Premi del Casino Independent dels Jocs Florals de Lleida com o conto «La sireneta i el delfí», atualmente perdido.

Depois de ter escrito esta segunda obra, Joan Puig i Ferreter, diretor de Edicions Proa, visitou-a e interessou-se por publicar a seguinte obra de Rodoreda, Un dia en la vida d'un home (Um dia na vida de um homem), publicada no outono desse ano em Proa. Rodoreda começou a se introduzir no mundo literário da mão de Puig i Ferreter, quem lhe abriu as portas do El Club dels Novel·listes, formado por autores como Armand Obiols, Francesc Trabal ou Joan Oliver, também membros da La Colla de Sabadell. Naquele tempo, Rodoreda aprofundou na leitura dos romances de Fiódor Dostoievski.

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