Moby-Dick; or, The Whale (em português: Moby Dick, ou, A baleia) é um romance publicado em 1851 pelo escritor estadunidense Herman Melville. No livro, Ishmael narra a busca obsessiva de Ahab, capitão do navio baleeiro Pequod, por Moby Dick, o gigante cachalote branco que, na viagem anterior do navio, arrancara parte da perna do capitão. Uma contribuição para a literatura do "Renascimento Americano", Moby Dick recebeu críticas mistas e foi um fracasso comercial, chegando a não ser nem mais impresso no momento da morte do autor, em 1891. Sua reputação como um "Grande Romance Americano" foi estabelecida apenas no século XX, após o centenário do nascimento do autor. William Faulkner disse que gostaria de ter escrito o livro ele mesmo, e D. H. Lawrence o chamou de "um dos mais estranhos e mais maravilhosos livros do mundo" e "o maior livro marítimo já escrito". Sua frase de abertura, "Call me Ishmael", está entre as mais famosas da literatura mundial.
Melville começou a escrever Moby Dick em fevereiro de 1850 e terminou 18 meses depois, um ano a mais do que havia previsto. Melville baseou-se em sua experiência como marinheiro comum de 1841 a 1844, incluindo vários anos em baleeiros e em ampla leitura na literatura baleeira. A baleia branca é modelada na notoriamente difícil de capturar baleia albina Mocha Dick, e o final do livro é baseado no naufrágio do baleeiro Essex em 1820. As descrições detalhadas e realistas da caça à baleia e da extração de óleo de baleia, bem como como a vida a bordo de um navio entre uma tripulação culturalmente diversificada, são misturados com a exploração de classe e status social, bem e mal, e a existência de Deus. As influências literárias do livro incluem Shakespeare e a Bíblia. Além da prosa narrativa, Melville usa estilos e recursos literários que vão desde canções, poesia e catálogos até direções de palco, solilóquios e apartes shakespearianos. Em agosto de 1850, com o manuscrito talvez pela metade, ele conheceu Nathaniel Hawthorne e ficou profundamente impressionado com seus Mosses from an Old Manse, que ele comparou a Shakespeare em suas ambições cósmicas. Este encontro pode tê-lo inspirado a revisar e aprofundar Moby Dick, que é dedicado a Hawthorne, "Em sinal de minha admiração por seu gênio".
O livro foi publicado pela primeira vez (em três volumes) como The Whale em Londres em outubro de 1851, e sob seu título definitivo, Moby-Dick; or, The Whale, em uma edição de volume único em Nova Iorque em novembro. O editor londrino, Richard Bentley, censurou ou alterou passagens sensíveis; Melville também fez revisões, incluindo uma mudança de última hora no título da edição de Nova York. A baleia, no entanto, aparece no texto de ambas as edições como "Moby Dick", sem o hífen. Revisores na Grã-Bretanha foram amplamente favoráveis, embora alguns objetassem que a história parecia ter sido contada por um narrador que morreu com o navio, já que a edição britânica não tinha o epílogo contando a sobrevivência de Ishmael. Os revisores americanos foram mais hostis.
No começo do livro Ishmael viaja da ilha de Manhattan para New Bedford, Massachusetts, com planos de se inscrever em uma viagem de caça às baleias. A pousada está superlotada, então ele deve dividir a cama com o canibal tatuado polinésio Queequeg, um arpoador cujo pai era rei da ilha fictícia de Kokovoko. Na manhã seguinte, Ishmael e Queequeg assistem a um sermão e partem para Nantucket onde Ishmael se inscreve na viagem do navio baleeiro Pequod. Um dos donos do navio descreve o capitão Ahab: "É um homem grande, não é religioso, parece um deus" que, no entanto, "conserva seu lado humano". Eles contratam Queequeg na manhã seguinte. Um homem chamado Elias profetiza um destino terrível caso Ishmael e Queequeg se juntem a Ahab. Enquanto as provisões são carregadas, figuras sombrias embarcam no navio. Em um dia frio de Natal, o Pequod deixa o porto.
Ishmael discute cetologia e descreve os membros da tripulação. O primeiro imediato é Starbuck, de 30 anos, um quacre de Nantucket com uma mentalidade realista, cujo arpoador é Queequeg; o segundo imediato é Stubb, de Cape Cod, despreocupado e alegre, cujo arpoador é Tashtego, um orgulhoso índio puro-sangue de Gay Head; e o terceiro imediato é Flask, de Martha's Vineyard, baixo, corpulento, cujo arpoador é Daggoo, um africano alto, agora residente em Nantucket.
Quando Ahab finalmente aparece no tombadilho, ele anuncia que está se vingando da baleia branca que lhe arrancou um pedaço da perna. Ahab dará ao primeiro homem que avistar Moby Dick um dobrão, uma moeda de ouro, que ele prega no mastro. Starbuck objeta que não veio por vingança, mas para lucrar. Em vez de contornar o Cabo Horn, Ahab dirige-se para o Oceano Pacífico equatorial através da África Austral. Uma tarde, enquanto Ishmael e Queequeg estão tecendo uma esteira, Tashtego avista um cachalote. Cinco homens anteriormente desconhecidos aparecem no convés e são revelados como uma tripulação especial selecionada por Ahab e explicam as figuras sombrias vistas a bordo do navio. Seu líder, Fedallah, um parse, é o arpoador de Ahab. A perseguição é mal sucedida.
Durante a travessia pelo Cabo da Boa Esperança o Pequod encontra dois, de um total de nove ao longo do livro, navios navegando em direção contrária: o Albatroz e o Town-Ho. Ishmael então discorre sobre representações de baleias, brit (criaturas marinhas microscópicas das quais as baleias se alimentam), lulas e ostaxas. No dia seguinte, no Oceano Índico, Stubb mata um cachalote, e naquela noite Fleece, o cozinheiro do Pequod, prepara-lhe um bife de baleia. Fleece, a pedido de Stubb, faz um sermão aos tubarões que lutam entre si para se banquetear com a carcaça da baleia, amarrada ao navio, dizendo que sua natureza é ser voraz, mas eles devem superá-la. A baleia é preparada, decapitada e os barris de óleo são testados. Em seguida, o Pequod encontra o Jeroboão, que não apenas perdeu seu primeiro imediato para Moby Dick, mas também agora é atormentado por uma epidemia.
Stubb e Flask matam uma baleia franca cuja cabeça está presa a uma verga oposta à cabeça do cachalote. Ishmael compara as duas cabeças de maneira filosófica: a baleia franca é lockeana, estóica, e o cachalote é kantiana, platônica. Tashtego corta a cabeça do cachalote e recupera baldes de espermacete. Ele cai dentro da cabeça, que por sua vez cai da verga no mar. Queequeg mergulha atrás dele e liberta seu companheiro com sua espada.
Logo o Pequod encontra com o Jungfrau de Bremen. Ambos os navios avistam baleias simultaneamente, com o Pequod vencendo a competição. Os três arpoadores lançam seus arpões, e Flask desfere o golpe mortal com uma lança. A carcaça afunda e Queequeg mal consegue escapar. O próximo encontro do Pequod é com o baleeiro francês Bouton-de-Rose, cuja tripulação ignora o âmbar cinza no intestino da baleia doente em sua posse. Stubb os convence, mas Ahab o manda voltar antes que ele possa recuperar mais do que alguns punhados. Dias depois, um encontro com uma baleia arpoada leva Pip, um pequeno grumete preto de Connecticut, a pular de seu bote baleeiro. A baleia precisa, então, ser solta, porque Pip se emaranhou na corda. Furioso, Stubb ordena que Pip fique no bote, mas Pip depois pula novamente e é deixado sozinho no imenso mar e enlouqueceu quando foi pego.
O espermacete resfriado solidifica e deve ser espremido de volta ao estado líquido; a gordura é fervida nos caldeirões do convés; o óleo quente é decantado em barris e depois armazenado no navio. Após a operação, os decks são esfregados e vários membros da tripulação analisam os desenhos na moeda martelada no mastro. Os próximos encontro do Pequod é com o Samuel Enderby de Londres, capitaneado por Boomer, um sujeito que perdeu o braço direito para Moby Dick. No entanto, ele não guarda remorso em relação à baleia, que ele considera não maliciosa, mas desajeitada. Ahab por fim volta ao seu navio. O narrador agora discute os assuntos de (1) abastecimento dos baleeiros; (2) um vale nas Arsácidas cheio de ossos de baleia esculpidos, baleias fósseis, medições de esqueletos de baleia; (3) a chance de que a magnitude da baleia diminua e que o leviatã possa perecer.