Milton Assi Hatoum ([aˈtũ]; Manaus, 19 de agosto de 1952) é escritor, tradutor, professor brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras. Hatoum é considerado um dos grandes escritores vivos do Brasil.
Hatoum ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e foi professor visitante nas Universidade da Califórnia em Berkeley e na Sorbonne, em Paris. Escreveu sete romances: Relato de um Certo Oriente (1989), Dois Irmãos (2000), Cinzas do Norte (2005; este último vencedor do Oceanos - Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa e todos os três primeiros ganhadores do Prêmio Jabuti de melhor romance), Órfãos do Eldorado (2008), e os três volumes da trilogia O Lugar Mais Sombrio: A Noite da Espera (2017), Pontos de Fuga (2019) e Dança de Enganos (2025). Seus livros já venderam mais de 400 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em dezessete países, como a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha.
Em 2018 recebeu o Prêmio Roger Callois (Maison de l'Amérique Latine/PEN Club-França). Em 2023, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas.
Hatoum costuma em suas obras falar de dramas familiares com alcance histórico e político. Em 14 de agosto de 2025, Hatoum é eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando à cadeira 6 com mais de 500 mil livros vendidos em diversos países. É o primeiro amazonense a ocupar uma cadeira na ABL.
Nascido numa família de origem libanesa, seu pai - Hassan Ibrahim Hatoum - nascera no Líbano. Sua mãe, Naha Assi, era uma amazonense de pais libaneses. Enquanto seu pai era muçulmano, sua mãe era cristã maronita.
Hatoum mudou-se aos quinze anos de idade para Brasília. Anos mais tarde foi preso por participar de uma passeata contra o governo. Em 1970 mudou-se para São Paulo, onde ingressou, em 1972, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Foi perseguido ainda na FAU pelo DOPS da ditadura por participar do movimento estudantil. Em 1978, passou a lecionar História da Arquitetura na Universidade de Taubaté, onde permaneceu até pedir o afastamento devido a uma bolsa de estudos que lhe havia sido concedida na Europa. Em 1980, viajou para a Espanha como bolsista do Instituto Iberoamericano de Cooperación. Viveu entre Madri e Barcelona. Logo depois, mudou-se para a França, onde cursou pós-graduação na Universidade de Paris III.
Em 1984, Milton retornou a Manaus, onde passou a lecionar língua e Literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas. Relato de um Certo Oriente foi publicado em 1989, quando ele tinha 37 anos.
Em 1999, mudou-se para São Paulo, onde iniciou o doutorado em Teoria Literária na USP. Em 2000, desligou-se da Universidade Federal do Amazonas e do programa de Pós Graduação da USP para se dedicar exclusivamente à literatura. Onze anos após a publicação do primeiro romance, Milton publica Dois Irmãos. Foi colunista do Terra Magazine, da revista Entrelivros, do jornal O Globo e do jornal O Estado de São Paulo. Vem publicando também em jornais e revistas brasileiras e estrangeiras e dando cursos e palestras em escolas, universidades e instituições.
Em 2015, Órfãos do Eldorado estreia nos cinemas, com direção de Guilherme Coelho. No mesmo ano, foi lançada a adaptação em quadrinhos de Dois Irmãos, feita pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. A HQ foi publicada em vários países e foi vencedora do prestigioso Prêmio Eisner na categoria "Best Adaptation from Another Medium".
Em janeiro de 2017, Dois Irmãos estreou em formato de minissérie na TV Globo, com direção de Luiz Fernando Carvalho e o ator Cauã Reymond no papel dos irmãos gêmeos radicados em Manaus.
Em 2023, é a vez de O Rio do desejo, uma adaptação do conto "O adeus ao Comandante", com direção de Sergio Machado.
Já em 2024, estreou a adaptação de Relato de um certo oriente para o cinema, com a direção de Marcelo Gomes.
Em agosto de 2025, foi eleito para ocupar a cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni, que tem como patrono Casimiro de Abreu. O escritor tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) no dia 24 de abril de 2026 em cerimônia na sede da instituição, no Petit Trianon, no Centro do Rio. Em seu discurso, Hatoum lembrou a obra do jornalista Cícero Sandroni e de antigos ocupantes da cadeira que passa a ocupar como Barbosa Lima Sobrinho e Raymundo Faoro, por exemplo. O autor também falou de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos, escritor que não entrou para a ABL.
Hatoum é conhecido por misturar experiências e lembranças pessoais com o contexto sociocultural da Amazônia e do Oriente. Sobre o primeiro livro, assim ele explica: "No Relato de um certo Oriente há um tom de confissão, é um texto de memória sem ser memorialístico, sem ser autobiográfico; há, como é natural, elementos de minha vida e da vida familiar. Porque minha intenção, do ponto de vista da escritura, é ligar a história pessoal à história familiar: este é o meu projeto. Num certo momento de nossa vida, nossa história é também a história de nossa família e a de nosso país (com todas as limitações e delimitações que essa história suscite)."
O colunista Roberto Amorim considera a escrita de Milton possuidora de "uma linguagem caudalosa e envolvente que faz o leitor sentir a força da boa literatura." Flora Sussekind observa que a prosa de Hatoum deixa de lado velhos temas típicos do regionalismo, como o conflito do homem com a natureza e os seringueiros e destaca o grande esforço técnico na estruturação de seu primeiro romance.
A partir do romance Relato de um certo Oriente, Milton Hatoum vem gozando de um reconhecimento muito grande por parte dos críticos e também dos leitores do seu país e do exterior. O primeiro livro, assim como seu recente Órfãos do Eldorado, são considerados por diversos críticos como "obras-primas". Milton já foi chamado de "o escritor que coleciona prêmios", mas disse certa vez: "não escrevo para ganhá-los". Foi considerado pelo crítico literário Luiz Costa Lima "um dos grandes ficcionistas do milênio".
Desde a infância, Hatoum sempre frequentou bibliotecas, que considera "um lugar democrático do saber, do conhecimento, na medida em que os livros transmitem saber, conhecimento, permitem viagens imaginárias".
As novas obras de Milton Hatoum começam a ganhar novas fronteiras. Dois livros do escritor e um conto foram adaptados para o cinema, e Dois Irmãos ganhou uma minissérie exibida na TV Globo — além de uma versão em quadrinhos lançada há pouco tempo. Hatoum ainda trabalha num novo livro, O Lugar Mais Sombrio, e diz, a ser levado ou não a sério, que, depois dessa publicação, não irá mais escrever, pois considera que não terá mais nada a dizer.