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Odilon Redon

Pintor e artista gráfico francês

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Odilon Redon (nascido Bertrand Redon; francês: [ʁədɔ̃]; Bordeaux, 20 de abril de 1840―Paris, 6 de julho de 1916) foi um pintor, gravador, desenhista e pastelista francês, considerado um dos mais importantes pintores do simbolismo, por ser ter sido um dos primeiros em criar uma linguagem plástica única, particular e original.

Redon foi um dos membros mais destacados do movimento simbolista, cujas bases teóricas foram definidas pelos manifestos do poeta Mallarmé e pela estética romântica. Diferente da obra de seus colegas, a sua chegou aos limites da sugestão e da abstração, e pode-se dizer que, tanto formal quanto conceitualmente, chegou, de modo visionário, perto da futura vanguarda surrealista.

No início de sua carreira, antes e depois de lutar na Guerra Franco-Prussiana, trabalhou quase que exclusivamente em carvão e litografia, obras conhecidas como noirs. Ele começou a ganhar reconhecimento depois que seus desenhos foram mencionados no romance de 1884 À rebours (Às avessas) de Joris-Karl Huysmans. Durante a década de 1890, ele começou a trabalhar em pastel e óleo, que rapidamente se tornou seu meio favorito, abandonando completamente seu estilo anterior de noirs após 1900. Ele também desenvolveu um grande interesse pela religião e cultura hindu e budista, que se mostrou cada vez mais em seu trabalho.

Ele é talvez mais conhecido hoje pelas pinturas "oníricas" criadas na primeira década do século XX, que foram fortemente inspiradas na arte japonesa e que, embora continuando a se inspirar na natureza, flertavam fortemente com a abstração. Seu trabalho é considerado um precursor tanto do dadaísmo quanto do surrealismo.

Odilon Redon nasceu em Bordeaux, Aquitaine, em uma família próspera. Ele era o segundo filho de Marie Odile, nascida Marie Guérin (1820–1909), crioula, e Bertrand Redon (c. 1798–1874), francês. O pai de Redon fez fortuna no comércio de escravos na Louisiana na década de 1830. Redon foi concebido em Nova Orleans e o casal fez a viagem transatlântica de volta à França enquanto sua mãe Marie estava grávida. O jovem Bertrand Redon adquiriu o apelido de "Odilon" do primeiro sobrenome de sua mãe, Odile. Redon começou a desenhar ainda criança; aos dez anos, ganhou um prêmio de desenho na escola. Começou o estudo formal do desenho aos quinze anos, mas, por insistência do pai, mudou para a arquitetura. A falha em passar nos exames de admissão na École des Beaux-Arts de Paris encerrou qualquer plano de carreira como arquiteto, embora tenha estudado pintura brevemente com Jean-Léon Gérôme em 1864. (Seu irmão mais novo, Gaston Redon, se tornaria um arquiteto notável.)

Em sua juventude, foi inspirado pelo botânico Armand Clavaud, que incentivou o entusiasmo de Redon pelo romantismo, especialmente às pinturas de Delacroix, e o introduziu às obras de biólogos como Darwin, de Charles Baudelaire (que seria o favorito de Redon), de Spinoza, a poesias hindus e à sua visão científica e filosófica que concedia primazia à imaginação. Clavaud propunha um esquema de diferentes tipos de inteligências, e nesse modelo dividia duas realidades à atividade intelectual: a superior, em que o artista, filósofo e cientista confia na "abstração consciente e inconsciente", e a inferior, das atividades cotidianas. O interesse pelo que foi chamado de "dipsiquismo" (que propunha dois egos ou mentes em um indivíduo) continuou na França como uma reação ao positivismo, que rejeitava o estudo do inconsciente, e foi favorecido no fin de siècle pelo estudo da hipnose e crescimento do interesse no espiritualismo. Redon reconheceria ao longo de sua vida o débito que tinha a Clavaud.

Sua iniciação teve mais a ver com a arte gráfica do que com a pintura. De fato, Redon aprendeu as técnicas da gravura com Bresdin, influenciado pela obra de Doré. Como pintor, interessou-se pelas paisagens da Escola de Barbizon e pela obra de Rembrandt. Foi de volta à sua terra natal, Bordeaux, que ele começou a esculpir, e Rodolphe Bresdin o instruiu em gravura e litografia. Sua carreira artística foi interrompida em 1870, quando foi convocado para servir no exército na Guerra Franco-Prussiana até o fim em 1871.

No final da guerra, mudou-se para Paris e voltou a trabalhar quase exclusivamente em carvão e litografia. Ele chamou seus trabalhos visionários, concebidos em tons de preto, de seus noirs ("negros"). Não foi até 1878 que seu trabalho ganhou algum reconhecimento com o Espírito Guardião das Águas; ele publicou seu primeiro álbum de litografias, intitulado Dans le Rêve, em 1879. Ainda assim, Redon permaneceu relativamente desconhecido até o aparecimento em 1884 de um romance cult de Joris-Karl Huysmans intitulado À rebours ("Às avessas"). A história apresentava um aristocrata decadente que colecionava os desenhos de Redon.

Em 1884 ajudou a fundar com Paul Gauguin e Georges Seurat o Salon des Indépendants (ou Salão dos Independentes) e também participou das exposições do grupo Les XX, em Bruxelas. A partir de 1890 relacionou-se com os poetas simbolistas Mallarmé e Huysmans.

A técnica mais utilizada por Redon foi o pastel, que lhe permitia trabalhar as cores com texturas diferentes e bastante mescladas. Seu mundo de visões e sonhos, povoado de criaturas estranhas e às vezes monstruosas, fascinou os jovens do grupo Nabis e influenciou significativamente os surrealistas. Suas gravuras são ricas com uma visão muito pessoal de um universo de sonho. Ele mesmo declarou, "...deixo livre a minha imaginação no sentido de utilizar tudo o que a litografia pode me oferecer. Cada uma das muitas peças é o resultado de uma procura apaixonada do máximo que pode ser extraído da conjugação do uso do lápis, papel e pedra". A partir da década de 1890, pastel e óleos tornaram-se sua mídia favorita; ele não produziu mais noirs depois de 1900. Em 1899, expôs com os Nabis na casa do marchand Durand-Ruel.

Redon tinha um grande interesse na religião e cultura hindu e budista. A figura do Buda se mostrava cada vez mais em sua obra. Influências do japonismo misturaram-se à sua arte, como a pintura A Morte do Buda por volta de 1899, diversas pinturas denominadas O Buda, Jacó e o Anjo em 1905, e Vaso com guerreiro japonês em 1905, entre muitas outras.

O barão Robert de Domecy (1867–1946) encomendou ao artista em 1899 a criação de 17 painéis decorativos para a sala de jantar do Château de Domecy-sur-le-Vault, perto de Sermizelles, na Borgonha. Redon havia criado grandes obras decorativas para residências particulares no passado, mas suas composições para o château de Domecy em 1900-1901 foram suas composições mais radicais até então e marcam a transição da pintura ornamental para a abstrata. Os detalhes da paisagem não mostram um local ou espaço específico. Apenas detalhes de árvores, galhos com folhas e flores brotando em um horizonte sem fim podem ser vistos. As cores utilizadas são principalmente amarelo, cinza, marrom e azul claro. A influência do estilo de pintura japonês encontrado nas telas dobráveis, byōbu, é perceptível em sua escolha de cores e nas proporções retangulares da maioria dos painéis de até 2,5 metros de altura. Quinze deles estão localizados hoje no Musée d'Orsay, adquirido em 1988.

Domecy também contratou Redon para pintar retratos de sua esposa e sua filha Jeanne, dois dos quais estão nas coleções do Musée d'Orsay e do Getty Museum, na Califórnia. A maioria das pinturas permaneceu na coleção da família Domecy até a década de 1960.

Além de pintura, Redon também escreveu poemas e prosa. Uma história curta inacabada de 1877 foi chamada Le Récit de Marthe la folle ("O Relato de Marta, a louca"), em que retrata uma personagem crioula em dilema cultural e psíquico: ela estudava na França, mas retornou à sua mãe em volta a Madagascar, e então se instala um conflito instintual de se estar com a natureza, evocada por sua terra natal, após ter formado sua autoconsciência. A história empregou terminologia científica apresentada na obra de von Hartmann, traduzida em francês no mesmo ano, Filosofia do Inconsciente. Odilon provavelmente nela espelha a travessia do Atlântico que seus pais fizeram em 1840, com Marie Odile grávida dele aos 20 anos; bem como a pressão instintual de forças inconscientes que ele recebia em sua criatividade. Redon em sua autobiografia conta que o que preservou sua sanidade nessa época foi suas pinturas noirs e o apoio daquela que seria sua esposa, Camille Antoinette Falte (1852-1923). Ela o ajudou a lidar com seus sentimentos direcionados à sua mãe Marie, a única de seus pais que estava viva então. Odilon conheceu Camille quando ele tinha 36 anos e esta tinha 24 anos, nascida na Ilha da Reunião a quem ele chamaria de "crioula" e "discípula de Maomé", tornando-se sua musa exótica idealizada.

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