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Operação Chastise

Operação Chastise foram os ataques a barragens Alemãs a 17 de Maio de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, com a util

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Operação Chastise foram os ataques a barragens Alemãs a 17 de Maio de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, com a utilização de uma bomba especial - uma bomba saltitante. O ataque foi levado a cabo pelo Esquadrão #617 da Royal Air Force, subsequentemente conhecidos como Dam Busters.

Para se ganhar uma guerra não basta apenas destruir aviões e tanques inimigos. É necessário neutralizar a capacidade inimiga de construir, reparar, comprar e/ou transportar armas e meios bélicos. Por isso, constituem alvos estratégicos portos, aeroportos, fábricas, pontes, etc.

As represas alemãs de Mohne, Eder e Sorpe no Vale do Ruhr, coração industrial da Alemanha nazista, se constituíram em importantes alvos estratégicos, pois forneciam energia hidroelétrica, água industrial e doméstica, bem como controlavam os níveis das hidrovias, que transportavam material entre as fábricas e os depósitos militares alemães. Com a sua destruição os Aliados afetariam diretamente o esforço de guerra de Hitler e psicologicamente afetariam a vontade alemã de lutar. Assim pensavam os britânicos e a missão de destruir as represas foi dada aos Lancasters da RAF.

Porém as represas não eram alvos fáceis de serem destruídos. Mesmo atingidas com bombas, as grandes represas ainda poderiam continuar funcionando, praticamente intactas. Se uma bomba, com poder suficiente para a destruir, conseguisse ser lançada para explodir ao largo da represa, a água agiria como um amortecedor efetivo da explosão, absorvendo a maior parte da energia. Ao mesmo tempo, era quase que impossível lançar uma bomba tão grande exatamente na represa, de modo a produzir um fenda na mesma.

Um ataque com torpedos também estavam fora dos planos, visto que os alemães haviam estendido redes protetoras ao longo das mesmas.

O cientista Barne Wallis descobriu que se uma carga explosiva atingisse e explodisse exatamente na parede da represa, a uma profundidade específica, a água agiria a seu favor, concentrando a explosão e direcionando a força da mesma para a represa, conseguindo perfurá-la.

Wallis pesquisou bastante sobre o problema da destruição de represas, usando vários modelos em escala, construídos pelo Road Research Laboratory e até uma represa abandonada, situada no lago Rhayader, em Radnorshire no País de Gales. Depois de muito tempo ele chegou ao tamanho, peso e forma ideal da bomba que deveria ser usada para destruir as represas nazistas.

As bombas teriam a forma cilíndrica (tipo um barril de 3,60 m) e Wallis acreditava que, quando lançadas transversalmente, com uma velocidade de cerca de 320 km/h, de uma altura de 45,78 m, estas chocariam com a superfície da água e "saltariam" sobre ela, evitando assim as redes protectoras, até que chocassem com a parede da represa e se afundassem na lama, vindo a explodir graças a uma espoleta hidrostática.

Momentos antes de serem lançadas, as bombas sofreriam uma rotação inversa, que as ajudariam nos saltos e que, ao chocarem com a face da represa, fossem impelidas para o fundo, explodindo a uma profundidade pré-determinada.

Apesar de um forte ceticismo de políticos e militares, Barne Wallis conseguiu permissão para testar uma versão da bomba saltadora, com a metade do tamanho proposto, com um velho bombardeiro Wellington, que, por incrível que pareça, foi projetado pelo próprio Wallis.

Os testes foram todos foram filmados e um sucesso. Apesar disto, houve forte resistência à ideia. Wallis conseguiu, através do piloto de testes da Vickers, Mutt Summers, uma audiência com Marechal-do-Ar Arthur Harris, comandante do Comando de Bombardeios da RAF. O comandante Harris também achava a ideia maluca, mas mesmo assim decidiu assistir aos filmes dos testes e logo após isso começou a mudar de ideias sobre o uso das bombas saltadoras. Depois de falar com o Primeiro-Ministro Churchill, que ficou muito entusiasmado com o plano, Harris recebeu o sinal verde para realizar um ataque as represas alemãs usando as bombas saltadoras de Barne Wallis.

O Ministério da Aeronáutica determinou que o ataque as represas do Möhne, Eder, Sorpe, lister, Schwelme e Ennepe deveria acontecer em 16 de maio de 1943. Neste dia as represas estariam com sua capacidade máxima e haveria lua cheia. Seriam usadas três levas de bombardeiros: uma atacaria as represas Mohne e Eder, outra leva a de Sorpe, e uma terceira leva funcionaria como uma reserva móvel e força divisionária. Sendo assim, em plena noite, levas de bombardeiros Lancaster da RAF efetuaram um ataque de precisão, a baixa altitude contra as represas no Vale do Ruhr, cujas centrais elétricas forneciam energia ao maior complexo industrial da Alemanha.

Arthur Harris recusou retirar um esquadrão existente para treinamento especial contra um alvo secundário, por isso decidiu formar um novo esquadrão, com tripulações experientes. Nomeou o Air Vice Marshal Ralph Cochrane, então Comandante do 5º Grupo de Bombardeios, como encarregado de organizar o novo esquadrão. "Eu tenho um trabalho para você, Cocky", disse Harris, e o explicou.

Cochrane chamou imediatamente o Comandante-de-Ala Guy Gibson, 25 anos, então comandante do Esquadrão 106 de Lancasters em Syerston. Gibson, era um veterano comissionado, com dois turnos completos de operações, estando a terminar o terceiro e com uma longa e satisfatória carreira como piloto de bombardeiro, havendo já ganho as medalhas DSO com barra e a DFC com barra. Gibson estava de licença e quando perguntado por Cochrane ficou muito surpreso com a pergunta "O que você acha de fazer uma mais viagem?". Gibson disse "Muito bem" e nos dois meses seguinte esteve envolvido em recrutar pilotos, os tripulantes e os milhares de detalhes para formar o novo esquadrão, conhecido a princípio por Esquadrão "X" e depois batizado de Esquadrão 617. Em certos casos a escolha dos integrantes foi quase casual. Por exemplo, o tenente-aviador Shannon veio do 8.° Grupo (Explorador) com uma tripulação incompleta. Os sargentos Henderson e Sumpter, do Esquadrão 57, ouviram falar que "um cara do 617º" estava procurando um engenheiro de voo e um bombardeador e "foram lá para conferir". O encontro mostrou-se mutuamente satisfatório e ambos passaram a trabalhar com Shannon.

O segredo da operação era completo e até mesmo Charles Whitworth, comanda da base da RAF em Scampton, em Lincoinshire, e Gibson, desconheciam a verdadeira missão do esquadrão. A segurança era extremamente rígida. Isto porque o reconhecimento aéreo descobriu que não havia balões na área das represas e a defesa antiaérea não tinha sido reforçada.

No dia 27 de março, ainda sem conhecer os alvos reais, Gibson foi informado de que a operação envolveria voo noturno a baixa altura sobre território inimigo, com uma aproximação final do alvo a 30 m de altura e uma velocidade precisa. Ele também foi informado que a bomba especial teria que ser lançada a exatamente 45,7 m (150 pés) depois da saída de um mergulho iniciado a 610 m (2 000 pés).

Em 29 de março, Cochrane ordenou a Gibson guardar segredo e em seguida lhe mostrou modelos dos dois al­vos maiores, as represas de Moehne e Eder. Acrescendo os problemas do jovem comandante, havia apenas dez bombardeiros Lancaster para suas 22 tripulações praticarem: elas seriam obrigadas a revezar-se.

Os treinamentos na base aérea de Scampton começaram em 31 de março e os homens do Esquadrão 617 começaram a treinar com bombardeiros emprestados e mais tarde com suas próprias aeronaves, especialmente modificadas para transportar as bombas saltadoras. Ao total, 20 Lancaster B.MK III (Type 464 Provisioning) foram especialmente modificados para o transporte da nova bomba chamada de "mina". As modificações nos Lancaster consistiam na remoção das torres intermediárias superiores e das portas do compartimento de bombas. O artilheiro da torre removida passou a ocupar a torre frontal; instalaram-se estribos para manter as suas botas longe dos cabelos do bombardeador. Os Lancaster "eviscerados" foram apelidados de "peixes estripados" ou "abortos". As duas peças parecidas com pratos de banda de música, que ficavam pendentes debaixo da fuselagem para sus­tentar a bomba, eram as "castanholas".

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