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Mesquita

Local de culto dos muçulmanos

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Uma mesquita é um local de culto dos seguidores da fé islâmica. Os muçulmanos geralmente referem-se às mesquitas pelo seu nome árabe, masjid (árabe: مسجد — AFI: /ˈmas.ʤid/, no plural masājid (مساجد, AFI: /maˈsa:.ʤid/). A palavra "mesquita" usa-se em português para falar de todo tipo de edifícios dedicados ao culto islâmico, mas em árabe existe uma diferença entre as mesquitas privadas, menores, e as maiores, de uso coletivo (masjid jāmiʿ; árabe: مسجد جامع), que alojam uma comunidade maior e têm mais serviços sociais. Estas construções são originárias da Península Arábica, mas na atualidade podem encontrar-se nos cinco continentes.

O objetivo principal da mesquita é de ser o lugar onde os muçulmanos possam reunir-se para orar. Contudo, atualmente, são conhecidas em todo o mundo não só pela sua importância para a comunidade muçulmana, mas também como mostras da arquitetura islâmica. Desde o ponto de vista arquitetónico, as mesquitas evoluíram significativamente desde os espaços ao ar livre, como foram numa altura as de Quba e a Mesquita do Profeta no século VII. Nos dias de hoje a maioria das mesquitas têm cúpulas elaboradas, minaretes e salas para orar. Culturalmente, as mesquitas não são só lugares para orar, mas também lugares para aprender sobre o Islão e conhecer outros fiéis.

A palavra masjid significa templo ou local de culto e deriva da raiz árabe sajada (raiz s-j-d, "prostrar-se", em alusão às prostrações realizadas durante as orações islâmicas).

A Mesquita nos textos sagrados muçulmanos

A palavras "masjid" encontra-se no Alcorão, frequentemente fazendo referência ao santuário da Caaba, na cidade da Meca. O Alcorão aplica o termo "masjid" a lugares de adoração de várias religiões, incluindo o judaísmo e o cristianismo. Com este significado geral de templo a palavra está presente nos hádices, coleções muçulmanas sobre os feitos de Maomé e dos seus companheiros.

Durante muito tempo, e até na atualidade, associa-se às mesquitas com grandes entradas e torres altas, ou minaretes. Porém, as três primeiras mesquitas foram simplesmente espaços abertos na Arábia. As mesquitas evoluíram consideravelmente nos seguintes mil anos, nos quais foram adquirindo os seus traços distintivos e adaptaram-se às diferentes culturas do mundo. Hoje em dia, a maioria das mesquitas possuem cúpulas, minaretes e salas de oração que podem assumir formas elaboradas.

De acordo com as crenças islâmicas, a primeira mesquita no mundo foi a Caaba, edificada por Adão seguindo um mandato divino e posteriormente reconstruída por Abraão. A mesquita mais antiga da que se tem memória é a de Quba, em Medina. Quando Maomé vivia na Meca, considerava a Caaba a sua primeira e principal mesquita e celebrava ali as suas orações junto aos seus seguidores. Até durante a época na qual os árabes pagãos realizavam os seus rituais dentro da Caaba, Maomé sempre teve-lhe muito respeito. A tribo dos Coraixitas, a responsável de proteger a Caaba, tentou excluir aos seguidores de Maomé do santuário, o que se tornou em motivo de queixa por parte dos muçulmanos, como diz-se no Alcorão. Quando Maomé conquistou Meca em 630, fez da Caaba uma mesquita, e desde então conhece-se como Grande Mesquita, ou "Mesquita sagrada". A Grande Mesquita foi ampliada e melhorada consideravelmente nos primeiros séculos do Islão para acolher ao crescente número de muçulmanos que viviam na região ou faziam o haje, a peregrinação anual à Meca. Adquiriu a sua forma atual em 1577, durante o reinado do sultão otomano Selim II.

A primeira realização de Maomé quando chegou com os seus seguidores a Medina (então chamada Iatrebe), depois da Hégira, no ano 622, foi construir a mesquita de Quba numa aldeia periférica de Medina. Os muçulmanos afirmam que ele teria permanecido na mesquita de Quba durante três dias antes de ir com o resto dos seus seguidores a Medina.

Poucos dias depois de ter começado a trabalhar na mesquita de Quba, Maomé fundou uma nova mesquita em Medina, conhecida hoje como a Mesquita do Profeta, que assim foi chamada por ter sido o lugar da primeira jumu'ah (جمعة, "oração das sexta-feiras") de Maomé. Esta palavra partilha em árabe a raiz جمع (j-m-'), com مسجد جامع (masjid jāmi', as mesquitas maiores). Nos anos que sucederam à sua fundação, a Mesquita do Profeta continuou a introduzir algumas das práticas que agora são consideradas comuns nas mesquitas da atualidade. Por exemplo, a adhan, ou "chamada à oração", desenvolveu-se da maneira ainda usada nas mesquitas atuais. A Mesquita do Profeta foi construída com um grande pátio, um elemento comum nas mesquitas posteriores. Maomé teria predicado de pé num dos extremos da arcada. Mais tarde teria criado um púlpito de três escalões para ser utilizado como plataforma onde pronunciar os seus sermões. O púlpito, agora conhecido como mimbar, continua a ser um elemento muito comum das mesquitas.

Maomé vivia junto à mesquita de Medina, que era ao mesmo tempo o centro religioso e político da primitiva comunidade muçulmana. Na mesquita tiveram lugar negociações, planejamentos militares, também mantiveram-se prisioneiros de guerra, resolveram-se disputas, predicaram-se e receberam-se oferendas. Os seus seguidores tratavam aos feridos ali, e até algumas pessoas viviam permanentemente na mesquita, em suas tendas. Como no Islão não existem distinções entre a religião e a política, não é estranho que a primeira mesquita fosse um centro político e religioso para as primeiras comunidades muçulmanas.

Nos dias de hoje, a Grande Mesquita em Meca, a Mesquita do Profeta em Medina e a Al-Aqsa em Jerusalém (Al-Quds) são consideradas os três lugares mais sagrados do Islão.

Pouco a pouco os muçulmanos foram expandindo-se por outras partes do mundo e construiram-se mesquitas fora da península arábica. O Egito foi conquistado pelos árabes muçulmanos em 640, e desde então apareceram tantas por todo o país que a sua capital, O Cairo, adquiriu a alcunha de "a cidade dos mil minaretes". As mesquitas egípcias variam nos seus serviços: algumas têm escolas islâmicas (madraçais), e outras, hospitais ou sepulcros. As mesquitas da África do Norte, como a Grande Mesquita de Cairuão, ilustram a relação simbiótica entre o património arquitetónico da época romana bizantina e as influência do Oriente.

As mesquitas da Sicília e da Espanha não estão muito ligadas aos estilos visigodos que as precederam, mas sim ao estilo que foi introduzido pelos mouros muçulmanos. Porém, alguns elementos da arquitetura visigoda, como o arco de ferradura, originaram provavelmente os arcos califais cordoveses e de outras mesquitas do Al-Andalus.

A primeira mesquita chinesa construiu-se no século VIII em Xian. A Grande Mesquita de Xian, cuja edificação atual é datada do século XVIII, não utiliza muitos dos elementos geralmente associados com as mesquitas tradicionais. Ao contrário, está construída tendo como base a arquitetura chinesa tradicional. As mesquitas do ocidente da China têm mais elementos característicos das mesquitas de outras partes do mundo, como minaretes e cúpulas, enquanto as orientais adotam o modelo do pagode.

As mesquitas espalharam-se na Índia durante o Império Mogol nos séculos XVI e XVII. Os mogóis trouxeram consigo o seu próprio estilo arquitetónico, que incluía cúpulas pontiagudas e bulbosas, como pode ver-se na Jama Masjid de Deli.

As mesquitas apareceram pela primeira vez no Império otomano (que forma parcialmente o território da atual Turquia) durante o século XI, quando muitos turcos da região começaram a converter-se ao Islão. Muitas das primeiras, como a Santa Sofia na atual cidade de Istambul, tinham sido originalmente igrejas ou catedrais durante o Império bizantino. Os otomanos mantiveram os seus próprios estilos de tradição arquitetónica romana para as mesquitas, caracterizados por enormes cúpulas centrais, vários minaretes e alçadas abertas. O estilo otomano das mesquitas incluía geralmente colunas elaboradas, naves e altos tetos no interior, ao mesmo tempo que incorporava elementos tradicionais como o mirabe. Nos dias de hoje, a Turquia continua a acolher muitas mesquitas que têm este peculiar estilo arquitetónico otomano.

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