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Nildo Ouriques

Economista brasileiro

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Nildo Domingos Ouriques (Joaçaba, 21 de janeiro de 1959) é um economista e professor brasileiro. Foi presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) da Universidade Federal de Santa Catarina professor de economia na mesma universidade. Ao longo de sua carreira acadêmica, lecionou em instituições de todo o mundo, incluindo a Universidade Nacional de Tucumán na Argentina, a Universidade de Pádua na Itália, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a Universidade Bolivariana da Venezuela e a Universidade Simón Bolívar em Quito, Equador. Em 2020, Ouriques foi incluído na lista dos chamados “detratores do governo” na academia e no jornalismo.

Ouriques nasceu em Joaçaba, Santa Catarina, Brasil, cidade onde morou até os 17 anos, quando terminou o ensino médio. Durante a sua juventude, Ouriques foi ativo no movimento estudantil contra a ditadura militar. Ouriques tem doutorado em economia pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e pós-doutorado pela Universidade de Buenos Aires. Grande parte de seu trabalho se concentra na relação entre marxismo e nacionalismo, bem como na teoria marxista da dependência de forma mais geral. Em abril de 2024, o professor Nildo Ouriques assumiu a direção da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), sucedendo o professor Waldir Rampinelli, em decorrência de sua aposentadoria.

Ouriques, que por duas décadas foi filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, deixou o partido, citando seu descontentamento com o que chamou de "sistema petucano" (uma aglutinação de petista, membro do PT, com tucano, membro do PSDB, de centro-direita). Segundo Ouriques, embora o PT tenha nascido do "protesto dos trabalhadores contra a ditadura", o partido sucumbiu à "ordem burguesa" no poder. Ouriques criticou Luiz Inácio Lula da Silva por não ter trabalhado de perto o suficiente com o presidente Hugo Chávez da Venezuela para criar um "bloco regional coeso" anti-imperialista durante sua presidência.

Ouriques é um crítico ferrenho da presidência de Jair Bolsonaro, argumentando que a política externa do Brasil havia se tornado a de uma república das bananas sob seu governo. Ele argumentou que o PT e a "esquerda liberal" estão despreparados para enfrentar as ameaças representadas pelo governo de Bolsonaro. Ouriques comparou Bolsonaro a Augusto Pinochet, o ditador de direita do Chile de 1974 a 1990. Além disso, Ouriques argumentou que o governo Bolsonaro destruiu o status do Brasil como uma potência emergente e relegou o país a ser um representante dos interesses dos EUA na região.

O então vice-presidente Hamilton Mourão, general aposentado do Exército Brasileiro, tem sido alvo constante de críticas de Ouriques. Ouriques disse que Mourão é efetivamente "um homem dos Estados Unidos", que está plenamente "em sintonia com a doutrina de segurança hemisférica dos Estados Unidos". Ouriques argumenta que o relativo comedimento de Mourão em ambientes públicos em comparação com o mais bombástico Bolsonaro o torna mais perigoso do que o presidente sob o qual ele serve.

Ouriques falou sobre o legado da imigração europeia e do latifúndio nos padrões de votação de direita no Sul do Brasil. Em abril de 2017, foi um dos fundadores da corrente Revolução Brasileira dentro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Atuou ativamente na sede local do PSOL em Santa Catarina e participou do comício de lançamento dos candidatos do partido que disputaram as eleições presidenciais brasileiras de 2018, ocasião em que tentou concorrer à presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No entanto, perdeu a indicação partidária para o líder trabalhista Guilherme Boulos. Ouriques acusou a liderança do PSOL de favoritismo injusto a Boulos.

Em 2022, a corrente Revolução Brasileira passou a defender publicamente o voto nulo nas eleições, posição fundamentada em uma crítica estrutural ao sistema político brasileiro, à estratégia eleitoral da esquerda liberal e à adesão do PSOL ao campo petista. Ouriques teve atuação destacada na formulação e defesa dessa orientação. Em 2023, a Revolução Brasileira oficializou sua desfiliação do PSOL, argumentando que o partido havia consolidado uma hegemonia liberal incompatível com um projeto socialista e revolucionário. Desde então, a Revolução Brasileira passou a atuar como uma organização política independente, voltada à elaboração teórica e à construção de uma estratégia própria de transformação social, na qual Ouriques permanece ativo.

OURIQUES, N. D. O colapso do figurino francês: Crítica às ciências sociais no Brasil. 5. ed. Florianópolis: Insular, 2023. ISBN 978-85-524-0328-9

OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 3. Florianópolis: Insular, 2023. ISBN 978-85-524-0358-6

OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 2. Florianópolis: Insular, 2017. ISBN 978-85-524-0015-8

OURIQUES, N. D.; RAMPINELLI, W. J. (orgs.). Crítica à razão acadêmica: Reflexões sobre a universidade contemporânea. Vol. 1. Florianópolis: Insular, 2017. ISBN 978-85-524-0013-4

OURIQUES, N. D.; TAVARES, E. O mapa da crise: A reinvenção das Ciências Sociais. Florianópolis: Insular, 2010. ISBN 978-85-7474-514-5

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