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Noruz

Noruz (em pársi نوروز; também transliterado como Nowroz, Noe - Rooz, Norooz, Novruz, Noh Ruz, Nav-roze, Navroz ou Náw-Rú

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Noruz (em pársi نوروز; também transliterado como Nowroz, Noe - Rooz, Norooz, Novruz, Noh Ruz, Nav-roze, Navroz ou Náw-Rúz; em português: 'Dia Novo') é uma festa tradicional da Ásia Central que celebra o Ano Novo do calendário persa — marcando a renovação da natureza (primeiro dia da primavera). O Noruz pode acontecer no dia 20, 21 ou 22 de março do calendário Gregoriano, a depender do momento (dia e hora exata) em que ocorra o equinócio de primavera. Em 2026 é comemorado a 21 de março, segundo o calendário persa. A celebração do Noruz ocorre há pelo menos 3 000 anos e está profundamente enraizada nos rituais e nas tradições do Zoroastrismo. Atualmente, acontece em muitos países que foram parte dos antigos impérios iranianos ou sofreram sua influência. Fora do Irã, é comemorada no Curdistão (onde é chamada Newroz), no Afeganistão, na Albânia, nas antigas repúblicas soviéticas do Tajiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, na Macedônia do Norte, na Turquia e no Turcomenistão) e também por várias comunidades de origem iraniana, em todo o Oriente Médio. Além disso, o Noruz também é comemorado pelos parses zoroastrianos, na Índia.

A saudação usual é Noruz Mubarak ('Feliz ano-novo'). Na Turquia, diz-se Nevruz mübarek olsun ('Tenha um ano-novo abençoado', em turco) ou Cejna we pîroz be (em curdo).

O dia 21 de março foi proclamado Dia Internacional do Noruz pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua resolução A/RES/64/253 de 2010, por iniciativa de vários países que compartilham este feriado, e foi inscrito, em 2009, na Relação Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, como uma tradição cultural observada por numerosos povos e que promove valores de paz e solidariedade entre gerações e dentro das famílias, bem como a reconciliação, a aproximação e a amizade entre diferentes povos.

A festa do Ano Novo é geralmente uma efeméride na qual as pessoas expressam o desejo de prosperidade e renovação das suas vidas. Em muitas partes do Afeganistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Índia, Irão, Iraque, Paquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão, Turquia e Uzbequistão, este evento tem lugar no dia 21 de março e recebe a denominação Nauryz, Navruz, Nawruz, Nevruz, Novruz, Nowruz ou Nuruz, que têm o mesmo significado de "novo dia" nas diferentes línguas destes países. Durante várias semanas, várias celebrações de rituais, cerimónias e eventos culturais são realizadas. Uma característica tradicional e específica desse período é a de se fazerem reuniões com a família e os amigos em volta de uma mesa decorada com objetos que simbolizam pureza, luminosidade, vida e prosperidade. Os participantes das celebrações são adornados com roupas novas e visitam vizinhos e parentes, principalmente os idosos. Também são feitos presentes, especialmente para as crianças, que geralmente consistem em objetos feitos por artesãos. Neste festival de Ano Novo há apresentações de música de rua e dança, ritos de água e fogo são celebrados em público, são organizadas competições desportivas tradicionais, faz-se e vende-se artesanato diverso.

O primeiro dia do calendário iraniano cai no equinócio de março, que corresponde ao primeiro dia da primavera no Hemisfério Norte. Durante o equinócio, o sol incide diretamente sobre o equador.

No século XIII foram feitas importantes reformas nos calendários iranianos com o propósito de fixar o início do ano calendário, i.e. Noruz, no equinócio vernal. Segundo a definição de Noruz dada pelo cientista iraniano Ṭūsī "o primeiro dia do ano-novo oficial [Noruz] era sempre o dia em que o sol entrava em Áries antes do meio-dia".

A palavra Noruz é formada pelos vocábulos persas nov (também transliterada como nou, now, nev, etc.), que significa 'novo' (também nos idiomas curdo, avéstico, sânscrito e várias outras línguas indo-européias) e roz ou ruz ou, ainda, rozh, proveniente do avéstico rəzaŋh, que significa 'dia' ou 'luz do dia' e que, em persa médio e em pársi, manteve o mesmo significado. Em curdo, o termo apresenta variações dialetais ou de transliteração, tais como Newroz, Nûroj ou Neweroc.

As mais antigas referências ao Noruz remontam à época parto-arsácida (247 a.C.–224 d.C.). Há referências específicas à celebração durante o reinado de Vologases I (r. 51–78). Mas há razões para acreditar que a celebração seja bem mais antiga e que já fosse um dia importante durante a dinastia Aquemênida (c. 648–330 a.C.). É possível que o célebre complexo palaciano de Persépolis (ou pelo menos algumas das suas edificações, como a Apadana e o "Palácio das Cem Colunas") tenha sido construído para ser utilizado nas celebrações de Noruz. Entretanto não há referência ao termo nas inscrições aquemênidas.

Detalhes substanciais sobre a celebração aparecem desde o reinado de Artaxes I, fundador da dinastia Sassânida (224 - 650). Sob os reis sassânidas, o Noruz era o dia mais importante do ano. A maior parte das tradições reais de Noruz — como as audiências públicas do rei, os presentes e o perdão aos prisioneiros — foi estabelecida durante o período sassânida e chegou até a nossa época.

Assim como a tradição do Sadeh (celebrado no meio do inverno), o Noruz sobreviveu no Irã após a introdução do Islamismo, em 650. Há indicações de que os quatro grandes califas presidiram festividades do Noruz, e que o dia era feriado no período abássida. Outras celebrações, como os Gahambars e Mehragan, foram abandonadas ou mantidas apenas pelos zoroastrianos, que as levaram até a Índia.

Após a queda do califado e a restauração das dinastias iranianas, como a dos Samânidas e a dos Buídas, o Noruz foi elevado a um nível ainda mais importante. Os Buídas fizeram reviver as antigas tradições da época Sassânida e outras celebrações menores, que haviam sido eliminadas pelo califado.

Antes do colapso da União Soviética, o Irã e o Afeganistão eram os únicos países que oficialmente observavam as cerimônias de Nowruz. Quando os países do Cáucaso e da Ásia Central conquistaram a independência dos soviéticos, eles também declararam o Nowruz como feriado nacional.

Nowruz foi adicionado à Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2010.

Chāhār Shanbe Sûri چهارشنبه‌سوری

Na última quarta-feira do ano, os iranianos celebram o Chāhār Shanbe Sûri, momento em que todos saem à rua, fazem fogueiras e saltam, gritando Zardie man az tou Sorkhie tou az man, que significa "eu lhe dou a minha cor amarela (doença) e você (o fogo) me dá a sua cor vermelha (saúde)."

Oferecer doces conhecidos como Ajile Moshkel Gosha é o modo de agradecer pela saúde e felicidade do ano anterior. Há várias outras tradições ligadas a essa noite, como os rituais de Kûzeh Shekastan, durante os quais se quebram jarras que simbolicamente conteriam toda a má sorte. Pratica-se também a Fal-Gûsh ou a arte da adivinhação, escutando as conversas dos passantes na rua, e o ritual de Gereh-gosha-î, que consiste em dar um nó em um lenço e pedir à primeira pessoa que passar, que o desfaça, a fim de afastar toda a má sorte.

Haft sîn (em pársi: هفت سین) ou "sete sîn" é uma tradição ligada ao Noruz. No ano-novo, sete itens, cujos nomes comecem com a letra sîn (س no alfabeto perso-árabe), devem ser dispostos sobre uma mesa ou sobre tapetes, em um espaço reservado para receber convidados. Originalmente chamada haft chin (هفت چین), a tradição evoluiu mas manteve seu simbolismo, e as famílias procuram arrumar os objetos do modo mais decorativo possível. Segundo a tradição, os sete objetos são:

sabzeh (سبزه) — brotos de trigo, cevada ou lentilha germinando em um prato ou vaso, como símbolo do renascimento.

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