Miguel Amorós, nascido em 9 de abril de 1949, é um historiador e teórico anarquista valenciano.
Neto de anarquistas, Miguel Amorós faz-se anarquista em 1968. Na década de 1970 participou na fundação de vários grupos anarquistas, entre os quais figuram Bandeira Negra, Tierra Libre, Barricada, Los Incontrolados e Trabajadores por la Autonomía Obrera e a Revolución social. Passa algum tempo nas prisões franquistas antes de exilar-se na França.
O anarquismo preconizado por Miguel Amorós inspira-se na autogestão, na subversao da vida quotidiana, na história dos conselhos operários, bem como nas mobilizações que denunciam ao sindicalismo como forma de luta desfasada e a moral operária como reacionária. Suas ideias são próximas às do movimento situacionista e às correntes anti-industriais. Miguel Amorós manteve relação com Guy Debord em princípios da década de 1980. Participou na difusão dos Comunicados da prisão de Segovia (edições Muturreko burutazioak) em 1980, cujo autor de um dos textos (Aos libertarios) era precisamente Guy Debord. Durante a «Transição» manteve posições assembleistas em pró da autonomia operária.
Entre 1984 e 1992, Miguel Amorós foi parte do equipe editora da revista francesa pós-situacionista Encyclopédie dês Nuisances junto a seu principal animador Jaime Semprún.
Miguel Amorós tem escrito numerosos artigos na imprensa libertaria como Os amigos de Ludd. Também tem pronunciado várias conferências sobre questões sociais, em particular sobre a ideologia do progresso e os prejuízos que ocasiona. Seus principais livros são A Revolução traída. A verdadeira história de Balius e Os Amigos de Durruti (2003) e Durruti no laberinto (2006).
Em 2009, publica uma biografia do anarquista valenciano José Pellicer, fundador da Coluna de Ferro durante a Guerra civil espanhola, que serve de fio condutor ao estudo do anarquismo na região levantina. Em 2011, analisa o anarquismo andaluz através de uma biografia de Francisco Maroto (Maroto, el héroe). Também em 2011, funda junto a Michel Gomez, Marie-Christine Lhe-Borgne e Bernard Pecheur, a editorial francesa Éditions de la Roue.
Em junho de 2012, Miguel Amorós publica Salida de emergencia, livro sobre a situação social atual e os problemas energéticos. Em fevereiro de 2014, Amorós publica uma nova edição do Manuscrito encontrado em Vitoria, texto clássico do movimento operário autónomo espanhol, escrito originalmente em 1976 pelo próprio Amorós e Jaime Semprún, baixo o nome de Los Incontrolados, reivindicando assim o sambenito infamante que a coalizão entre a burguesia republicana e a burocracia política e sindical de 1936, pendurou aos revolucionários que não obedeceram a ninguém mais que a si mesmos enquanto combatiam a seus inimigos externos e internos.
A partir de 2013, Miguel Amorós é coeditor da revista anti-dessenvolvimentista e libertaria Argelaga (7 números publicados até 2016).
Em 2014, Amorós publica 1968. El año sublime de la acracia, que analisa as revoltas estudantis em Madrdi da década de 1960 e em particular a actuação do grupo Los Ácratas.
Em abril de 2015, Miguel Amorós publica Los incontrolados de 1937, um livro sobre a vida de nove membros do agrupamento revolucionário Os Amigos de Durruti. Partindo da determinação revolucionária e da qualidade humana desses lutadores proletários, Amorós reconstitui a matéria da última revolução operária, a que vai de 19 de julho de 1936 ao 8 de maio de 1937.
Em setembro de 2017, Amorós explica seu ponto de vista sobre o conflito independentista catalão numa carta aberta a Tomás Ibáñez, e depois num livro colectivo publicado em março de 2018, No le deseo un Estado a nadie.
Seus textos estão traduzidos em vários idiomas, principalmente em francês, inglês e italiano.
Em seu livro Durruti en el laberinto publicado em 2006, Miguel Amorós conta com precisão o papel de Buenaventura Durruti no desenvolvimento da Revolução espanhola de 1936. Amorós mostra de que maneira Durruti e seus colegas da Coluna Durruti foram traídos pelas diversas burocracias do bando republicano (Governo central, Generalidade de Cataluña, Partido comunista), incluindo a burocracia da CNT ao comando da qual estavam os ministros colaboracionistas Juan García Oliver, Federica Montseny e Diego Abad de Santillan que pôs travas aos propósitos revolucionários de Durruti até atrair na armadilha onde perderia a vida.
Durruti en el laberinto é reeditado em 2014 por Vírus editorial, contribuindo com novos depoimentos que abundam na tese da responsabilidade de agentes estalinistas na morte de Durruti com a cumplicidade da burocracia cenetista no Governo.
La Columna de Hierro, Editorial Milvus, 2021. ISBN 9788494875687
Fuc.k Green New Deal. Colapso y alternativas: anticapitalismo y autogestión, Editorial Milvus, 2020. ISBN 978-84-948756-6-3
Geografías del combate, Editorial Milvus, 2018. ISBN 978-84-948756-0-1
Los Ácratas en la Universidad Central, 1967-69, La Linterna sorda, 2018.