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Miguel de Azcuénaga

Brigadeiro Miguel de Azcuénaga (4 de junho de 1754 — 19 de dezembro de 1833) foi um oficial do exército e político argen

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Brigadeiro Miguel de Azcuénaga (4 de junho de 1754 — 19 de dezembro de 1833) foi um oficial do exército e político argentino. Educado na Espanha, na Universidade de Sevilha, Azcuénaga iniciou sua carreira militar no Vice-Reino do Rio da Prata e tornou-se membro da Primera Junta, o primeiro governo autônomo da Argentina moderna. Foi exilado pouco depois por seu apoio ao ministro Mariano Moreno, e retornou a Buenos Aires quando o Primeiro Triunvirato substituiu a Junta. Exerceu vários cargos desde então, sendo o mais notável o de primeiro governador intendente de Buenos Aires após a Revolução de Maio. Faleceu em sua casa de campo (a atual Quinta de Olivos) em 1833.

Miguel de Azcuénaga nasceu em Buenos Aires em 4 de junho de 1754. Era filho de Vicente de Azcuénaga Iturbe, um empresário espanhol da província basca de Biscaia, e de María Rosa de Basavilbaso y Urtubia, natural de Buenos Aires. Os Azcuénaga-Basavilbaso tiveram 4 filhos e 3 filhas. Miguel de Azcuénaga foi enviado à Espanha ainda jovem, para completar seus estudos elementares em Málaga e depois ingressar na Universidade de Sevilha. Retornou a Buenos Aires em 1774 e fez uma nova viagem à Espanha para supervisionar os negócios do pai.

Iniciou sua carreira militar na artilharia de Buenos Aires, durante a Guerra Hispano-Portuguesa, permanecendo nessa unidade até a assinatura do Primeiro Tratado de Santo Ildefonso, que incorporou a Banda Oriental ao Vice-Reino do Rio da Prata. Encerrada a guerra, tornou-se regidor do Cabildo de Buenos Aires. Voltou a pegar em armas em 1778, durante um ataque de indígenas, e dirigiu as operações no forte de San Miguel del Monte. Como a Espanha estava lutando na Guerra da Independência Americana contra a Grã-Bretanha, cogitava-se que os britânicos pudessem lançar uma ofensiva contra a América espanhola. Azcuénaga comandou uma unidade de artilharia com quatro canhões em 1781, mas nenhum ataque britânico ocorreu.

Foi nomeado para vários cargos no Cabildo de Buenos Aires entre 1781 e 1794. Em 7 de abril de 1789, auxiliou um grupo de sapateiros a fundar uma guilda. Embora existissem várias na Espanha, nenhuma constituição de guilda espanhola foi utilizada como modelo. Promoveu o calçamento das ruas e a melhoria dos edifícios. Apoiado pelo vice-rei Nicolás Antonio de Arredondo, arrecadou 8 000 dólares e forneceu 500 cabeças de gado para extrair rochas da Ilha Martín García destinadas a essa obra. Casou-se com sua prima Justa Rufina de Basavilbaso y Garfias em 6 de fevereiro de 1795.

Foi nomeado tenente-coronel em 1796, comandando uma milícia local de 1796 a 1802. Ao deixar o cargo, doou todos os seus soldos militares desse período aos soldados de sua unidade. Foi nomeado coronel em 24 de março de 1802 e doou 2.435 dólares para o fardamento dos soldados. Doou ainda 1.000.000 de dólares para a construção de uma marinha, juntamente com Juan Larrea e Domingo Matheu. Lutou na primeira invasão britânica do Rio da Prata em 1806, supervisionando uma resistência até o fim na ponte Gálvez. Seus homens conseguiram manter a posição por 20 horas com apenas 400 soldados contra uma força britânica muito superior. Foi eventualmente obrigado a recuar com apenas 50 soldados restantes, unindo-se então ao brigadeiro Hilarión de la Quintana.

Guerra da Independência Argentina

A Guerra Peninsular na Espanha, junto com a captura do rei Fernando VII e a queda da Junta de Sevilha, intensificou as disputas políticas em Buenos Aires que levaram à Revolução de Maio. Vários criollos consideravam que o vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros, nomeado pela Junta deposta, não tinha legitimidade, e solicitaram um cabildo aberto para debater o assunto. Azcuénaga participou e votou pela criação de uma Junta com deputados de todas as províncias, com o Cabildo governando no interregno. No entanto, a maioria concordou com a criação de uma junta, mas com outra junta composta por pessoas de Buenos Aires governando enquanto isso. O vice-rei tentou permanecer no governo como presidente da Junta, o que foi resistido pelos criollos. Azcuénaga cedeu sua casa para as reuniões secretas deles. Azcuénaga foi nomeado membro da nova Primera Junta e promovido a brigadeiro. As razões da inclusão de Azcuénaga na Junta são pouco claras, como ocorre com todos os seus membros. Uma teoria comumente aceita considera que houve uma tentativa de equilíbrio entre carlotistas, alzaguistas, os militares e o clero; além de pertencer às forças armadas, Azcuénaga tinha estreitas ligações com a elite econômica da cidade.

A Junta sofreu com conflitos internos entre os conservadores (liderados por Cornelio Saavedra) e os liberais (liderados por Mariano Moreno). Azcuénaga estava alinhado com Moreno. Embora se opusesse à expansão da Junta para a Junta Grande, votou pela proposta, talvez sob pressão de Saavedra. Mariano Moreno renunciou em dezembro, e todos os seus apoiadores foram forçados a renunciar em maio de 1811. Azcuénaga foi exilado para a Província de Mendoza e perdeu sua patente militar. Sua esposa solicitou, em vez disso, o exílio para a mais próxima Luján, pedido que foi indeferido. A Junta foi substituída pelo Primeiro Triunvirato. Azcuénaga ainda gozava de boa imagem entre seus pares, e a mudança política permitiu seu retorno e a restituição de sua patente. No entanto, um erro na documentação lhe conferiu apenas a patente de coronel; só recuperou a de brigadeiro em 1814. Foi nomeado governador intendente de Buenos Aires (governando a província, enquanto o Triunvirato detinha autoridade nacional).

A Assembleia do Ano XIII substituiu o Triunvirato por um chefe de Estado unipessoal, o Diretor Supremo das Províncias Unidas do Rio da Prata. Gervasio Antonio de Posadas foi nomeado Diretor Supremo, e Azcuénaga foi escolhido como um de seus cinco conselheiros. Em 1816, o Cabildo o nomeou protetor da liberdade de imprensa. Tornou-se membro do Congresso de Tucumán em 1818, quando este foi transferido de San Miguel de Tucumán para Buenos Aires. Foi eleito vice-presidente do Congresso em setembro e reeleito em maio de 1819. A derrota de Buenos Aires em 1820 na Batalha de Cepeda, parte das Guerras Civis Argentinas, levou ao encerramento do Congresso.

Como muitos outros argentinos do século XIX proeminentes na vida pública, Azcuénaga era maçom.

Em 1828, aos 74 anos, participou das negociações de paz com o Império do Brasil após o fim da Guerra Argentino-Brasileira, que levaram à criação do estado do Uruguai. Essas negociações ocorreram em Montevidéu. Administrou a economia em 1829 e 1830, e tornou-se deputado em 1831 e 1832. Seus colegas deputados ressaltaram que ele compareceu a todas as sessões legislativas, apesar da idade avançada.

Azcuénaga faleceu em sua residência em 19 de dezembro de 1833. O governador Juan José Viamonte ordenou a construção de um cenotáfio no Cemitério Norte (atual Cemitério da Recoleta), que existe até hoje. O decreto oficial afirmava que Citação: os notáveis serviços que em todos os tempos prestou à nação o brigadeiro-general Miguel de Azcuénaga, e particularmente nos dias da gloriosa independência, requerem uma demonstração que leve à posteridade o nome deste patriota e conserve a memória de suas virtudes cívicas.A casa de campo de Azcuénaga foi construída durante a fundação de Buenos Aires em 1580 por Juan de Garay. Após várias gerações, foi herdada por Justa Rufina Basavilbaso, esposa de Azcuénaga. Gerações posteriores da família (com ancestralidade do vice-rei Antonio de Olaguer y Feliú também) a herdaram, até que Carlos Villate Olaguer a doou ao estado argentino em 1913, para ser utilizada como residência oficial do Presidente da Argentina. Foi rebatizada como Quinta de Olivos e utilizada por todos os presidentes argentinos desde Agustín Pedro Justo.

Abad de Santillán, Diego. Historia Argentina (em espanhol). Buenos Aires: TEA (Tipográfica Editora Argentina)

Galasso, Norberto (2004). Mariano Moreno – El sabiecito del sur. Buenos Aires: Colihue. ISBN 950-581-799-1

Johnson, Lyman (2011). Workshop of Revolution: Plebeian Buenos Aires and the Atlantic World, 1776–1810. Estados Unidos: Duke University Press. ISBN 978-082-234-981-5. Consultado em 6 de outubro de 2012

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