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Nazaré (Portugal)

Município de Portugal

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Nazaré é uma vila portuguesa, sede de município, da região Oeste com cerca de 10 300 habitantes.

Situada na província histórica da Estremadura, e no distrito de Leiria. Integra a NUTII do Oeste e Vale do Tejo..

O Município da Nazaré tem 82,43 km² de área e 14 885 habitantes (2021) .

O espaço urbano da vila aglutina três antigos povoados — Pederneira, Sítio da Nazaré e Praia da Nazaré — e novos bairros da segunda metade do século XX, como a Urbisol ou o Rio Novo, surgidos em consequência da expansão natural dos três núcleos primitivos.

A Nazaré está localizada a 99 km a norte de Lisboa (122 km via A8, ou 128 km via IC2 / A1), a 210 km a sul do Porto (224 km via IC2 / A1, ou 215 km via A17), e a 88 km a sudoeste de Coimbra (109 km via A1 / A8).

O concelho teve a designação de "Pederneira" até 1912, ano em que, por lei, o topónimo foi alterado para "Nazaré". O antigo concelho da Pederneira teve foral em 1514, dado por D. Manuel I, e esteve integrado nos coutos de Alcobaça.

A antiga povoação da Pederneira - que constitui atualmente um dos bairros da vila da Nazaré - mantém ainda o edifício dos antigos paços do concelho, o pelourinho, a igreja Matriz de nossa Senhora das Areias e a igreja da Misericórdia, como testemunhos da sua antiga condição de vila sede de concelho.

O topónimo "Nazaré" está intrinsecamente ligado à Lenda de Nossa Senhora da Nazaré.

Ao longo do século XX, a Nazaré evoluiu progressivamente de uma aldeia piscatória para uma aldeia dedicada ao turismo, tendo sido um dos primeiros pontos de interesse turístico internacional em Portugal. A indústria do turismo é hoje um dos principais empregadoras da vila.

É na Nazaré que foi registado o recorde mundial da maior onda já surfada, com cerca de 30 metros, estabelecido por Garrett McNamara, na Praia do Norte, em novembro de 2011.

Devido à projeção mundial que têm as ondas gigantes da Nazaré, a vila tornou-se na anfitriã dos maiores campeonatos internacionais de surf' e recebe muitos desportistas dessa modalidade, assim como milhares de curiosos e de turistas que vêm apreciar as suas corajosas demonstrações.

Faz parte da tradição nazarena o uso de sete saias pelas suas mulheres. A explicação não é consensual, mas está intimamente ligada à faina: as nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí horas em vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para proteger a cabeça e ombros da maresia e as restantes para tapar as pernas.

As sete saias das mulheres e a camisa de flanela e barrete preto dos homens atraíram, durante os anos 50 e 60, do século passado, nomes como Lino António, Jorge Barradas, Stanley Kubrick ou Cartier-Bresson, que documentaram, em pintura e fotografia, o dia-a-dia do povo nazareno.

A região da Nazaré, localizada a cerca de 100 km a norte de Lisboa, é um dos locais mais conhecidos do mundo para a prática de surf. A formação de ondas gigantes relaciona-se com a existência do Canhão da Nazaré. Este canhão é um vale submarino profundamente encaixado, limitado por grandes ravinas, que se formou como resultado da erosão e da existência da Falha da Nazaré. Esta falha terá sido uma falha normal, inclinada para norte, durante o Mesozoico, mas, no Cenozoico, passou a comportar-se como uma falha inversa. É uma falha interplaca, o que significa que ocorre entre duas placas tectônicas. O deslocamento vertical dos blocos adjacentes é uma característica comum das falhas interplaca. Associados à Falha da Nazaré, ocorreram, no Canhão da Nazaré, dois sismos com magnitudes de 5,6 e de 4,1, em 26 de dezembro de 1962 e em 19 de agosto de 2016, respetivamente. O canhão tem início a sudoeste do Forte de São Miguel Arcanjo, a pouca distância da praia, e estende-se por mais de 200 km, de 50 metros a 4500 metros de profundidade. A existência do Canhão da Nazaré tem consequências no hidrodinamismo, pois potencia a formação de grandes ondas, dependendo das características do vento e da agitação marítima. Em termos geológicos, na zona da Nazaré afloram calcários e rochas detríticas, e, em profundidade, existem evaporitos ‒ gesso e sal-gema. Todas estas rochas se depositaram na Bacia Lusitaniana, uma bacia de sedimentação que se formou na região oeste de Portugal, durante o Mesozoico. A norte da Nazaré aflora, também, um filão cuja formação está relacionada com o Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra, que foi datado com cerca de 70 milhões de anos (Ma). Na rocha que constitui o filão, a matriz deve incluir cristais de plagióclase cálcica e moscovite. As erupções vulcânicas associadas à ascensão de magmas basálticos tendem a dar origem a escoadas. Considerando a idade estimada para o filão, a datação da rocha que o constitui pelo método 40K-40Ar, em que o período de semivida do 40K é de 1250 Ma, revelará uma percentagem de isótopo-pai de 50%.

Capela de Nossa Senhora dos Anjos

Igreja de Nossa Senhora da Nazaré

Igreja da Misericórdia da Pederneira

Ermida da Memória ou Capela de Nossa Senhora da Nazaré

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Nazaré (Portugal) | World in Stories