Nabil Georges Bonduki (São Paulo, 4 de fevereiro de 1955) é um arquiteto, urbanista, professor universitário, escritor e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). É Professor Titular de Planejamento Urbano da Universidade de São Paulo (USP) e Professor Visitante na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em 2024 foi eleito para o 3º mandato de Vereador de São Paulo com 49.540 votos.
Exerceu mandato de vereador na Câmara Municipal de São Paulo entre 2001 e 2004 e entre 2013 e 2016. pelo Partido dos Trabalhadores (PT), tendo tido papel fundamental da elaboração do Plano Diretor Estratégico de São Paulo em 2002 e 2014. Foi Secretário Municipal de Cultura de São Paulo e é colunista de órgãos de imprensa como CartaCapital, a partir de 2010, Folha de S.Paulo. (2017-2022) e Rádio USP (2019-atual).
Nabil nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1955 sendo descendente de imigrantes sírios oriundos da cidade de Homs. É filho de Gabriel Georges Bonduki, comerciante sírio da região da 25 de Março e editor de um jornal em tipografia árabe para a comunidade árabe-brasileira, e da síria radicada na argentina Suad Orfali Bonduki.
Sua carreira acadêmica se iniciou no ano de 1974, quando ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde formou-se no ano de 1978. Ainda na graduação, Nabil participou de grupos de pesquisa sobre o padrão periférico de crescimento das cidades brasileiras, campo de pesquisa relativamente novo nos estudos urbanos brasileiros, junto a pesquisadores como Raquel Rolnik, Lucio Kovarick, Gabriel Bolaffi, Rodrigo Lefebvre, Ermínia Maricato e Francisco de Oliveira.
Em paralelo à sua graduação, Nabil Bonduki iniciou sua carreira na docência lecionando linguagem arquitetônica no cursinho pré-vestibular do Colégio Objetivo, em 1975. Ainda assim, seus primeiros passos como professor universitário foram dados na Universidade de Taubaté, em 1979, e nas Belas Artes, no ano de 1982. Influenciado pelos escritos revolucionários de Sergio Ferro, que rebaixavam a figura do arquiteto no canteiro de obras para ressaltar a importância do trabalhador da construção civil na produção habitacional, Nabil fundou o Laboratório de Habitação das Belas Artes, que prestava assessoria técnica para movimentos de moradia. Essa experiência serviria de base para o programa pioneiro de construção habitacional por mutirões autogeridos durante a prefeitura de Luiza Erundina, que, apesar de descontinuada na gestão de Paulo Maluf, serviu de embrião para políticas como Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) e Minha Casa, Minha Vida - Entidades.
No ano de 1987, Nabil concluiu seu mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas na FAU USP, intitulado "Habitação & Autogestão: construindo territórios de utopia", orientado pelo sociólogo Gabriel Bolaffi. Em sua dissertação, o urbanista aprofunda conceitualmente a sua experiência vivida nos canteiros autogeridos pelo movimento de moradia nas periferias de São Paulo.
No ano de 1995, obteve seu doutorado em Estruturas Ambientais Urbanas na mesma instituição, orientado por Flávio Villaça e chamado "Origens da habitação social no Brasil: arquitetura moderna, lei do inquilinato e difusão da casa própria", onde Bonduki faz um panorama histórico da formação das políticas habitacionais no país e seu crescimento difuso até a Ditadura militar brasileira.
Nabil Bonduki começou a lecionar na Universidade de São Paulo no ano de 1986, para o curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos (que hoje faz parte do Instituto de Arquitetura e Urbanismo). Em 2003, passou a integrar o Departamento de Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo. Em 2011, foi aprovado no exame de Livre-Docência. Desde 2013, é Professor Titular de Planejamento Urbano na mesma instituição. No ano de 2018, foi professor visitante na Universidade da Califórnia, na cidade de Berkeley, com apoio do Programa Fulbright.
Pesquisador em urbanismo e história da arquitetura, Bonduki é autor de treze livros. Em 2015, recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia" pelo livro "Pioneiros da Habitação Social". É autor de centenas de artigos acadêmicos e em órgãos de imprensa especializada e geral. Foi colunista da revista CartaCapital, do jornal Folha de S. Paulo e da Rádio USP.
Como urbanista, prestou consultoria para inúmeros municípios na elaboração de planos diretores e de habitação, como Franca, Ipatinga, Taboão da Serra, Nova Iguaçu, São Paulo, Salvador, além do Distrito Federal. Foi consultor para a elaboração da Política Nacional de Habitação de Moçambique (2009) e do Plano Nacional de Habitação de Cabo Verde (2010).
Foi Superintendente de Habitação Popular do município de São Paulo (Gestão Luiza Erundina (PT), 1989-92), tendo coordenado o Programa de Habitação de Interesse Social do município.
No ano de 2000, foi eleito Vereador do município de São Paulo (2001-4) com 20.737 votos, coordenou a elaboração do substitutivo do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (Lei nº. 13.430/2002) e dos Planos Regionais das 31 subprefeituras do município.
Atuou na coordenação da consultoria para a elaboração do Plano Nacional de Habitação (2007-8). Em 2011 e 2012, foi secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, onde coordenou a implementação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos e organização da agenda de sustentabilidade urbana do ministério.
No ano de 2012, foi eleito novamente vereador de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com 42.411 votos. Também em 2012, foi coordenador do programa de desenvolvimento urbano do então pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Como vereador do município de São Paulo (2013-2016), foi o relator e autor do Substitutivo do Plano Diretor Estratégico de São Paulo (2014), premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Elaborou dezenas de Projetos de Lei nas áreas de urbanismo, cultura, meio ambiente, mobilidade, habitação e direitos humanos. É de sua autoria inúmeras leis em vigor na cidade, como a que criou o VAI 1 e o VAI 2 (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais), voltada para apoiar projetos culturais de jovens na periferia da cidade e o Fomento à Dança; a Gestão Participativa de Praças; obrigatoriedade de colocar em nome da mulher a moradia promovida pela prefeitura; o Programa Ruas Abertas, a obrigatoriedade da alimentação escolar incluir produtos orgânicos; a isenção de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) para teatros e cinema instalados em edifícios junto a rua, entre outros.
No início de 2015, foi nomeado pelo prefeito Fernando Haddad, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, sucedendo Juca Ferreira, que assumiu o Ministério da Cultura. Na Secretaria de Cultura implementou, entre outras iniciativas, a SPCine, empresa da Prefeitura de São Paulo voltada para o audiovisual, o Carnaval de Rua, o Circuito Municipal de Cultura e fortaleceu a rede de casas de cultura da secretaria. Saiu do cargo, sendo substituído por Maria do Rosário Ramalho.
Em abril de 2016, reassumiu o mandato de vereador e concorreu nas eleições para o legislativo em outubro do mesmo ano, mas não se elegeu, tendo recebido mais de 23.269 votos e ficando na primeira suplência.
No ano de 2022, após a eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o seu terceiro mandato, Nabil Bonduki foi convidado a integrar o grupo de "Cidades" da transição do governo, ao lado de figuras como Guilherme Boulos, João Campos, Ermínia Maricato e Inês Magalhães.