Michael Rubens Bloomberg (Boston, 14 de fevereiro de 1942) é um empresário, político e filantropo norte-americano. Fundador da Bloomberg L.P., uma empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro, se tornou uma das personalidades mais ricas do mundo, com uma fortuna estimada de US$ 60,1 bilhões. Posteriormente, entrou para a política e foi eleito prefeito de Nova Iorque por três mandatos consecutivos, de 2002 a 2014. Em 2019, anunciou sua candidatura à nomeação democrata para a eleição presidencial norte-americana de 2020.
Bloomberg cresceu em Medford, Massachusetts e estudou na Universidade Johns Hopkins e na Harvard Business School. Iniciou sua carreira no banco de investimentos Salomon Brothers antes de criar sua própria empresa em 1981. Nas próximas duas décadas, além de cofundador, também presidiu e ocupou o cargo de CEO da Bloomberg L.P., mantendo o controle acionário da empresa, o que lhe garantiu em 2019 a posição de 9ª pessoa mais rica do mundo.
Em 2001, Bloomberg foi eleito prefeito de Nova Iorque, à época filiado ao Partido Republicano, a qual passou a integrar após pertencer ao Partido Democrata durante toda a vida. Foi reeleito em 2005 e, após mudança na legislação municipal, candidatou-se como independente, mas com apoio dos republicanos, a um terceiro mandato em 2009, sendo novamente reeleito. Em 2016, descartou uma candidatura à presidência, mas decidiu disputar a nomeação democrata para a eleição de 2020, citando como prioridade derrotar o presidente Donald Trump. Em março de 2020, após obter maus resultados na Super Terça, desistiu de sua candidatura e declarou apoio a Joe Biden.
Como signatário do The Giving Pledge, Bloomberg também se tornou um filantropo, doando cerca de US$ 9,5 bilhões de sua fortuna para causas como o combate à violência armada e ao aquecimento global, bem como para instituições educacionais. Bloomberg ainda atuou como presidente do conselho de administração de sua alma mater, a Universidade Johns Hopkins, de 1996 a 2002.
Bloomberg nasceu no Hospital St. Elizabeth, em Brighton, um bairro de Boston, Massachusetts, em 14 de fevereiro de 1942, sendo filho de William Henry Bloomberg (1906–1963), um contador de uma empresa de laticínios, e Charlotte (Rubens) Bloomberg (1909–2011). O Bloomberg Center na Harvard Business School foi assim designado em homenagem a William Henry. O avô paterno de Bloomberg, Alexander "Elick" Bloomberg, era um imigrante da Rússia. Já seu avô materno, Max Rubens, era um imigrante do que é hoje a Bielorrússia.
Nascido em uma família judaica de classe média, Bloomberg integrou o Templo Emanu-El em Manhattan. A família viveu em Allston até seus dois anos de idade, quando se mudaram para Brookline, Massachusetts, pelos próximos dois anos. Quando os agentes imobiliários rejeitaram vender uma casa para uma família judia, sua mãe convenceu o advogado irlandês da família a comprar uma casa e revendê-la em seguida em Medford, subúrbio de Boston, onde se estabeleceram e Bloomberg morou até depois de se formar na faculdade. Na juventude, praticou o escotismo, chegando ao posto de Eagle Scout.
Bloomberg estudou na Medford High School, onde integrou o grupo de debates. No último ano do ensino secundário, foi descrito por seus colegas no anuário da escola como "argumentativo". Após concluir o ensino médio em 1960, matriculou-se na Universidade Johns Hopkins, onde se juntou à fraternidade Phi Kappa Psi, presidindo tanto a fraternidade quanto sua classe. Em 1962, quando estava no segundo ano, construiu o traje do mascote da universidade (o gaio-azul). Não foi convocado para servir na Guerra do Vietnã por conta de seus pés chatos. Em 1964, concluiu sua graduação como bacharel em engenharia elétrica, com uma nota média de "C". Em 1966, obteve o título de Master of Business Administration pela Harvard Business School.
Em 1966, Bloomberg foi contratado pelo Salomon Brothers, um grande banco de investimentos de Wall Street, passando a receber um salário de US$ 9 000 anuais. Em 1973, tornou-se sócio do banco, liderando o comércio de ações e, mais tarde, o desenvolvimento de sistemas. Na época, trabalhava durante 12 horas por dia e 6 dias por semana. Em 1981, o Salomon Brothers foi vendido e Bloomberg demitido pelos novos donos. Bloomberg não recebeu nenhuma quantia a título de rescisão, mas possuía US$ 10 milhões em patrimônio como sócio do banco.
Com tal quantia, Bloomberg fundou uma empresa chamada Innovative Market Systems (IMS), inicialmente formada por quatro pessoas. Seu plano de negócios foi baseado na percepção de que Wall Street (e a comunidade financeira em geral) estava disposta a pagar por informações comerciais de alta qualidade, entregues o mais rápido possível e com o maior número possível de formas utilizáveis, via tecnologia (por exemplo, gráficos de tendências específicas).
Bloomberg, juntamente com Thomas Secunda, Duncan MacMillan e Charles Zegar, desenvolveu e construiu um sistema computadorizado para fornecer dados do mercado financeiro em tempo real, incluindo cálculos e outras análises, às empresas de Wall Street. Os equipamentos foram chamados inicialmente de "Market Master Terminals" e mais tarde ficaram conhecidos como "Terminais Bloomberg". Em 1983, a Merrill Lynch se tornou a primeira cliente da empresa, investindo US$ 30 milhões para ajudar a financiar o desenvolvimento dos terminais, inicialmente mantendo um contrato de exclusividade com a IMS.
A IMS foi renomeada para Bloomberg L.P. em 1986. No mesmo ano, 5 000 terminais foram instalados nos escritórios de seus clientes. Em 1990, tal número cresceu para 8 000. Em 1989, comprou de volta as ações vendidas para a Merrill Lynch, correspondentes a um terço do total, por US$ 200 milhões. Na época, a empresa valia US$ 2 bilhões. Ao longo dos anos, estabeleceu vários outros negócios e produtos, incluindo a Bloomberg News.
Em outubro de 2015, a empresa tinha mais de 325 000 terminais distribuídos em todo o mundo. O preço para manter cada terminal era de US$ 24 000 por ano, com desconto para US$ 20 000 para dois ou mais. Em 2019, Bloomberg empregava 20 000 pessoas em dezenas de locais, e era dono de 88% das ações da companhia. A empresa teve um faturamento de aproximadamente US$ 10 bilhões em 2018, sendo US$ 3 bilhões a mais que a Thomson Reuters, seu concorrente mais próximo.
A cultura empresarial foi comparada a uma fraternidade, e os funcionários se gabavam no escritório da empresa de suas façanhas sexuais. A empresa foi processada quatro vezes por funcionárias por assédio sexual, incluindo um incidente no qual uma vítima afirmou ter sido estuprada. Em um depoimento sobre o suposto estupro, Bloomberg alegou que só acreditaria em uma acusação de estupro se esta fosse apoiada pelo testemunho de "um terceiro irrepreensível".
Quando decidiu iniciar sua carreira política, Bloomberg foi substituído como CEO de sua empresa, permanecendo afastado do cargo no período de seu mandato como prefeito. No outono de 2014, anunciou que retornaria à Bloomberg L.P. como seu CEO no final daquele ano. Em 2019, com a decisão de concorrer a presidente dos Estados Unidos, deixou novamente a posição.
Em 1992, Bloomberg foi listado pela revista Forbes como uma das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos pela primeira vez, com um patrimônio estimado em "US$ 350 milhões ou mais". Em 1996, a Forbes estimou sua fortuna em aproximadamente US$ 1 bilhão. Em 2009, a Forbes informou que sua fortuna era de US$ 16 bilhões, um ganho de US$ 4,5 bilhões em relação ao ano anterior, o maior aumento entre os bilionários em todo o mundo em 2009. Em apenas dois anos, passou de 142.ª pessoa mais rica do mundo para a 17.ª. Nos anos seguintes, a Forbes reportou seu patrimônio em US$ 22 bilhões, US$ 31 bilhões e US$ 43,3 bilhões. Em 2020, alcançou US$ 62 bilhões, sendo a 8.ª pessoa mais rica do mundo.
Em 2022, com uma fortuna de US$ 76,8 bi, o empresário figurou em nono lugar na lista anual da Forbes dos 400 americanos mais ricos.
Em 2001, Bloomberg decidiu concorrer a prefeito de Nova Iorque, deixando o Partido Democrata para disputar a primária do Partido Republicano, ao qual pertencia o prefeito cessante Rudy Giuliani. Após se tornar o escolhido dos republicanos, gastou em sua campanha cerca de US$ 74 milhões de sua fortuna, apesar de inicialmente ter se comprometido a gastar não mais de US$ 30 milhões, afirmando que quantia superior seria "obscena". Seu oponente, o democrata Mark Green, era considerado favorito, mas enfrentou dificuldades financeiras e dispendeu um valor bem menor: US$ 16,5 milhões. Além disso, a campanha ocorreu durante o rescaldo dos ataques de 11 de setembro, o qual, segundo a The Economist, favoreceu a candidatura de Bloomberg, que contou com o endosso do popular prefeito Giuliani. Em 6 de novembro, foi eleito para o cargo com 50,3% dos votos, contra 47,9% de Green.