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Ney Neves Galvão

Economista brasileiro

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Ney Neves Galvão (Rio Pardo, 22 de março de 1902 — Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1990) foi um economista brasileiro. Foi ministro da Fazenda, de 21 de dezembro de 1963 a 3 de abril de 1964. Foi substituído interinamente por Waldyr Ramos Borges, de 16 a 20 de março de 1964.

Ney Neves Galvão nasceu em Rio Pardo (RS), no dia 22 de março de 1902, filho do major Mário Galvão e de Afonsina Neves Galvão, descendente da tradicional família de militares Andrade Neves. Entre seus parentes ilustres estavam José Joaquim de Andrade Neves, o Barão do Triunfo, destacado na Guerra do Paraguai, e o general Francisco Ramos de Andrade Neves, que ocupou postos de grande relevância no Exército brasileiro durante as décadas de 1930–1940.

Juventude Militar e o Levante de 1922

Após realizar seus estudos secundários no Colégio Militar de Porto Alegre, Ney transferiu-se para a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, cujo curso não chegou a concluir. Participou da revolta de 5 de julho de 1922, que envolveu o forte de Copacabana e efetivos da Vila Militar, dando início ao ciclo dos levantes tenentistas da década de 1920. Em consequência, foi desligado do Exército junto com quase todos os colegas que haviam participado do movimento.

Em 1923, ingressou no Banco da Província do Rio Grande do Sul, iniciando assim sua carreira bancária. Exerceu o cargo de Superintendente, o mais elevado posto da carreira funcional, sendo eleito Diretor em 1955 e reeleito em 1960.

Presidência do Banco do Brasil (1961–1963)

Amigo íntimo do recém-empossado presidente João Goulart, Ney Galvão foi nomeado para a presidência do Banco do Brasil em 12 de setembro de 1961, quando a economia brasileira já manifestava fortes indícios de uma profunda crise. Nesse cargo, orientou as atividades do banco para o financiamento às exportações e o atendimento da crescente demanda creditícia oriunda das diretrizes da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc).

Em 1962, a queda no ritmo de crescimento da economia foi acompanhada pela intensificação do surto inflacionário, aumento dos déficits orçamentários e desequilíbrios nas relações com o exterior, o que forçou o Banco do Brasil a adotar medidas de contenção do crédito, em linha com o Plano Trienal formulado por Celso Furtado.

Ministro da Fazenda (1963–1964)

Ney Neves Galvão foi Ministro da Fazenda de 21 de dezembro de 1963 a 3 de abril de 1964, tendo sido substituído interinamente por Waldyr Ramos Borges entre 16 e 20 de março de 1964.

No Ministério da Fazenda, com o objetivo de incrementar o turismo como fonte de divisas estrangeiras, autorizou a entrada no país, por via rodoviária, de veículos automotores de passageiros pertencentes a turistas provenientes da Argentina, Uruguai e Paraguai, sem prestação de fiança e com isenção de tributos.

O Golpe de 1964 e o Fim da Vida Pública

O agravamento da crise econômica e a crescente mobilização social em favor das chamadas "reformas de base" levaram a oposição a endurecer suas posições. Esse processo resultou no movimento político-militar de 31 de março de 1964, que derrubou João Goulart do poder. Com a instalação do novo governo, Ney Galvão retirou-se da vida pública.

Ney Galvão foi casado em primeiras núpcias com Judite Moreira Galvão, com quem teve dois filhos, tendo contraído novo matrimônio em 1979. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de setembro de 1990.

Sua trajetória reflete intensamente os momentos mais turbulentos da história brasileira do século XX — da rebelião tenentista dos anos 1920 à crise político-econômica que culminou no golpe militar de 1964.==Referências==

Perfil do ministro no sítio do Ministério da Fazenda

Perfil do ministro no sítio da Fundação Getúlio Vargas

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