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Nova França

Área colonizada pela França na América do Norte

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A Nova França foi uma área colonizada pela França na América do Norte durante um período, que começa desde a exploração do rio São Lourenço pelo explorador francês Jacques Cartier, em 1534, até 1763, quando a região norte da Nova França foi cedida pelos franceses ao Império Britânico — que atualmente constituem as províncias canadenses de Ontário e de Quebec; e 1803, quando Napoleão Bonaparte vendeu o resto dos territórios franceses aos Estados Unidos. No seu ápice, em 1712, o território da Nova França estendia-se desde a Terra Nova e Labrador até o Lago Superior, e da Baía de Hudson até o Golfo do México. Após 1712, o território foi dividido em cinco distintas colônias, cada uma com administração própria: Canadá, Acádia, Terras de Rupert, Terra Nova e Labrador — estas quatro cedidas aos britânicos em 1763 — e a Louisiana, cedida aos espanhóis e aos britânicos em 1763. A porção cedida aos espanhóis seria recuperada pela França em 1800, mas vendida aos Estados Unidos em 1803.

Primórdios da exploração europeia

Em 1524, o explorador italiano Giovanni de Verrazano explorou a costa leste da América do Norte, e nomeou as novas terras descobertas Francesca, em honra ao Rei francês Francisco I da França. Em 1534, Jacques Cartier estacou uma cruz na península de Gaspé, onde atualmente fica a cidade quebequense de Gaspé — e, posteriormente, na Ilha de Montreal, onde atualmente fica a cidade de Montreal — e reivindicou as terras ao Rei Francisco I. Inicialmente, os franceses não estavam interessados em ocupar a região. Mesmo assim, comerciantes franceses navegaram na costa atlântica e no rio são Lourenço, fazendo alianças com tribos indígenas que viviam na região, e que seriam importantes posteriormente. Esses comerciantes eventualmente observaram que a região era rica em castores, cuja pele era muito apreciada na Europa para a produção de roupas. Os castores europeus estavam à beira da extinção, por causa da caça predatória, e, eventualmente, a corte francesa decidiu colonizar essas áreas na América do Norte, e, assim, expandir suas influências no continente americano.

Os vastos territórios que seriam conhecidos posteriormente como Acádia e Canadá (atual Ontário e Quebec) eram habitadas por tribos indígenas, como hurões, algonquinos e iroqueses. Essas terras eram cheias de recursos naturais que atraíram muitos europeus para a região. Por volta da década de 1580, companhias francesas haviam sido criadas, e navios foram contratados para transportar as peles. Muito das relações entre europeus e nativos indígenas é desconhecido, por falta de documentos históricos.

As primeiras tentativas de estabelecimento de assentamentos permanentes na região resultaram em fracasso. Em 1598, um posto de troca foi estabelecido na Ilha Sable, na costa acadiana, mas fracassou. Em 1600, outro posto comercial foi estabelecido em Tadoussac, mas apenas cinco pessoas conseguiram sobreviver aos rigores do inverno da região. Em 1604, um assentamento foi fundado em Île-Saint-Croix, na Baía de Fundy, mudando-se em 1605 para Port Royal, tendo sido abandonado em 1607, restabelecido em 1610 e destruído em 1613.

Em 1608, com o suporte de Henrique IV de França, Samuel de Champlain fundou Quebec, com seis famílias totalizando 28 pessoas, sendo o primeiro assentamento bem-sucedido criado no Canadá. A colonização da região foi lenta e difícil. Muitos colonizadores morreram. Em 1630, 22 anos depois, apenas 100 colonos viviam no assentamento de Quebec, e dez anos depois, em 1640, eram 359 colonos.

Champlain rapidamente aliou-se com as tribos indígenas algonquinos e os montagnais. Estas duas tribos estavam em guerra com os iroqueses. Champlain também conseguiu fazer com que alguns jovens colonos franceses vivessem com os algoquinos e os montagnais, para que eles pudessem aprender idiomas indígenas e adaptassem à vida na região. Estes jovens colonos, conhecidos como Voyageurs, como Étienne Brûlé, estenderam a influência francesa até a região dos Grandes Lagos, bem como sob as tribos nativas hurões que viviam ali.

Nas primeiras décadas da existência de Quebec, apenas algumas poucas centenas de colonos viviam na região, enquanto que as colônias inglesas ao sul eram muito mais populosas e ricas. O Cardinal Richelieu, um conselheiro do Rei Luís XIII da França, queria que a Nova França tivesse a mesma importância que as colônias inglesas ao sul. Em 1627, Richelieu criou a Companhia dos Cem Associados, para investir economicamente na Nova França, e prometendo lotes de terra para as pessoas que tivessem interesse em migrar à Nova França. Isto atraiu centenas de pessoas, e tornou o Quebec em uma importante colônia mercantil. Champlain eventualmente foi nomeado o Governador da Nova França. Ele proibiu que qualquer colono não católico vivesse na região. Protestantes foram obrigados ou a renunciar sua fé e suas crenças, para continuar a morar na Nova França, ou foram obrigados a mudar-se. Muitos dos protestantes escolheram mudar-se, migrando para as colônias inglesas ao sul. A Igreja Católica e missionários católicos como jesuítas e recollets ficaram firmemente estabelecidos no território. Richelieu também introduziu um sistema semi-feudal de agricultura, que seria típico do Vale do São Lourenço até o século XIX.

Ao mesmo tempo, porém, as colônias inglesas ao sul começaram a expandir-se ao norte, em direção do Vale do São Lourenço, e em 1629, o assentamento de Quebec foi capturada, ficando sob controle inglês até 1632. Champlain então ordenou a Sieur de Laviolette a fundação de outro posto comercial, onde atualmente fica a cidade quebequense de Trois-Rivières.

Champlain morreu em 1635, e a Igreja Católica tornou-se a força dominante na Nova França. Em 1642, a Igreja suportou economicamente um grupo de assentadores, que fundaram Ville-Marie, na ilha de Montreal, um pequeno assentamento que posteriormente evoluiria-se na cidade de Montreal. Por volta da década de 1640, missionários jesuítas subiram até a região dos Grandes Lagos, e converteram religiosamente muitos dos hurões que viviam na região para o cristianismo. Os missionários logo entraram em conflito com os iroqueses. Estes constantemente atacavam Montreal, e por volta de 1649, ambas as missões jesuítas e os hurões estavam quase completamente destruídas.

Por volta da década de 1650, Montreal ainda tinha apenas algumas centenas de assentadores, e a Nova França quase caiu completamente frente aos constantes ataques iroqueses. Em 1660, o colono francês Adam Dollard des Ormeaux liderou uma força militar, composta por franceses e hurões, contra uma força muito maior de iroqueses. Nenhum dos franceses sobreviveram. Em 1663, a Nova França finalmente tornou-se mais segura quando o rei Louis XIV criou uma nova província da França. Em 1665, ele enviou uma força militar francesa ao Quebec. O governo da colônia foi reformado. Em 1665, Jean Talon foi enviado pelo Ministro da Marinha francesa, Jean-Baptiste Colbert, para a Nova França, para servir como o primeiro Intendente da região. Estas reformas limitaram o poder do Bispo de Quebec, que anteriormente era a autoridade mais poderosa na Nova França.

No censo de 1666 feito na colônia, realizado por Jean Talon no inverno de 1665-1666, revelou uma população de 3215 habitantes na Nova França — muito mais do que algumas décadas passadas. Porém, havia uma grande disparidade entre o número de pessoas do sexo masculino (2034) e do sexo feminino (1181). Como resultado, e esperando fazer da colônia a capital do Império Colonial da França, Luís XIV concordou em enviar mais de 700 mulheres solteiras (que tinham entre 15 a 30 anos de idade) para a Nova França. Elas passariam a ser conhecidas como as "Filhas do Rei". Ao mesmo tempo, casamentos com nativas indígenas foram incentivados, e vários homens solterios, conhecidos como engagés, foram enviados da França para a Nova França. Um deles, Étienne Truteau, foi um dos ancestrais do futuro primeiro-ministro canadense Pierre Elliott Trudeau, e de seu filho mais velho, o atual Primeiro -Ministro Justin Trudeau.

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