Neste Dia

Olga Benário Prestes

Ativista política teuto-brasileira (1908-1942)

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Olga Guttman Benário Prestes (em hebraico: אולגה גוטמן בנאריו פרסטס; nascida em Munique, Reino da Baviera, Império Alemão, em 12 de fevereiro de 1908 — falecida em Bernburg, Saxônia-Anhalt, Alemanha Nazista, em 23 de abril de 1942) foi uma militante comunista alemã de origem judaica naturalizada brasileira, deportada em 1936 por Getúlio Vargas, presa grávida pela Gestapo e executada pelo regime nazista em um campo de extermínio em Benburg, em abril de 1942, pouco depois de completar 34 anos.

Filha de Eugénie Gutmann Benário e Leo Benário, advogado e membro ativo do Partido Social-Democrata Alemão. Com apenas quinze anos, em 1923, juntou-se à organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD). Pouco tempo depois, mudou-se para Berlim com seu então namorado Otto Braun, devido a conflitos ideológicos com o pai.

Olga ascendeu dentro do movimento comunista alemão após conflitos de rua contra milícias de extrema-direita no bairro de Kreuzberg, próximo a Neukölln. Foi presa e acusada de alta traição à pátria, assim como seu companheiro Braun, porém foi solta pouco tempo depois, enquanto Braun não. Junto de seus companheiros de militância, planejou um assalto à prisão de Moabit para libertar Braun. Fugiram para a União Soviética, onde Olga recebeu treinamento político-militar. Separou-se de Braun em 1931.

Olga foi enviada ao Brasil em 1934, por determinação da Internacional Comunista, para apoiar o Partido Comunista Brasileiro, junto de Luís Carlos Prestes — que logo se tornou seu cônjuge —, com o objetivo de liderar uma revolução armada com o apoio de Moscou. Em novembro de 1935, enquanto os preparativos insurrecionais eram planejados, um levante armado estourou na cidade de Natal, o que fez com que Prestes ordenasse que a insurreição fosse estendida ao resto do país. Porém, somente algumas unidades militares de Recife e do Rio de Janeiro sublevaram-se. A insurreição foi fortemente reprimida pelo governo Vargas e muitos líderes comunistas foram presos. O episódio ficou conhecido como Intentona Comunista.

Após a Intentona, Olga e Prestes conseguiram viver na clandestinidade por mais alguns meses, mas acabaram presos em 1936. Na prisão, descobriu que estava grávida de Prestes. No mesmo ano foi deportada para a Alemanha, onde foi presa pela Gestapo em 18 de outubro de 1936 e então levada para a Barnimstrasse, prisão de mulheres da Gestapo, onde teve sua filha, Anita Leocádia Prestes, que ficaria em seu poder até o fim do período de amamentação e depois, entregue à avó D. Leocádia. Olga é executada em 23 de abril de 1942, com 34 anos de idade, na câmara de gás com mais 199 prisioneiras, no campo de extermínio de Bernburg.

Nascida em Munique, Olga Gutmann Benário era filha do advogado Leo Benário e da socialite Eugénie Gutmann Benário, de uma família judia alemã de classe média. A família possuía um edifício de apartamentos no bairro boêmio de Schwabing. Olga estudou no colégio Luisengymnasium. A estudante logo abandonou a formação em comércio de livros junto com o editor e amigo da família Georg Müller. Ingressou ainda jovem no movimento comunista, em 1923, com apenas quinze anos, juntando-se à organização juvenil do Partido Comunista Alemão (KPD) e à Liga Juvenil Comunista da Alemanha (KJVD). Pouco depois, mudou-se para Berlim com o então namorado Otto Braun, militante comunista, devido a conflitos ideológicos com seu pai, que era membro ativo do Partido Social-Democrata Alemão.

Após a queda da monarquia, instaurou-se um regime formalmente republicano na Alemanha, a chamada República de Weimar. O regime, no entanto, jamais foi aceito pela direita, que o considerava um produto da "traição" do Tratado de Versalhes, nem pela extrema-esquerda comunista, que, esmagada politicamente na repressão ao Levante Espartaquista de 1919, quando foi assassinada Rosa Luxemburgo, desejava instaurar o comunismo na Alemanha e formar uma aliança política com a União Soviética. O conflito entre a direita e esquerda marcou esse período turbulento da história da Alemanha, com lutas armadas entre as milícias paramilitares e diversos homicídios políticos.

Neste clima político, em Berlim, Olga ascendeu dentro do movimento comunista depois dos conflitos de rua contra milícias de direita no bairro de Kreuzberg, próximo a Neukölln. Ela foi presa no mesmo dia que Braun, sendo ambos acusados de alta traição à pátria. Ela logo foi solta, mas Braun, não. Junto com seus colegas de militância, planejou então o assalto à prisão de Moabit que libertaria Braun. Logo depois, ambos fugiram para a União Soviética, onde Olga, já como quadro valioso, recebeu treinamento político-militar na Escola Internacional Lenin, trabalhando como instrutora da Seção Juvenil da Internacional Comunista. Durante sua estada na União Soviética, adotou o codinome "Olga Sinek". Separou-se de Braun em 1931.

A Internacional Comunista, desde o fim dos anos 1920, havia seguido na Alemanha uma política de extrema-esquerdista, fundada na recusa a coligar-se com os sociais-democratas numa frente única contra o nazismo, o que havia contribuído para a chegada de Adolf Hitler ao poder, e a presença de militantes comunistas alemães como Olga no território da União Soviética constituía um embaraço para Josef Stalin, que começou a pensar em engajá-los em alguma espécie de empreendimento que pudesse de alguma forma compensar o fracasso da política stalinista na Alemanha.

Luís Carlos Prestes, que desde 1931 estava residindo na União Soviética, em 1934 foi finalmente aceito nos quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por pressão do Partido Comunista da União Soviética. Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista (IC), voltou ao Brasil, via Nova Iorque, como clandestino, em dezembro do mesmo ano, acompanhado de Olga Benário, também membro da IC, passando-se por marido e mulher. Seu objetivo era liderar uma revolução armada, com o apoio de Moscou. Prestes seria acompanhado por um pequeno grupo de quadros, encarregados de auxiliá-lo na preparação da insurreição. Eram eles Inês Tulchniska, Abraham Gurasky, o alemão Arthur Ernest Ewert (que seria mais conhecido no Brasil pelo seu codinome de Harry Berger), sua esposa alemã de origem polonesa Elise Saborovsky, o alemão Jan Jolles, Boris Kraevsky, o argentino Rodolfo José Ghioldi, Carmen de Alfaya, a própria Olga Benário, Johann de Graaf, Helena Kruger, Pavel Vladimirovich Stuchevski, Sofia Semionova Stuchskaia, Amleto Locatelli, Mendel Mirochevski, Steban Peano, Maria Banejas, o norte-americano Victor Allen Baron e Marcos Youbman. Pavel Vladimirovich Stuchevski, que chefiava o aparelho do Comintern no Rio de Janeiro, coordenava as atividades de sete outros brasileiros de menor projeção dentro da Organização.

A política comunista da época — decidida no VI Congresso da Internacional Comunista — favorecia movimentos do tipo Frente de Esquerda em países do Terceiro Mundo, tendo por objetivo a realização de um programa de democratização política interna e de defesa da independência nacional contra o imperialismo, e Prestes parecia aos comunistas a figura adequada para liderar esta espécie de movimento no Brasil. Antes de aprovar a insurreição, a Internacional Comunista estava cética do sucesso de uma revolução no Brasil, mas o Partido Comunista Brasileiro havia exagerado consideravelmente a extensão da sua influência e capacidade revolucionária e, assim, fornecido à Internacional Comunista a perspectiva de um levante comunista vitorioso que compensasse, de alguma forma, a recente derrota na Alemanha.

Na época, Moscou criara em Montevidéu, Uruguai, o Secretariado Latino-Americano, que operava clandestinamente e queria aproximar as organizações comunistas da América Latina de Moscou. Olga e Prestes eram apoiados financeira e logisticamente através desta organização. Após o fracasso da Intentona Comunista e a descoberta destas operações, o Uruguai rompeu relações com a União Soviética, no final de 1935.

Chegando ao Brasil, Prestes encontrou o movimento recém-constituído denominado Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política revolucionária de caráter antifascista e anti-imperialista que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o governo de Vargas. O movimento contestava o integralismo de Plínio Salgado, que tinha orientação política próxima ao fascismo. Mesmo clandestino, Prestes foi aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro. Prestes procurou então aliar o crescimento da ANL, que o prestigiou, com a retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava serem capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935, divulgou um manifesto incendiário, apelando para os sentimentos nacionalistas das classes médias exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas. Vargas, no entanto, apoiando-se numa política de defesa da ordem, imediatamente aproveitou a oportunidade e declarou a ANL ilegal, o que não impediu Prestes de continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a Intentona Comunista.

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