Neste Dia

New Deal

Série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937

Anúncio

O New Deal (em português, novo acordo ou novo contrato) foi uma série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, além de auxiliar os prejudicados pela Grande Depressão. Seu nome foi inspirado em Square Deal, nome dado por Theodore Roosevelt à sua política econômica.

Essas políticas econômicas, até então inusitadas, foram adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por Hjalmar Schacht na Alemanha, cerca de três anos mais tarde, foram racionalizadas pelo economista John Maynard Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.

Na década de 1930, os Estados Unidos atravessaram um período em que um grande número de norte-americanos viveram na absoluta pobreza, desesperadamente necessitando mais alimentos, roupas e abrigos. Paradoxalmente, os recursos produtivos (fazendas, fábricas, máquinas, mão de obra) que poderiam prover estes alimentos, roupas e abrigos estavam paralisados: não produziam nada.

Tanto Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, quanto o economista John Maynard Keynes já haviam previsto que "a aceleração dos ganhos de produtividade provocada pela revolução taylorista levaria a uma gigantesca crise de superprodução se não fosse encontrada uma contrapartida em uma revolução paralela do lado da demanda", que permitisse a redistribuição da renda para aumentar o consumo. A Grande Depressão dos anos 1930 tornou-se uma gigantesca crise de superprodução, numa trágica confirmação daquelas previsões.

Segundo Flávio Limoncic, acadêmico da UFRJ, o New Deal iniciou "a tensa construção do pacto entre Estado, trabalho organizado e capital, ou regulação fordista keynesiana do capitalismo que [...] fundamentaria o peculiar Estado de Bem-Estar americano e o longo período de prosperidade que se estenderia até fins dos anos 1960." Para o estudioso, "a regulação fordista keynesiana baseava-se em um pacto segundo qual o Estado assumia papéis keynesianos, de forma a tornar-se um demandador da indústria privada e um fornecedor de salários indiretos, com o objetivo de universalizar o consumo; o capital repassava ganhos de produtividade do trabalho aos salários (relação salarial fordista), buscando assim assegurar a estabilidade do sistema e, por fim, os sindicatos aceitavam a ordem capitalista, em troca de sua incorporação ao mundo do consumo".

Logo após sua eleição, Franklin Delano Roosevelt e sua equipe econômica, chamada de primeiro "Brain Trust", elaboraram uma série de políticas públicas em torno de 3 'Rs': Relief, Recovery, Reform (Alívio, Recuperação e Reforma). O Estado, portanto, agiria em vias de aliviar a situação financeira de setores mais afetados pela crise econômica, como os agricultores e jovens desempregados por meio de programas imediatos de auxílio (Relief); tentaria recuperar o crescimento econômico através de políticas para reorganizar e equilibrar o orçamento do Estado e exercer um maior controle sobre o sistema bancário estadunidense (Recovery); e criaria reformas políticas que promovessem um maior bem-estar e segurança para a população no longo prazo, assim tentando garantir a continuidade do crescimento econômico do país no futuro (Reform).

Assim sendo, este período foi marcado pela centralidade da recuperação industrial e da agricultura para promover uma retomada da economia: através de programas como o NIRA (National Industry Recovery Act) e AAA (Agricultural Adjustment Act), o governo federal procurou reorganizar esses setores com maior controle estatal fixando preços, destruindo estoques de gêneros agrícolas, estabelecendo metas específicas de produção para evitar outra crise superprodutiva e assumindo a responsabilidade pela comercialização das commodities. Esses programas obtiveram um impacto muito positivo na recuperação da agricultura, muitas vezes favorecendo grandes proprietários frente à pequenos produtores, enquanto os projetos de reorganização da indústria não tiveram tanto sucesso na época, em parte devido à dificuldade de conciliar grandes empresas com os sindicatos de trabalhadores. Através do investimento em grandes obras públicas de infraestrutura como rodovias, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos, etc., o governo conseguiu gerar milhões de empregos domésticos, fortalecendo as economias regionais e redistribuindo renda para as camadas mais baixas da sociedade estadunidense.

O Primeiro New Deal foi marcado por uma série de tentativas de negociação com o grande capital dos Estados Unidos, postura que seria duramente criticada pelos agentes do Segundo New Deal posteriormente. Dentro desta primeira equipe de Roosevelt, se destacam nomes como: Raymond Moley, Rexford Guy Tugwell e Adolf A. Berle Jr.. Esses intelectuais, membros do Brain Trust, construíram uma base teórica para a criação de políticas públicas que visavam restaurar a estabilidade na economia americana, temendo inclusive a ascensão do radicalismo político no país.

A partir do fracasso de muitas das políticas econômicas iniciais do governo de Franklin D. Roosevelt, um novo grupo de intelectuais se junta para pensar a saída da crise: homens como Thomas Corcoran, Thurman Arnold, Henry Wallace e Leon Handerson foram pensadores que enxergavam que o caminho a ser seguido pelo Estado para a recuperação econômica não poderia ser conciliatório com os grandes empresários e conglomerados, responsáveis pela quebra da bolsa em 1929, mas combativo, agindo como regulador e articulador da economia dos Estados Unidos. Esses intelectuais eram identificados com três principais escolas de pensamento: o atomismo, o pluralismo industrial e o realismo jurídico.

Os atomistas estavam focados na produção de políticas que descentralizassem a economia americana, criando maior competitividade e evitando monopólios, defendendo inclusive certa parcimônia na intervenção do Estado na economia. Os pluralistas industriais defendiam a necessidade de se colocar os interesses coletivos acima dos individuais no âmbito das relações econômicas, particularmente no tocante às relações entre trabalhadores e patrões, defendendo a intervenção do Estado como mediador para assegurar o equilíbrio de interesses. Já os realistas jurídicos, representados por exemplo por Thurman Arnold, se opunham à ideia dos “princípios gerais” das leis, a base vista como abstrata de uma estrutura jurídica que, segundo esse grupo, favorecia os mais ricos. O realismo defendia então que as instituições não deveriam ser defendidas com base nesses princípios abstratos, mas que podiam ser modificadas de acordo com interesses políticos que contemplassem a maior parte da população, com foco nos resultados materiais de determinadas políticas públicas.

Neste período, intensificou-se a intervenção estatal na economia, com setores inteiros da indústria sendo estatizados para promover mais empregos à população e se iniciou uma profunda campanha contra os monopólios do país, compreendidos como uma das grandes causas para a situação de crise econômica geral da população. São instituídos novos impostos sobre as camadas mais ricas e muitos direitos trabalhistas foram instituídos, como a jornada de trabalho máxima de 8h, salário mínimo, aposentadoria (para maiores de 65 anos) e seguro-desemprego, além de um fortalecimento geral dos sindicatos urbanos.

A política de intervenção estatal começou a ser adotada primeiro nos Estados Unidos, com o anúncio pelo presidente Franklin Roosevelt de uma série de medidas que ficaram conhecidas como New Deal (novo acordo, em português) e que passaram a ser concretizadas em 1933. Dentre elas, se destacam:

controle sobre bancos e instituições financeiras e econômicas;

construção de obras de infraestrutura para a geração de empregos e aumento do mercado consumidor;

concessão de subsídios e crédito agrícola a pequenos produtores familiares;

criação de Previdência Social, que estipulou um salário mínimo, além de garantias a idosos, desempregados e inválidos;

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
New Deal | World in Stories