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Nélida Piñon

Escritora brasileira (1938-2022)

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Nélida Cuíñas Piñón CRB • GOIH • COCS • OMC (Rio de Janeiro, 3 de maio de 1934 – Lisboa, 17 de dezembro de 2022) foi uma escritora brasileira, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), tendo sido a primeira mulher a presidi-la, comandando os eventos do Centenário. Foi uma das escritoras brasileiras mais conhecidas e traduzidas internacionalmente.

Conhecida por uma linguagem poética e requintada, calcada na estrutura narrativa, Nélida Piñon começou publicando Guia Mapa de Gabriel Arcanjo (1961). Sua obra mais considerada, estudada e lida é, sem dúvidas, o romance A República dos Sonhos (1984), com a temática da imigração europeia ao Brasil e da dupla cultura, uma saga familiar em que honra seus antepassados galegos e pensa numa República brasileira democrática. O livro A Casa da Paixão (1972) explora o erotismo e a liberdade feminina. Vozes do Deserto reconta a imaginação e o veio narrativo de Xerazade das Mil e Uma Noites para driblar o despotismo do califa.

Também publicou vários contos em coletâneas, notadamente em O Calor das Coisas (1980) e A Camisa do Marido (2019). Nos últimos anos, lançou sobretudo livros de discursos, ensaios, crônicas e pensamentos autobiográficos. Seu último livro, no entanto, o romance Um Dia Chegarei a Sagres (2020), provou seu fôlego para a escrita longa.

Nélida Piñon recebeu muitos prêmios nacionais e internacionais ao longa da vida, sendo o Juan Rulfo em 1995 e o Príncipe das Astúrias em 2005, ambos pelo conjunto da obra, dos mais significativos. Segundo Merval Pereira, presidente da Academia Brasileira de Letras, Nélida foi "provavelmente, a maior escritora viva do país".

Filha de Lino Piñón Muíños e Olivia Carmen Cuíñas Morgado, de origem galega, do concelho de Cotobade. Seu nome é um anagrama do prenome de seu avô materno Daniel Cuiñas Cuiñas.

Formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), tendo sido editora e membro do conselho editorial de várias revistas no Brasil e exterior. Também ocupou cargos no conselho consultivo de diversas entidades culturais em sua cidade natal.

Estreou na literatura com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, publicado em 1961, que tem como temas o pecado, o perdão e a relação dos mortais com Deus.

No romance A República dos Sonhos, baseado em uma família de imigrantes galegos no Brasil, ela faz reflexões sobre a Galícia, a Espanha e o Brasil.

Nélida Piñon foi também ligada a outras instituições culturais. Era académica correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e, em outubro de 2014, entrou na Real Academia Galega. Foi a primeira ocupante da cadeira de número 51 da Academia Brasileira de Filosofia.

Nélida morreu em Lisboa em 17 de dezembro de 2022, aos 88 anos. Estava internada em um hospital na capital portuguesa para tratamento na vesícula. Havia sido submetida a uma cirurgia, da qual se recuperava, mas sofreu complicações e não resistiu.

Eleita em 27 de julho de 1989 para a cadeira que tem por patrono Pardal Mallet, da qual foi a quinta ocupante e sucedendo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Tomou posse em 3 de maio de 1990, recebida por Lêdo Ivo. Abaixo, trecho de seu discurso de posse em maio de 1990:

[...] Chego à Academia Brasileira de Letras trazida inicialmente pela paixão da Linguagem e pela fidelidade à imaginação, este território pelo qual transita a liberdade. Nessa jornada me secundam companheiros de ofício, amigos, familiares, rostos que vi de relance e jamais pude esquecer. [...]

Foi a primeira mulher a se tornar presidente da Academia Brasileira de Letras, entre 1996 e 1997, tendo conduzido a Academia durante os eventos do seu Centenário.

Sua obra já foi traduzida em inúmeros países, tendo recebido vários prêmios ao longo de mais de 35 anos de atividade literária. O mais recente foi o Prêmio Príncipe de Asturias das Letras de 2005, conferido na cidade espanhola de Oviedo. Concorreram a este prêmio escritores de fama mundial, como os norte-americanos Paul Auster e Philip Roth, e o israelense Amos Oz; ao todo, mais de dezesseis países estavam representados no concurso.

Entrevista de Nélida Piñon concedida ao professor Wagner Lemos

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