Neste Dia

Movimento Black Power

Movimento social, político e cultural radical afro-americano nos Estados Unidos

Anúncio

O movimento black power ou movimento de libertação dos negros surgiu em meados da década de 1960, a partir do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, reagindo contra suas tendências moderadas, convencionais e incrementais e representando a demanda por ações mais imediatas para combater a supremacia branca estadunidense. Muitas de suas ideias foram influenciadas pelas críticas de Malcolm X aos métodos de protesto pacífico de Martin Luther King Jr. O assassinato de Malcolm X em 1965, juntamente com as revoltas urbanas de 1964 e 1965, deu início ao movimento. Embora pensadores como Robert F. Williams e Malcolm X tenham influenciado o movimento inicial, as opiniões do Partido dos Panteras Negras são amplamente vistas como a pedra angular. Os ideais partidários foram influenciados por filosofias como o pan-africanismo, o nacionalismo negro e o socialismo, além de eventos contemporâneos, como a Revolução Cubana e a descolonização da África.

Durante o auge do movimento black power no final da década de 1960 e início da década de 1970, muitos afro-americanos adotaram penteados “afro”, roupas africanas ou nomes africanos (como Stokely Carmichael, presidente do Comitê de Coordenação Não Violenta de Estudantes [en], que popularizou a frase “black power” e depois mudou seu nome para Kwame Ture) para enfatizar sua identidade. Outros fundaram lojas comandadas por negros [en], cooperativas de alimentos [en], livrarias, editoras, meios de comunicação, clínicas, escolas e outras organizações voltadas para suas comunidades. As universidades do país começaram a oferecer cursos de estudos negros, e a palavra Black substituiu negro como o uso preferido no país. Outros líderes do movimento foram Huey Newton e Bobby Seale, fundadores do Partido dos Panteras Negras.

Grupos mais extremados, como a organização separatista República da Nova Áfrika e a Liga dos Trabalhadores Negros Revolucionários [en], um partido marxista-leninista. Algumas organizações priorizavam programas sociais, enquanto outras adotavam uma abordagem mais conflituosa; por exemplo, o Partido dos Panteras Negras introduziu um programa de café da manhã gratuito para crianças [en] e estabeleceu clínicas comunitárias, enquanto o Exército de Libertação Negra realizava atentados a bomba e matava policiais. Como o movimento nunca teve uma autoridade ou estrutura central, sua influência foi diluída pelo sucesso crescente dos candidatos negros a empregos no governo, pela aprovação de leis como a Lei de Direitos Civis de 1968 [en], pela expansão dos programas de bem-estar financiados pelo governo federal e pela ação policial contra seus ativistas. Os ativistas dos direitos civis se concentraram cada vez mais na eleição de políticos negros. O movimento black power entrou em declínio em meados das décadas de 1970 e 1980, embora alguns elementos tenham continuado em organizações como o Congresso Radical Negro [en], fundado em 1998, e o movimento Black Lives Matter, que desde 2013 faz campanha contra o racismo e organiza manifestações quando afro-americanos são mortos por policiais [en].

O primeiro uso popular do termo “black power” como slogan social e racial foi feito por Stokely Carmichael (mais tarde conhecido como Kwame Ture) e Willie Ricks (mais tarde conhecido como Mukasa Dada), ambos organizadores e porta-vozes do Comitê de Coordenação Não Violenta de Estudantes [en] (SNCC). Em 16 de junho de 1966, em um discurso em Greenwood, no estado do Mississippi, durante a marcha contra o medo [en], Carmichael liderou os manifestantes em um cântico pelo poder negro que foi televisionado nacionalmente.

A organização Nação do Islã começou como um movimento nacionalista negro na década de 1930, inspirando grupos posteriores. Foi fortemente influenciado pelo pan-asianismo [en], especialmente com relação ao Japão, acreditando em uma unidade entre os povos não brancos. Kevin Gaines argumentou que, na década de 1950, uma versão inicial do movimento Black Power foi contida devido às tensões da Guerra Fria. Isso foi feito por meio de métodos como a restrição de passaportes. Figuras como W. E. B. Du Bois, Paul Robeson e Julian Mayfield [en] fizeram parte desse movimento e alguns, inclusive Mayfield, se sentiram forçados a emigrar para os Estados Unidos e continuar seu ativismo em outros lugares, com Mayfield indo para Gana.

Atribui-se a Malcolm X o grande aumento do número de membros do grupo entre o início da década de 1950 e o início da década de 1960 (de 500 para 25.000, segundo uma estimativa; de 1.200 para 50.000 ou 75.000, segundo outra). Em março de 1964, Malcolm X deixou a Nação do Islã devido a desentendimentos com Elijah Muhammad; entre outras coisas, ele citou seu interesse em trabalhar com líderes dos direitos civis, dizendo que Muhammad o havia impedido de fazer isso. Mais tarde, Malcolm X também disse que Muhammad havia se envolvido em casos extraconjugais com jovens secretárias da Nação‍ — uma grave violação dos ensinamentos do grupo. No dia 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X foi baleado e morto enquanto discursava no Audubon Ballroom, em Washington Heights, na cidade de Nova Iorque. Três membros da Nação do Islã foram condenados por assassiná-lo. Apesar disso, há muito tempo há especulações e suspeitas de envolvimento do governo. Os quarenta policiais presentes na cena do crime foram instruídos por seus comandantes a “se retirarem” enquanto o tiroteio acontecia.

Após os Tumultos de Watts, em Los Angeles, em 1965, o Comitê de Coordenação Não Violenta de Estudantes [en] decidiu cortar os laços com o movimento principal de direitos civis. O grupo argumentava que os negros precisavam construir seu próprio poder, em vez de buscar acomodações na estrutura de poder existente. A entidade migrou de uma filosofia de não violência para uma de maior militância a partir de meados da década de 1960. A organização estabeleceu vínculos com grupos radicais, como o Estudantes por uma sociedade democrática [en].

No final de outubro de 1966, Huey Newton e Bobby Seale fundaram o Partido dos Panteras Negras. Ao formular uma nova política, eles se basearam em suas experiências de trabalho em diversas organizações de poder negro.

Crescimento ao final da década de 1960

Inicialmente, o Partido dos Panteras Negras utilizou leis de porte ostensivo de armas para proteger os membros do partido e as comunidades negras locais das forças policiais. Os membros do partido também registraram incidentes de brutalidade policial seguindo à distância os carros da polícia pelos bairros. Os números aumentaram ligeiramente a partir de fevereiro de 1967, quando o partido forneceu uma escolta armada no aeroporto de São Francisco para Betty Shabazz, viúva de Malcolm X e principal oradora em uma conferência realizada em sua homenagem. Em 1967, o SNCC começou a se desintegrar devido a disputas políticas em sua liderança, e muitos membros foram para os Panteras Negras. Durante todo o ano de 1967, os Panteras organizaram comícios e interromperam a Assembleia do Estado da Califórnia com manifestantes armados.

No ano de 1956, o Federal Bureau of Investigation (FBI) desenvolveu o Programa de Contrainteligência para investigar grupos nacionalistas negros e outros. Em 1969, os Panteras Negras e seus aliados se tornaram os principais alvos da Programa de Contrainteligência, sendo apontados em 233 das 295 ações “nacionalistas negras” autorizadas pelo programa. No ano de 1968, foi fundada a República da Nova Áfrika, um grupo separatista que buscava um país negro no sul dos Estados Unidos, mas que se dissolveu no início da década de 1970.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1968, realizados na Cidade do México, Tommie Smith e John Carlos, medalhistas de ouro e bronze, respectivamente, na prova de 200 metros, levantaram uma mão com luvas pretas quando o hino nacional estadunidense foi tocado durante a cerimônia de entrega de medalhas. Após o ato, Smith declarou que: “Somos negros e temos orgulho de sermos negros. A América negra entenderá o que fizemos”.

Em 1968, muitos líderes dos Panteras Negras haviam sido presos, inclusive o fundador Huey Newton, pelo assassinato de um policial (a acusação de Newton acabou sendo arquivada), mas o número de membros aumentou. Mais tarde, os Panteras Negras enfrentaram a polícia em um tiroteio em um posto de gasolina de Los Angeles. No mesmo ano, Martin Luther King Jr. foi assassinado, criando tumultos em todo o país, a maior onda de agitação social desde a Guerra Civil Americana. Em Cleveland, em Ohio, a “República da Nova Líbia” enfrentou a polícia no tiroteio de Glenville [en], que foi seguido de tumultos. O ano também marcou o início do Partido dos Panteras Brancas, um grupo de brancos dedicados à causa dos Panteras Negras. Os fundadores Pun Plamondon e John Sinclair foram presos, mas acabaram sendo libertados, em conexão com o atentado a bomba contra um escritório da Agência Central de Inteligência (CIA) em Ann Arbor, no Michigan, em setembro daquele ano.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Movimento Black Power | World in Stories