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Mussum

Humorista e ator brasileiro (1941–1994)

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Antônio Carlos Bernardes Gomes (Rio de Janeiro, 7 de abril de 1941 – São Paulo, 29 de julho de 1994), mais conhecido como Mussum, foi um humorista, músico, ator e compositor brasileiro, que consagrou-se em diferentes áreas do entretenimento, iniciando a carreira na música com Os Originais do Samba, e posteriormente integrando o grupo humorístico Os Trapalhões, no qual permaneceu até sua morte.

No início da década de 1960, até então conhecido como "Carlinhos", abandonou a posição de cabo da Força Aérea Brasileira para ir viver da música, sua grande paixão, fundando o grupo musical Os Originais do Samba, onde destacou-se como percussionista e tocador de reco-reco, ganhando os apelidos de "Carlinhos da Mangueira" e "Carlinhos do Reco-Reco", e tornando-se conhecido mundialmente. Seu carisma e bom humor logo o levaram para a televisão, onde atuou em uma série de programas e passou por diferentes emissoras até ser convidado por Dedé Santana para integrar o quarteto humorístico Os Trapalhões ao lado dele, Renato Aragão e Zacarias, tendo sido o 3º integrante da trupe, e o segundo a falecer (quatro anos depois de Zacarias). Junto com Grande Otelo — que lhe deu o apelido, que posteriormente se tornou nome artístico, de "Mussum" — destacou-se como um dos únicos comediantes negros da televisão brasileira na década de 1980.

Em sua vida pessoal, Mussum era conhecido pela sua paixão pelo Morro da Mangueira, sendo um frequentador assíduo do local, assim como integrante da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, onde costumava desfilar todos anos, tendo sido também diretor da ala das baianas. Em carreira solo, Mussum também gravara dois discos de sucesso, ambos com músicas de sua autoria. Ao lado de Almir Guineto, introduziu no país o chamado banjo brasileiro, que viria a se popularizar anos depois, nos pagodes da década de 1990.

Mesmo após sua morte em 1994, a imagem de Mussum permanece viva ao longo das gerações, principalmente por conta dos mais variados memes que circulam com a imagem ou frases do trapalhão na internet.

Mussum nasceu no Morro da Cachoeirinha, no Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro. Filho de dona Malvina Bernardes Gomes, doméstica analfabeta que criou sozinha os filhos após o abandono do marido. Apesar de sonhar se tornar um jogador de futebol, Mussum se focou nos estudos, repassando os ensinamentos para a sua mãe, e concluindo o ensino primário em 1954. Não querendo que o filho interrompesse sua educação, Dona Malvina o matriculou na Fundação Abrigo Cristo Redentor.

No Instituto Profissional Getúlio Vargas, uma das instituições pertencentes a Fundação Abrigo Cristo Redentor, Mussum foi aprovado em uma seletiva para o programa "Nutrição Boa". Em 1957, Mussum obteve o diploma de ajustador mecânico e junto com uma recomendação de trabalho começou a trabalhar como aprendiz em uma oficina no Rocha na Zona Norte do Rio de Janeiro. Serviu na Força Aérea Brasileira durante oito anos.

1960–77: Início, Os Originais do Samba, sucesso na música e transição para a televisão

Enquanto servia a Força Aérea Brasileira, Mussum aproveitava para participar da Caravana Cultural de Música Brasileira de Carlos Machado, sem que a mãe ou outro conhecido soubesse. Ele iniciou sua carreira artística tocando reco-reco no grupo Os Modernos do Samba com os nomes artísticos de "Carlinhos da Mangueira" e "Carlinhos do Reco-Reco".

Posteriormente, fundou com os amigos o grupo Os Sete Modernos, que posteriormente passou a ser chamar Os Originais do Samba, grupo que integrou por 14 anos. Com os Originais, gravou no total 13 álbuns, e obteve vários sucessos, como "Falador Passa Mal", "Tragédia no Fundo do Mar (O Assassinato do Camarão)" e "Aniversário do Tarzan". O grupo chegou a participar de um show histórico ao lado de Baden Powell e realizado no Teatro Bela Vista, em São Paulo, tendo o registro do show lançado em LP pelo selo Philips em 1968. As coreografias e roupas coloridas os fizeram muito populares na televisão, nos anos 1960, tendo o grupo se apresentado em turnês por diversos países, entre eles no México, onde foram chamados de Los Siete Diablos de la Batucada. Numa dessas turnês internacionais, Mussum assistiu a um show da banda de rock britânica Mungo Jerry e ficou fascinado pelo chamado banjo americano, instrumento que, tempos depois, ele e o cantor Almir Guineto, adaptaram, fazendo uma engenhoca e criando assim o chamado "banjo brasileiro", que iria se popularizar, anos mais tarde, no pagode dos anos 1980 e 1990. Segundo o jornalista Juliano Barreto (autor de sua biografia), Mussum foi um dos primeiros cantores a utilizar reco-reco de metal, que até então era um instrumento feito com bambu; por ser mecânico, Mussa teria criado um reco-reco com peças de carro e chapas de metal.

Devido a seu carisma, gingado e bom humor, Mussum sempre se destacava entre os membros do grupo. Após algumas aparições na TV Tupi, muitas pessoas, entre elas a cantora Elza Soares, acreditavam que ele poderia fazer sucesso como humorista, mas Mussum sempre recusava os convites, justificando-se com a afirmação de que pintar a cara, como é costume dos atores, não era coisa de homem.

Finalmente, em 1965, aceitou fazer uma participação no programa humorístico Bairro Feliz, exibido pela TV Globo, e atuando ao lado do comediante Grande Otelo. Foi nos bastidores deste programa que Otelo teria dado ao então Carlinhos o apelido de "Mussum", uma referência ao peixe homônimo de coloração preta e origem sul-americana. O apelido teria inicialmente o irritado, mas Otelo o convenceu de que Carlinhos não seria um bom nome para um artista; e como o mesmo já havia caído na boca do povo, passou a se apresentar oficialmente como Mussum a partir daí. O sucesso foi tanto que Chico Anysio o convidou para ser um dos alunos da Escolinha em seu programa Chico Anysio Show, exibido pela TV Rio na época. Consta-se que foi o próprio Chico quem sugeriu a Mussum o uso da sua linguagem característica, terminando as palavras em is, como "tranquilis" e "como de fatis", algo que se tornaria marca registrada de seu personagem.

Através do amigo Jair Rodrigues, Mussum foi apresentado a Dedé Santana, que na época formava a dupla cômica Didi e Dedé ao lado de Renato Aragão. Dedé convidou Mussum para se juntar a eles, e o mesmo, após muita insistência, acabou aceitando. Ao lado dos dois, Mussum atuou nos humorísticos Os Insociáveis e Praça da Alegria, ambos exibidos pela Record.

Em 1973, Mussum voltou para a Tupi ao lado de Renato, Dedé, Mussum e Mauro Gonçalves (o Zacarias), dando início ao programa humorístico Os Trapalhões, que se tornou um dos maiores sucessos da TV brasileira, batendo a audiência do Fantástico. O sucesso do programa teria incomodado Boni que convidou os Trapalhões para levar seu programa para a Globo, troca que só seria realizada no ano de 1977 após uma lista de três folhas de exigências feitas por Aragão.

Em 1976, já como integrante d'os Trapalhões, Mussum fez sua estreia nos cinemas no filme O Trapalhão no Planalto dos Macacos no papel do Guarda Azevedo.

1977–90: Os Trapalhões, separação e volta do quarteto, discos solo e consagração

Mesmo já tendo deixado Os Originais do Samba nessa época, Mussum nunca se afastou da indústria musical. Em 1978, lançou seu primeiro disco solo intitulado “Água Benta”. Em 1980 e 1983 lançou, pelo selo RCA Victor dois LPs, ambos intitulados “Mussum”. Também pelo selo RCA Victor lançou em 1981 um single e um compacto, e em 1982 um single com as músicas “O Amigo da Criança (Melô do Piniquinho)” (composição dele e Silvio da Parada) e “Camisa 10” (Hélio Matheus e Luis Vagner). Em 1983 lançou, pelo selo EMI-Odeon, um compacto simples com Dedé Santana e Zacarias, que inclui as faixas “Todo mundo deve ser mais criança” (Renato Corrêa e Cláudio Rabello) e “Vamos a luta” (Mussum, Neoci, Adilson Victor e Jorge Aragão). Em 1987 lançou, pelo selo Continental, mais um LP intitulado “Mussum”.

Em 1983, durante a separação d'os Trapalhões (que durou apenas seis meses), Mussum participou (ao lado de Dedé e Zacarias) do humorístico A Festa é Nossa e do filme Atrapalhando a Suate, produzido pela DeMuZa Produções, empresa fundada pelos três e que cuidava da parte lucrativa de ambos.

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