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Mococa

Município brasileiro do estado de São Paulo

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Mococa é um município brasileiro do estado de São Paulo. Faz parte da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP), sendo uma das subsedes metropolitanas. Sua população, segundo a estimativa populacional (IBGE 2025), é de 69.372 habitantes. O município é formado pela sede e pelos distritos de Igaraí e São Benedito das Areias.

A origem do nome da cidade tem três versões:

A primeira e menos aceita é a de que Mococa vem da língua tupi e significa "casa de mocó", a partir da junção dos termos mokó ("Mocó") e oka ("casa", as ocas indigenas).

A segunda e mais contada vem do historiador Humberto de Queiroz. Segundo ele, o Capitão-mór Custódio José Dias passou pela região, em 1844, para caçar. Ao avistar o povoado, disse aos que o acompanhavam: "Olhem para essas mocoquinhas". Indagado sobre o significado do termo, Custódio explicou que em Ibituruna, onde nasceu, havia um bairro chamado "Mocócas" ou "Mocóquinhas", e que o termo significava pequenas casas ou pequenas ócas. Na realidade, porém, o termo em tupi significaria algo como "casa de mocós". Segundo o linguista Eduardo de Almeida Navarro, especialista em tupi antigo, a confusão surgiu quando uma obra de Theodoro Sampaio apontava que Mococa viria de Mô-coga, significando fazer roça, roçado ou plantação.

A terceira e mais verossímil das versões é a contada pelo Comendador José Fernandes, que morou por 70 anos na vizinha Caconde: dizia ele que o Ribeirão do Meio, que cortava a cidade, era rico em peixes da espécie Synbranchus marmoratus, também chamados Moçum. A alta quantidade teria feito daquele lugar conhecido por ser o lugar onde habitava (óca do peixe moçum, ou moçum-ocó). O poeta Maranhense Manoel da Cruz Evangelista reforça a versão em seu verso "Um dilá, chegou no Amapá, foi pegar muçum na mocooca". Outra evidência é a presença do nome em regiões aquíferas, como a praia da Mococa, nome herdado do Rio Mocóca, bem como o vilarejo de Mocooca, no Pará, um dos mais representativos na pesca na região do Maracanã.

A história de Mococa se inicia durante a primeira metade do século XIX, quando errantes provindos de Minas Gerais, sobretudo de Aiuruoca e outros municípios vizinhos, sabendo da alta fertilidade do solo na região, iniciam o desbravamento das grandes matas virgens locais e dão inicio as primeiras ocupações. Gerando, subsequentemente, grandes propriedades para o cultivo do café e utilizando-se de mão de obra escravizada africana no processo.

Como principais fundadores, destacam-se Gabriel Garcia de Figueiredo, o "Barão de Monte Santo", Venerando Ribeiro da Silva, responsável pelo traçado urbanístico das ruas e praças do município emergente., José Pereira dos Santos, Diogo Garcia da Cruz, José Gomes de Lima e José Christóvão de Lima, pioneiro do desbravamento das terras mocoquenses.

No cerne do período imperial, o povoado, até então conhecido como São Sebastião da Boa Vista, o nome original de Mococa, é elevado à condição de capela curada, no ano de 1841. Poucos anos depois, em 1846, é implantada a primeira lavoura cafeeira, gerando assim, a ocupação e o desenvolvimento urbano e rural.

A primeira igreja de Mococa, posteriormente conhecida como Matriz Velha, foi construída também em 1846, dedicada à São Sebastião, o padroeiro da cidade. Por sua rusticidade, acaba perdendo relevância durante o fim do século XIX. Deste modo, monta-se uma comissão incluindo nomes do alto escalão político e econômico de Mococa, incluindo o Barão de Monte Santo, para a inauguração de uma nova Matriz, fato ocorrido em 1896. A antiga igreja matriz veio a ser demolida em 1919, dada suas precárias condições. Sendo reconstruída em 1921, com estilo arquitetônico eclético, pela iniciativa de Iria Josepha da Silva e seu marido, Francisco Figueiredo. Tendo sua arquitetura projetada pelo renomado arquiteto italiano Gherardo Bozzani.

Mococa nasceu com o nome de São Sebastião da Boa Vista, passando em 1857 a condição de freguesia do município de Casa Branca. Em 3 de fevereiro de 1873 emancipou-se, tornando-se vila e município, e em 1875, pela iniciativa de Gabriel Garcia de Figueiredo junto ao governo imperial, veio a ser considerada oficialmente uma cidade. Pela lei estadual de 8 de abril de 1911 o município passou a se chamar Mococa.

Após 1888, data da abolição da escravatura, fez-se necessária a substituição da mão de obra escrava. A cidade passou, então, a receber uma massa de imigrantes, em sua esmagadora maioria de italianos (cerca de 10.000) e, em menor escala, de alemães, austríacos, espanhóis, portugueses e libaneses.A partir da década de 1890, Mococa passou pelo seu período áureo, com as riquezas geradas pelos produtores de café proporcionando grandes avanços para a cidade, como a construção da Matriz Nova, a igreja de São Sebastião e o início das operações da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, responsável por escoar a produção cafeeira para o mercado externo e pela chegada dos milhares de imigrantes que Mococa receberia, para trabalhar nas fazendas de café, ao longo das décadas seguintes. O último trem da estação mocoquense partiu em 1966.

Como resultado, houve uma fusão cultural e cosmopolita em pleno "sertão do pardo", período este conhecido como a "belle époque caipira", qualificando Mococa como uma das cidades produtoras do melhor café do Brasil. A florada civilizadora do café tornou os cafeicultores da cidade parte da elite social brasileira.

Porém, entre 1914 e 1918, período da Primeira Guerra Mundial, ocorreu a desorganização do comércio internacional, desestruturando a economia cafeeira devido à retração dos mercados consumidores. Crise que se acentuaria com o Crash da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929.

A partir desse período, os fazendeiros passaram investir na criação de gado de leite. Em 1932, a cidade foi um dos fronts da Revolução constitucionalista no conflito entre mineiros e paulistas.

Em 1959, foi inaugurado o Cine Mococa, um dos mais tradicionais cinemas da região, mantendo sua arquitetura de época intacta.

Três anos mais tarde, em abril de 1963, Mococa recebeu a presença do presidente da república, João Goulart. Onde este inaugurou o Mercado Municipal, o conhecido Mercadão, ao lado do seu ex-ministro da agricultura, o mocoquense Renato Costa Lima.

Durante os anos de chumbo, houve alguns casos onde a repressão da ditadura atuou, como na prisão de Milton Gagliardi, militante comunista da época, que fora transferido para Cajuru. Tendo sido solto algum tempo depois.

Relevante também é a presença de Carlos Lamarca (capitão do Exército na época, conhecido por desertar o mesmo e se juntar a luta armada), em 1967, no Tiro de Guerra 02-022, para realizar uma das muitas inspeções técnicas que o TG passava. Nessa época, seus ideais revolucionários já começavam a se aflorar.

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