Olímpia é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Localiza-se no norte paulista e integra a Região Metropolitana de São José do Rio Preto. Ocupa uma área de 802,555 km², sendo que 20,3 km² estão em perímetro urbano, e sua população foi auferida em 55 075 habitantes no Censo 2022. O município é formado pela sede e pelos distritos de Baguaçu e Ribeiro dos Santos.
É conhecida popularmente como a "Capital Nacional do Folclore", pelo Festival do Folclore, onde grupos de vários estados do país se reúnem para mostrar danças típicas de suas regiões, e por "Cidade Menina Moça".
Conhecida como Estância Turística e um dos principais destinos turísticos do Brasil, o turismo é o setor mais importante da economia da cidade, sendo reconhecida nacional e internacionalmente por suas águas termais e por seus parques aquáticos como o Thermas dos Laranjais e Hot Beach, que atraem, anualmente, mais de 4,8 milhões de turistas, o que garantiu a cidade o título de "Orlando Brasileira".
Em julho de 2014, foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e sancionado pelo Governador de São Paulo o projeto de lei que transforma Olímpia em Estância Turística. Com tal título, Olímpia passa a ser beneficiada pelo repasse de verbas do DADE - Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias Turísticas -, cuja principal finalidade é o desenvolvimento de infraestrutura da cidade, a fim de melhor atender olimpienses e turistas.
Período pré-colonial: os primeiros habitantes de Olímpia
Os primeiros indícios da presença humana no território paulista datam de um período entre 11 e 7 mil anos atrás, de acordo com as pesquisas arqueológicas mais recentes. No vale do rio Pardo, datações obtidas no sítio Corredeira (localizado no município de Serra Azul) apontam para uma ocupação entre 3.440 ± 40 AP e 1.690± 50 AP, sendo este um importante eixo de penetração no Planalto Paulista. Essas primeiras populações indígenas eram nômades, estabelecendo pequenos acampamentos em ambientes bastante diversificados, como planícies fluviais e topos de vertente de morros. Subsistiam da caça e coleta, o que demandava uma diversidade de artefatos líticos produzidos pela técnica de lascamento, preferencialmente confeccionados em arenito silicificado, sílex, quartzo, calcedônia, entre outras rochas. Esses vestígios identificados em São Paulo, bem como nos estados da Região Sul, são geralmente associados às tradições tecnológicas Humaitá e Umbu.
Há cerca de dois mil anos, os tupi-guaranis, vindos da Amazônia, migraram para todo o litoral brasileiro e diversos rios da Bacia do Prata. Esses povos amazônicos, por serem grupos de maior densidade populacional, começaram a sobrepujar ou integrar as antigas populações caçadoras-coletoras da bacia hidrográfica do rio Grande, introduzindo a agricultura do milho, mandioca e outros cultivares na região. Essas populações também foram pioneiras no uso e produção de cerâmica, novidade tecnológica que facilitava o armazenamento de alimentos. Das diversas tradições tecnológicas ceramistas conhecidas, ao menos três já foram identificadas em sítios arqueológicos localizados em Olímpia: Tupiguarani, Aratu-Sapucaí e Uru.
É o caso do sítio Cemitério Maranata, identificado em 1993 às margens do Ribeirão Olhos d’Água, aonde foram identificadas urnas funerárias associadas às tradições Tupiguarani e Aratu-Sapucaí; do sítio Olímpia IV, aonde foram descobertas ferramentas de pedra e fragmentos de cerâmica Tupiguarani; e sítio Olímpia VII, também composto por instrumentos líticos e fragmentos cerâmicos, embora associados à tradição Uru. Além disso, também foram identificados testemunhos arqueológicos da presença indígena em Olímpia nos sítios Olímpia I, Olímpia II, Olímpia III, Olímpia V, Olímpia VI e Rio Cachoeirinha II.
Essa diversidade de tipos de cerâmica, variando em estilos decorativos, formatos e até processo produtivo, provavelmente indica que a bacia hidrográfica do rio Grande congregava uma grande variedade de culturas de povos ameríndios, ancestrais dos indígenas falantes de idiomas dos troncos linguísticos macro-jê e tupi-guarani. Em períodos mais recentes, já após o início do processo de colonização portuguesa, há registro da presença dos caiapós entre os rios Grande e Pardo, embora as poucas fontes disponíveis impeçam uma descrição mais detalhada desse cenário demográfico.
Os primeiros contatos dos caiapós com os portugueses se deram por meio das expedições de bandeirantes, entre os séculos XVI e XVII, as quais atravessavam o sertão em busca de escravos e jazidas de metais preciosos. Alguns pesquisadores afirmam que a relação entre os caiapós e colonos teria sido amistosa até a primeira metade do século XVIII, com os primeiros inclusive aprisionando e fornecendo índios inimigos para que servissem de mão-de-obra escrava nas vilas e povoados dos bandeirantes. Com o avanço português em direção a Minas Gerais e à Região Centro-Oeste, as interações tornaram-se cada vez mais tensas por toda a área da bacia do Rio Grande, utilizada pelos colonos para alcançar as minas de ouro recém-descobertas. São numeroso os relatos históricos que descrevem os caiapós como guerreiros temíveis, resistindo ferozmente ao avanço lusitano sobre seus territórios. Contudo, as contínuas guerras e a susceptibilidade a doenças trazidas pelos europeus, como a varíola e a gripe, acabaram por diminuir drasticamente a capacidade de resistência das tribos caiapós. Ao fim do século XVIII, a maior parte dessa população já havia falecido em decorrência dos conflitos e epidemias ou sido expulsa para regiões mais interioranas do Brasil.
Quando Olímpia foi ocupada por mineiros, em meados do século XIX, muitos dos sitiantes se estabeleceram em localidades anteriormente ocupadas por grupos indígenas, provavelmente pela disponibilidade de recursos, como acesso aos ribeirões e fertilidade das terras. Testemunhos materiais dessas reocupações já foram observados em três sítios arqueológicos de Olímpia – RPMA 02, Limoeiro e Rio Cachoeirinha I –, todos apresentando ruínas de antigas estruturas coloniais, bem como fragmentos de cerâmica e ferramentas de rochas de origem ameríndia.
No caso de Olímpia, a etnia indígena predominante era a dos guaranis. No território municipal, os remanescentes desses indígenas incluem aldeias destruídas ou semidestruídas, panelas, potes, vasos, urnas funerárias e antigos cemitérios. No local em que hoje fica a sede municipal, havia uma grande taba. Com a geada e o posterior grande incêndio na região em 1870, os guaranis de Olímpia retiraram-se para as margens do Rio Tietê.
Século XIX: Início do povoamento do município
Apesar da passagem ocasional de bandeirantes para o reconhecimento de território e apresamento de indígenas, o povoamento colonial na região entre os rios Pardo e Grande se deu de forma bastante esparsa até as primeiras décadas do século XIX. Com o esgotamento de muitas lavras de ouro em Minas Gerais, muitos mineiros abandonaram os antes prósperos arraiais. Conhecidos nas fontes históricas da época como “entrantes”, muitos optaram por se instalar em terras pouco desbravadas do norte e leste de São Paulo, dedicando-se à agropecuária. Esse processo levou a fundação de diversos povoados no nordeste paulista, que originaram cidades atuais como Franca, Ribeirão Preto e Barretos.
A região de Olímpia começou a ser povoada nesse contexto, em meados do século XIX. A primeira onda de ocupação foi de migrantes vindos de Minas Gerais, que seguiram o curso do Rio Grande até chegarem à região do município, ali criando fazendas.
Segundo relatos, o primeiro a se fixar no território municipal foi Antônio Joaquim Miguel dos Santos, mineiro de Caldas, por volta de 1857, juntamente de sua família e de 60 negros escravizados. Ao se estabelecer, Antônio batizou a região de "Sertão dos Olhos d'Água" e a sua fazenda de "Olhos d'Água", devido ao grande número de nascentes ali existentes, haja vista que o território olimpiense é atravessada pelos rios Turvo e Cachoeirinha, além de cerca de sessenta córregos, incluindo o Ribeirão Olhos d'Água, que atravessa a área urbana. Na ocasião, Antônio também mandou erguer um cruzeiro e construir uma grande casa de pau-a-pique enquanto sede de sua fazenda, razão pela qual o local também ficou inicialmente conhecido como “Taperão”.