Mississippi ou Mississípi é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na região sudeste do país. Historicamente caracterizou-se pela predominância de fazendas, pequenas cidades e a dependência da agropecuária. Atualmente, porém, possui uma economia relativamente diversificada, com uma indústria de manufatura e turismo em crescimento.
A origem do nome deve-se ao rio Mississippi, que corre ao longo da sua divisa oeste. Mississippi é uma palavra de origem algonquina (mais especificamente, a língua Ojibwe) que significa "grandes águas" ou "pai das águas". Atualmente também é conhecido pelos títulos de "Estado da magnólia" e "Estado da hospitalidade".
O Mississippi foi inicialmente colonizado pelos espanhóis, mas anexado pelo Reino Unido, sob os termos do Tratado de Paris. Com a independência das Treze Colônias, a região passou a fazer parte dos recém-criados Estados Unidos. O Território do Mississippi foi criado em 1798 e elevado à categoria de estado em 10 de dezembro de 1817. O Mississippi prosperou economicamente, tendo sido por décadas um dos estados mais ricos do país. Separou-se dos Estados Unidos em 1861, juntando-se aos Estados Confederados da América, tendo sido um dos mais afetados pela guerra civil, que arruinou sua economia e cujos efeitos socioeconômicos podem ser vistos até aos dias atuais.
Três diferentes tribos nativas americanas viviam na região que constitui atualmente o Mississippi, antes da chegada dos primeiros exploradores europeus à região. Estas tribos eram os chicksaw, na região central, os choctaw, que no norte e no leste, e os natchez no sudoeste. A população local de nativos americanos antes da colonização é estimada entre 25 mil a 30 mil pessoas.
Os primeiros exploradores europeus a chegarem à região foram os membros de uma expedição espanhola, comandada por Hernando de Soto, em 1541. Soto e sua expedição estavam em busca de ouro e outros metais preciosos, e, não encontrando tais recursos naturais, não fundaram nenhum assentamento. A região continuaria intocada pelos europeus até 1692, quando o francês Pierre Le Moyne d'Iberville fundou o primeiro assentamento permanente no atual Mississippi, onde está localizada atualmente Ocean Springs. Enquanto isto, o francês René Robert Cavelier já havia reivindicado toda a região da bacia hidrográfica do rio Mississippi para a coroa francesa, em 1682.
Em 1716, o francês Jean-Baptiste Le Moyne fundou o segundo assentamento europeu permanente na região, o Fort Rosalie, onde atualmente está localizada Natchez. Os franceses iniciaram a comercialização de peles de animais com os nativos da região, e o cultivo de tabaco e arroz. Para tal, trouxeram os primeiros escravos para o Mississippi, em 1722.
O economista escocês John Law lançou no início do século XVII um projeto de povoamento da região, que fracassou, levando os investidores a perder todo o montante investido. O povoamento na região continuou relativamente baixo, com poucas pessoas interessando-se em mudar para lá por causa de frequentes ataques dos índios e de atritos entre os franceses e o Reino Unido — que reivindicava a região.
Em 1730, os Natchez realizaram uma rebelião armada contra os franceses. A reação foi dura; os franceses atacaram rapidamente, tendo massacrado a grande maioria dos membros da tribo, incluindo mulheres e crianças. Seis anos depois, em 1736, os Chicksaw, auxiliados pelos britânicos, derrotaram milícias francesas no nordeste do atual Mississippi, tirando dos franceses o controle do rio Mississippi. Em 1763, sob os termos do Tratado de Paris, os franceses cederam a região para os britânicos. A região sul passou a fazer parte do território britânico da Flórida Ocidental, enquanto que o restante do atual Mississippi passou a fazer parte da Geórgia.
Em 1775, a Guerra da Independência dos Estados Unidos teve início. Os habitantes da região da Flórida Ocidental, a maioria de ascendência britânica, permaneceram leais à coroa britânica, enquanto que comerciantes (primariamente britânicos e franceses) e nativos da região centro-norte do Estado apoiaram os rebeldes americanos. A Espanha, que aliou-se com os rebeldes durante a revolução armada, capturou a região da Flórida Ocidental sem dificuldades, em 1781. Dois anos depois, em 1783, a guerra pela independência terminou, e sob os termos do Tratado de Paris, os britânicos cederam a região da Flórida Ocidental para os espanhóis, e o restante do atual Mississippi - a região acima do paralelo 32° - para os americanos. Os americanos logo passaram a reivindicar o paralelo 31° como fronteira, sendo que os espanhóis concordaram com a reivindicação dos americanos em 1795.
Em 1798, os Estados Unidos criaram o Território do Mississippi. A região começaria a desenvolver-se mais rapidamente a partir de 1803, quando os Estados Unidos adquiriram um grande território, na Compra da Luisiana, que deu a eles total controle sobre o rio Mississippi, e estimulou o povoamento da região. Em 1803, o governo americano incorporou ao Território do Mississippi terras ao norte deste. O território cresceria em área novamente em 1812, quando uma parte da Flórida Ocidental foi anexada pelos Estados Unidos. Então, o território era composto por toda a região que atualmente constitui o Mississippi, bem como o Estado vizinho de Alabama.
Em 1817, o Congresso americano fez da região leste do então Território do Mississippi o Território do Alabama. Em 10 de dezembro do mesmo ano, o Mississippi foi elevado à categoria de Estado, tornando-se o 20° Estado americano.
Inicialmente, a capital do Mississippi era Colúmbia, mudando-se alguns anos depois para Natchez e Washington, até estabelecer-se definitivamente em Jackson, em 1822. Os americanos, durante a década de 1810 até a década de 1830, gradualmente forçaram os nativos instalados a saírem do Estado. Não houve conflitos armados pela posse da terra da região, e os nativos saíram do Estado pacificamente, embora que forçadamente. A grande maioria dos nativos mudou-se para o que era então chamado de Território Indígena - que constitui atualmente o Estado americano de Oklahoma. Sua saída deixou livres grandes quantidades de terras para cultivo, que atraíram muitas pessoas para o Estado.
Ao final da década de 1830, o Mississippi era um grande centro agrário americano. O Estado possuía grandes latifúndios, que cultivavam primariamente algodão para exportação. Estes latifúndios dependiam do trabalho escravo, como mão de obra relativamente barata. Até o início da década de 1860 era considerado um dos Estados mais ricos do país.
A maior parte da população apoiava com fervor o uso do trabalho escravo, do qual a economia do Estado dependia, como em outros Estados do Sul americano. Até a década de 1830, a maioria da população era contra uma possível secessão do restante do país. Porém, em menos de três décadas, a população passou a suportar cada vez mais a secessão do Estado do restante dos Estados Unidos, por causa da crescente força abolicionista nos Estados Unidos, que ameaçava a estrutura de sua economia escravista. Em janeiro de 1861, os membros do Legislativo do Mississippi reuniram-se em uma convenção constitucional, e decidiram separar-se dos Estados Unidos, tornando-se o segundo Estado americano a fazer isto, após a Carolina do Sul. Em fevereiro, o Mississippi juntou-se a outros dez Estados que separaram-se dos Estados Unidos, passando a constituir os Estados Confederados da América. Jefferson Davis, do Mississippi, foi escolhido como primeiro Presidente da Confederação. No mesmo ano, a Guerra Civil Americana teria início.
Aproximadamente 80 mil homens do Mississippi serviram no exército confederado durante a guerra civil. O Estado foi palco de diversas batalhas e conflitos importantes entre as tropas confederadas e as da União - os Estados Unidos propriamente dito. A maior destas batalhas foi a Batalha de Vicksburg, ocorrida a 4 de julho de 1863, quando o Forte confederado em Vicksburg foi capturado por tropas americanas comandadas pelo general Ulysses S. Grant. As batalhas e conflitos ocorridos no Mississippi causaram grande destruição às cidades e ao campo. A economia local estava completamente arruinada ao fim da guerra, em 1865, por causa do bloqueio dos portos da confederação, da inflação, e da fuga em massa de escravos. O Mississippi, até então um dos Estados mais ricos dos Estados Unidos, desde então figura entre os Estados mais pobres do país.