Nereu e Aquileu, chamados também Nereu e Aquiles (em latim: Nereus et Achilleus) foram dois santos mártires de Roma, Itália, condenados à morte, provavelmente no tempo de Diocleciano, imperador romano de 284 a 305. Eles são celebrados no dia 12 de maio. No mesmo dia celebra-se também Pancrácio de Roma e de 1595 até 1969 Flávia Domitila, quem provavelmente não tinha com eles alguma relação.
O Papa Dâmaso I, papa de 366 até 384, colocou no túmulo de Nereu e Aquileu uma inscrição da qual dois notáveis fragmentos foram encontrados in situ por Giovanni Battista De Rossi em 1874.
Já antes do ano de 1874, se conhecia o texto completo da inscrição, conservado, com a indicação da sua localização e da identidade dos dois mártires, em vários manuscritos do oitavo século} que continham cópias feitas no século VII. Um exemplo é um manuscrito de Einsiedeln, que numa seção com o título Inscriptiones Urbis Romae diz que esta inscrição era "in sepulchro Nerei e Achillei" e que se referia a "Nereus et Achilleus martyres". El texto encontra-se também em manuscritos de Heidelberg, Klosterneuburg e Gottwick. A descoberta em 1874 do original tornou ainda mais evidente quem são os mártires alugados por Dâmaso.
Militiae nomen dederant saevumq(ue) gerebant
officium, pariter spectantes iussa tyranni,
praeceptis pulsante metu servire parati.
Mira fides rerum: subito posuere furorem,
conversi fugiunt, ducis impia castra relinquunt,
proiciunt clipeos faleras telaq(ue) cruenta,
confessi gaudent Christi portare triumfos.
Credite per Damasum possit quid gloria Christi.
Tradução: Eles tinham alistado para o serviço militar e estavam realizando a sua função cruel, da mesma maneira atentos aos comandos do tirano, prontos para obedecer às ordens, compelidos pelo medo. Maravilha mas é verdade! De repente depositam a sua raiva. Convertidos fogem, abandonam o acampamento mau do comandante, arremessam os seus escudos, as suas condecorações e as suas armas sangrentas. Ao confessarem a Cristo, se alegram de levar os triunfos dele. Pela autoridade de Dâmaso acredite o que pode fazer a glória de Cristo.
Este texto, no qual o pensamento e a terminologia do último verso lembram uma inscrição de Dâmaso sobre a conversão de São Paulo, celebra como semelhante milagre brilhante de conversão por el poder de Cristo a de Nereu e Aquileu, que devem ter sido soldados da guarda pretoriana de Roma.
Os historiadores consideram provável que estes dois santos foram mortos na perseguição de Diocleciano, dirigida inicialmente contra os cristãos do exército (295-298) e, em seguida, contra a Igreja cristã como tal (a partir do ano 303).
Uma lenda tardia (século V ou VI) representa a Nereu e Aquileu não como soldados, senão como eunuchi cubicularii (eunucos ao serviço do quarto de dormir). Este documento, os Atos dos Santos Nereu e Aquileu os representa como ao serviço da dama nobre Flávia Domitila, descrita inicialmente como sobrinha do imperador romano Domiciano (81–96) e mais tarde no texto como sobrinha de certo cônsul Clemens, geralmente identificado como Titus Flavius Clemens, marido duma sobrinha do mesmo imperador chamada Flávia Domitila.
Nesta lenda Nereu e Aquileu convencem a sua patroa que a virgindade é melhor que o casamento. O noivo dela obtém do imperador que ela seja relegada numa ilha. Lá Nereu e Aquileu, que acompanham a sua patroa, se debatem com dois discípulos de Simão Mago. Por continuarem a confirmar a Domitila na sua recusa do noivo, são trazidos para o continente e torturados e mortos em Terracina. Um discípulo deles leva os seus corpos a Roma e os sepulta "no campo de Domitila na cripta duma carreira … na Via Ardeatina a uma milha e meia do muro da cidade, perto da sepultura em que foi enterrada Petronila, a filha de São Pedro".
De acordo com Dennis Trout, os detalhes foram incluídos a fim de ligar a história com os mártires sepultados em túmulos vizinhos, para aumentar a confiança dos leitores na admoestação dos Atos para a castidade, e para validar a genuinidade do túmulo de Nereu e Aquileu, ponto de interesse, como o de Santa Petronila, para os visitantes às Catacumbas de Domitila.
Esta lenda é mais tardia do texto de Dâmaso gravado em mármore, pelo menos, um século antes, o primeiro testemunho do martírio dos Santos Nereu e Aquileu, como confirmam Dennis Trout, J.H. Crehan, Everett Ferguson e Johann Peter Kirsch