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Mohamed Atta

Sequestrador terrorista egípcio (1968–2001)

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Mohamed Mohamed el-Amir Awad el-Sayed Atta (em árabe: محمد محمد الأمير عوض السيد عطا em árabe egípcio: mæˈħæmmæd elʔæˈmiːɾ ˈʕɑwɑdˤ esˈsæj.jed ˈʕɑtˤɑ; Cafrel Xeique, 1 de setembro de 1968 – Nova Iorque, 11 de setembro de 2001) foi um sequestrador terrorista egípcio e o líder dos ataques de 11 de setembro. Ele atuou como piloto sequestrador do voo 11 da American Airlines, colidindo o avião contra a Torre Norte do World Trade Center, como parte dos ataques coordenados. Tendo completado 33 anos apenas dez dias antes, Atta foi o mais velho dos 19 sequestradores envolvidos na missão.

Nascido e criado no Egito, Mohamed Atta estudou arquitetura na Universidade do Cairo, onde se formou em 1990. Posteriormente, continuou seus estudos na Alemanha, na Universidade Técnica de Hamburgo. Foi na cidade alemã que Atta se envolveu com a Mesquita al-Quds, onde conheceu Marwan al-Shehhi, Ramzi bin al-Shibh e Ziad Samir Jarrah, formando o que ficaria conhecido como a "Célula de Hamburgo". Durante esse período, Atta fez várias viagens ao exterior, incluindo uma peregrinação à Meca em 1995. Foi também durante esse tempo que se encontrou com Osama bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda no Afeganistão, entre o final de 1999 e o início de 2000.

Atta e os outros membros da célula de Hamburgo foram recrutados por bin Laden e Khalid Sheikh Mohammed para realizar uma operação envolvendo aviões nos Estados Unidos. Após o encontro com bin Laden, Atta retornou à Alemanha em fevereiro de 2000 e começou a investigar escolas de aviação nos EUA. Em junho de 2000, Atta, Ziad Jarrah e Marwan al-Shehhi chegaram aos Estados Unidos com o objetivo de aprender a pilotar aviões comerciais, obtendo suas licenças de piloto em novembro do mesmo ano.

Em maio de 2001, Atta começou a ajudar na chegada dos sequestradores "musculosos", responsáveis por invadir os aviões. Em julho, ele viajou para a Espanha para se reunir com Ramzi bin al-Shibh e finalizar os detalhes do plano. No mês seguinte, o egípcio embarcou em uma série de voos de vigilância, atuando como passageiro para analisar rotas e coordenar a execução dos ataques. Na manhã de 11 de setembro de 2001, Atta embarcou no voo 11 da American Airlines, que ele e sua equipe sequestraram 15 minutos após a decolagem. Atta assumiu o controle do avião e o colidiu contra a Torre Norte do World Trade Center, entre os andares 93 e 99, às 8h46 da manhã, causando o colapso da torre às 10h28, após 101 minutos de incêndio. Mais de 1 600 pessoas morreram no impacto e nos incêndios subsequentes.

Mohamed Atta variou seu nome em documentos, utilizando também "Mehan Atta", "Mohammad El Amir", "Muhammad Atta", "Mohamed El Sayed", "Mohamed Elsayed", "Muhammad al-Amir", "Awag Al Sayyid Atta" e "Awad Al Sayad". Na Alemanha, ele registrou seu nome como "Mohamed el-Amir Awad el-Sayed Atta" e adotou o nome Mohamed el-Amir na Universidade de Tecnologia de Hamburgo. Em seu testamento, escrito em 1996, Atta se apresenta como "Mohamed, filho de Mohamed Elamir awad Elsayed". Ele era conhecido como Abd al-Rahman al-Misri pela Al-Qaeda. Atta também alegava diferentes nacionalidades, às vezes egípcio e outras vezes dizendo às pessoas que era dos Emirados Árabes Unidos.

Atta nasceu em 1 de setembro de 1968, em Kafr el-Sheikh, localizado na região do Delta do Nilo, no Egito (na época parte da República Árabe Unida). Seu pai, Mohamed el-Amir Awad el-Sayed Atta, era advogado, com formação em direito civil e xaria. Sua mãe, Buthayna Mohamed Mustapha Shiraqi, vinha de uma família rica de agricultores e comerciantes e também era educada. Buthayna e Mohamed se casaram quando ela tinha 14 anos, por meio de um casamento arranjado. A família tinha poucos parentes do lado do pai e mantinha distância da família de Buthayna. Parentes caracterizaram o pai de Atta como "austero, rígido e reservado", e os vizinhos viam a família como reclusa. Atta era o único filho; ele tinha duas irmãs mais velhas, ambas bem-educadas e bem-sucedidas em suas carreiras - uma como médica e outra como professora.

Quando Atta tinha dez anos, sua família se mudou para o bairro de Abdeen, no Cairo, perto do centro da cidade. Seu pai, que mantinha a família isolada, proibiu o jovem Atta de se relacionar com as outras crianças do bairro. Tendo pouco a fazer, ele estudava principalmente em casa e se destacava na escola. Em 1985, Atta se matriculou na Universidade do Cairo e concentrou seus estudos em engenharia. Ele estava entre os melhores alunos; no último ano, ele foi admitido em um programa exclusivo de arquitetura. Depois de se formar em 1990 com um diploma em arquitetura, ele se juntou ao Sindicato de Engenheiros, uma organização controlada pela Irmandade Muçulmana. Em seguida, trabalhou por vários meses no Centro de Desenvolvimento Urbano no Cairo, onde participou de diversos projetos de construção e executou diversas tarefas arquitetônicas. Também em 1990, a família de Atta se mudou para o décimo primeiro andar de um prédio de apartamentos na cidade egípcia de Gizé.

Atta também ficou noivo de uma mulher arranjada por seu pai e sua família no Cairo, no final de 1999, depois de retornar da Alemanha no mesmo ano. Embora o casamento nunca tenha acontecido, o pai de Atta mencionou que eles gostaram um do outro.

Atta se formou na Universidade do Cairo com notas insuficientes para o programa de pós-graduação. Como seu pai insistiu que ele fosse estudar no exterior, Atta, com esse objetivo, ingressou em um programa de língua alemã no Instituto Goethe no Cairo. Em 1992, seu pai ouviu falar de um casal alemão que estava visitando a capital do Egito. O casal explicou durante o jantar que administrava o International Student Exchange Program e convidou Atta a continuar seus estudos na Alemanha; eles também ofereceram alojamento e alimentação em sua casa. Mohamed Atta aceitou o convite e, duas semanas depois, em julho, estava na Alemanha.

Na Alemanha, ele se matriculou no programa de pós-graduação em planejamento urbano da Universidade de Tecnologia de Hamburgo. Inicialmente, Atta morou com dois professores do ensino médio; no entanto, eles acabaram achando sua mentalidade fechada e sua personalidade introvertida demais para eles. Atta começou a seguir uma dieta islâmica mais rigorosa, frequentou mesquitas mais conservadoras, socializou-se raramente e agiu com desprezo em relação à filha solteira do casal, que tinha um filho pequeno. Após seis meses, eles pediram para que ele saísse.

No início de 1993, Atta havia se mudado para uma residência universitária com dois colegas de quarto, no Centrumshaus. Ele permaneceu lá até 1998. Durante esse período, seus colegas de quarto ficaram irritados com ele. Ele raramente tomava banho e eles não conseguiam suportar sua "completa e quase agressiva reclusão". Ele se isolou tanto que frequentemente reagia a simples cumprimentos com silêncio.

Na Universidade de Tecnologia de Hamburgo, Atta estudou sob a orientação do chefe do departamento, Dittmar Machule, que se especializava no Oriente Médio. Atta era avesso ao desenvolvimento moderno, incluindo a construção de arranha-céus no Cairo e em outras cidades antigas da região. Ele acreditava que os blocos de apartamentos monótonos e impessoais, construídos nas décadas de 60 e 70, arruinavam a beleza dos bairros antigos e roubavam a privacidade e a dignidade de seu povo. A família de Atta se mudou para um prédio de apartamentos em 1990; para ele, era apenas "um símbolo decadente das tentativas caóticas do Egito de se modernizar e de sua adesão desavergonhada ao Ocidente". Para sua tese, Atta se concentrou na antiga cidade síria de Alepo. Ele pesquisou a história da paisagem urbana em relação ao tema geral do conflito entre a civilização árabe e moderna. Ele criticou como os arranha-céus modernos e outros projetos de modernização estavam perturbando a estrutura das comunidades, bloqueando ruas comuns e alterando o horizonte.

O professor de Atta, Dittmar Machule, o levou em uma expedição arqueológica a Alepo em 1994. O convite era para uma visita de três dias, mas Atta acabou ficando várias semanas naquele agosto, vindo a visitar Alepo novamente em dezembro. Enquanto estava na Síria, ele conheceu Amal, uma jovem palestina que trabalhava em um escritório de planejamento na cidade. Volker Hauth, que viajava com Atta, descreveu Amal como "atraente e autoconfiante. Ela seguia os costumes muçulmanos, pegando táxis para ir e voltar do trabalho para não entrar em contato físico próximo com homens nos ônibus. Mas também diziam que ela era 'emancipada' e 'desafiadora'. Atta e Amal pareciam estar atraídos um pelo outro, mas Atta logo decidiu que "ela tinha uma orientação bastante diferente e que a emancipação da jovem não se encaixava." Sua incipiente e relutante paixão por ela, era a coisa mais próxima de romance que Atta conhecia. Em meados de 1995, ele ficou por três meses no Cairo, com uma bolsa da Sociedade Carl Duisberg, junto com os colegas Volker Hauth e Ralph Bodenstein. A equipe acadêmica investigou os efeitos do desenvolvimento na Cidade Islâmica do Cairo, o antigo bairro, que o governo estava remodelando para o turismo. Atta permaneceu no Cairo por um tempo com sua família depois que Hauth e Bodenstein voltaram para a Alemanha. Enquanto estava em Hamburgo, Atta ocupou vários empregos, como um de meio período na Plankontor, bem como em uma empresa de planejamento urbano, a partir de 1992. No entanto, ele foi demitido da empresa em 1997, pois seus negócios diminuíram e "sua habilidade de desenho não era mais necessária" após a compra de um sistema CAD. Entre outros empregos temporários para complementar sua renda, Atta às vezes trabalhava em uma empresa de limpeza e às vezes comprava e vendia carros. Atta nutria o desejo de retornar à sua cidade natal, desde que terminou seus estudos em Hamburgo, mas era impedido pela falta de perspectivas de emprego no Cairo, sua família não tinha as "conexões certas" para aproveitar o nepotismo costumeiro. Além disso, depois que o governo egípcio prendeu muitos ativistas políticos, ele sabia que poderia se tornar um alvo, dadas suas crenças sociais e políticas.

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