Neste Dia

Monark (podcaster)

Youtuber e podcaster brasileiro

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Bruno Monteiro Aiub (São Paulo, 17 de agosto de 1990), mais conhecido como Monark, é um youtuber, gamer e podcaster brasileiro. Inicialmente conhecido por publicar vídeos de Minecraft no seu canal "RandonsPlays", alcançou notoriedade nacional como podcaster do Flow Podcast até 2022, quando defendeu a existência de um partido nazista. Vivendo nos Estados Unidos, foi produtor do Monark Talks e atualmente possui sua própria plataforma de vídeos, o Bunker555.

Enquanto apresentador do Flow Podcast, em 2022, Monark defendeu a possibilidade da existência de qualquer partido sem restrições, inclusive a possibilidade de um partido nazista no Brasil. O fato teve repercussão internacional, promoveu um intenso debate sobre os limites da liberdade de expressão e foi objeto de críticas de diversas personalidades, incluindo múltiplas entidades israelitas e da embaixada alemã no Brasil. Após a polêmica, foi desligado do Flow e lançou o Monark Talks, na plataforma Rumble. Posteriormente, Monark foi alvo de ações na Justiça por Alexandre de Moraes por contestar as instituições eleitorais brasileiras. Desde então, vem sofrendo recorrentes bloqueios em suas mídias sociais. No início de 2024, seu canal no YouTube foi excluído por violar as diretrizes de comunidade.

Nascido no seio de uma família sírio-libanesa, filho de um analista de sistemas e uma psicóloga, Monark conta que sempre recebeu incentivo da família, mesmo quando disse que não faria faculdade e sairia de casa. Monark sofreu de depressão por falta de perspectiva na vida. De acordo com o youtuber, ele veio de uma família pobre e tinha como objetivo conseguir R$ 1 milhão. Quando conseguiu o dinheiro, desenvolveu o quadro depressivo, que durou por quatro anos. Aos 24 anos, começou fazer uso recreativo de cannabis como forma de aliviar os sintomas depressivos e ansiosos. Nesse momento, passou a assistir às palestras do psicólogo Jordan Peterson e, de acordo com Monark, isso o fez se tornar agnóstico e a começar a se recuperar da depressão. Logo depois, "encontrou forças" para criar seu podcast.

Originalmente seu apelido era "Monerck", que adotou no jogo online Ragnarök porque, aos 11 anos, estava estudando sobre a monarquia. Eventualmente seus amigos passaram a chamá-lo de Monark por causa da semelhança do apelido com o nome da empresa fabricante de bicicletas.

Em outubro de 2010, Bruno começou a postar vídeos de dicas de Minecraft em seu canal no YouTube, RandonsPlays, para ajudar um grupo de amigos. Ele foi um dos primeiros a fazer vídeos do jogo. Um ano depois, Bruno tinha 4 mil inscritos no seu canal. Em 2012, ele se mudou para Curitiba e assinou um contrato com a Machinima, quando começou a ganhar dinheiro pelos vídeos. Em 2013, ele já tinha 2,3 milhões de inscritos, com uma renda mensal que podia variar entre 15 e 30 mil reais. Segundo ele, ele guardava "90%" do que ganhava e gastava uma parte com outros jogos. Sua ideia na época era montar uma produtora com o Leon, do canal Coisa de Nerd. A partir de outubro de 2013, Monark participou da série "A Era do Futuro", publicada por VenomExtreme. A série foi uma iniciativa coletiva de mais de trinta dos principais jogadores do Brasil e de Portugal jogando em modo multiplayer em um mapa de Minecraft com mais de quarenta modificações, a partir de uma ideia de SirKazzio. Nesta época, Bruno foi considerado um dos maiores canais de jogos do Brasil. Mais tarde, passou a variar os assuntos dos vídeos; seu canal se tornou um vlog falando de cinema, música, super-heróis e seu cotidiano, mas passou a ter um declínio da audiência, voltando a ter sucesso na internet novamente apenas alguns anos depois, com o Flow Podcast.[carece de fontes?]

Na época do RandonsPlays, foi considerado por websites como um dos maiores youtubers de jogos do Brasil. Em 2012, Monark foi entrevistado no Encontro com Fátima Bernardes da Globo. O apresentador trabalhou em marcas como a Coca-Cola, Intel, TIM, Kanui e outras. Em 2018, foi o apresentador e mestre de cerimônias do prêmio Cubo de Ouro, na MegaCon. Também foi estrela na Brasil Game Show nos anos de 2012, 2013 e 2014, e na época parabenizou o trabalho da empresa Twitch, plataforma de streaming que mais tarde se tornou mais popular entre os gamers.

Em 2018, Monark e Igor "3K" Coelho criaram o Flow Podcast; segundo Monark, "gameplay nunca deu tanto dinheiro". No início, Monark e Igor bancavam todos os custos do Flow Podcast, mas, a partir de fevereiro ou março de 2020, o programa começou a se pagar. Nesta época, ambos viviam apenas do Flow Podcast, ganhando dinheiro a partir de patrocínios, AdSense e Twitch. Segundo Monark, o Flow é inspirado no The Joe Rogan Experience, do podcaster Joe Rogan. O UOL e a Exame disseram que o Flow era notável por seu estilo informal, assemelhando-se a uma "conversa de bar". O Flow Podcast esteve frequentemente entre os podcasts de maior audiência no Brasil. O programa estreou na parada de Top Podcasts da Apple Podcasts em 17 de fevereiro de 2019, alcançando o topo da parada em várias ocasiões e em dias consecutivos — a primeira delas em 13 de agosto de 2020. Faturaram o Prêmio Ibest de melhor podcast 2020, indicação ao Prêmio MTV Millennials 2021 e depois novamente à indicação ao Prêmio Ibest de 2021.

Enquanto trabalhava no Flow Podcast, organizou a equipe Wolf Team para disputar campeonatos e ajudar no cenário do jogo Dota 2 no Brasil. De acordo com Monark, seu salário no Flow era de R$ 50 mil. Os Estúdios Flow chegaram ao faturamento estimado de 1,5 milhão, que caiu após a reprovação do público, chegando à beira da falência após as falas nazistas de Monark.

Algumas fontes dizem que Monark é pioneiro e responsável pela popularização do cenário de podcast no Brasil. Foi apelidado de "Joe Rogan brasileiro" pelo jornal americano The New York Times.

Defesa da existência de um partido nazista

Em 7 de fevereiro de 2022, durante o episódio que teve participação dos deputados federais Kim Kataguiri (UNIÃO-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP), o apresentador Monark defendeu a existência de um partido nazista legalizado no Brasil, alegando que isso teria base na Primeira Emenda da Constituição Americana.

Além da defesa da criação do partido nazista, ele sustentou que as pessoas deveriam ter o direito de ser "antijudias". Tabata rebateu a opinião, afirmando que a liberdade de expressão não deve colocar em risco a vida de outros, e que ideologias como o nazismo coloca grupos inteiros em risco.

As declarações do comunicador tiveram repercussão internacional e geraram reação de entidades israelitas, incluindo o Museu do Holocausto de Curitiba, a Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e a Federação Israelita de São Paulo (FISESP). A embaixada da Alemanha no Brasil também se pronunciou. Diversos entrevistados solicitaram que episódios em que foram entrevistados por Monark fossem retirados do ar. Partidos, políticos e ministros do STF repudiaram as falas do comunicador. Empresas que patrocinavam o canal ou já o haviam patrocinado emitiram notas de repúdio às declarações e encerraram contratos com o canal Flow.

A marca de bicicletas Monark negou relação com o podcaster envolvido na polêmica, afirmando repudiar "veementemente qualquer manifestação de racismo ou conduta que possa prejudicar qualquer pessoa ou grupo social". Ainda segundo a Monark, o apresentador usa o apelido sem nenhum tipo de vínculo ou autorização da empresa.

Augusto Aras, procurador-geral da República, abriu investigação, no dia seguinte à fala, para averiguar se Monark e Kim Kataguiri cometeram o crime de apologia ao nazismo durante o episódio. Kataguiri contestou a investigação e criticou Aras, mas afirma que vai colaborar com a investigação. O apresentador também passou a ser investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil pelo mesmo crime. De acordo com o pedido que embasou a abertura do inquérito, o conteúdo do episódio é "inquestionavelmente nazista e antissemita". Foi divulgado que Monark e os responsáveis pelo podcast seriam chamados para depor na Polícia Civil.

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