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Osamu Dazai

Autor japonês

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Shūji Tsushima (津島修治, Tsushima Shūji) (19 de junho de 1909 – 13 de junho de 1948), mais conhecido pelo pseudônimo Osamu Dazai (太宰 治, Dazai Osamu), foi um autor japonês considerado um dos maiores escritores da literatura japonesa do século XX. Ele é conhecido por seu estilo de escrever tipicamente irônico e pessimista, e por ser um expoente da literatura do estilo watakushi shōsetsu, que consiste em romances escritos na primeira pessoa do singular, incorporando elementos autobiográficos. Osamu Dazai também ficou conhecido por sua obsessão pelo suicídio, traço marcante em seus livros e também em sua vida, visto que tentou suicídio diversas vezes.

Também conhecido por ser alcoólatra, Dazai suicidou-se junto com sua última mulher, Tomie Yamazaki, afogando-se no canal de Tamagawa, em um local que ficava próximo de sua casa. Seus corpos não foram descobertos até o dia 19 de junho, data que coincidiu com o seu aniversário de 39 anos. Sua sepultura está no templo Zenrin-ji, em Mitaka, Tóquio.

Dentre suas obras, a mais popular é o romance autobiográfico chamado Ningen Shikkaku, que pode ser traduzido como "Não humano" ou "Desqualificado para ser humano", lançado em 1948 e traduzido para diversos idiomas pelo mundo todo.

Sua última obra escrita em vida chamou-se Guddo bai, mas não foi concluída devido ao seu suicídio.

Shūji Tsushima nasceu em 19 de junho de 1909, o oitavo filho sobrevivente de um rico proprietário de terras e político em Kanagi, localizada no extremo norte da região de Tōhoku, na prefeitura de Aomori. Ele era o décimo dos onze filhos que seus pais tiveram. Na época de seu nascimento, a enorme mansão Tsushima, recém-concluída, onde passou seus primeiros anos, abrigava cerca de trinta membros da família. A família Tsushima tinha origens camponesas obscuras. O bisavô de Dazai acumulou a fortuna da família como agiota, e seu filho a aumentou ainda mais. Eles ascenderam rapidamente ao poder e, após algum tempo, tornaram-se altamente respeitados em toda a região.

O pai de Dazai, Gen'emon, era um filho mais novo da família Matsuki, que, devido à "sua tradição excessivamente 'feudal'", não tinha utilidade para os filhos além do primogênito e herdeiro. Por isso, ele foi adotado pela família Tsushima para casar-se com a filha mais velha, Tane. Envolveu-se na política devido à sua posição como um dos quatro proprietários de terras mais ricos da prefeitura e recebeu convite para se tornar membro da Câmara dos Pares. Isso fez com que o pai de Dazai estivesse ausente durante grande parte da infância de Dazai. Como sua mãe, Tane, estava doente, Dazai foi criado principalmente pelos empregados da família e por sua tia Kiye.

Formação acadêmica e início na literatura

Em 1916, Dazai iniciou seus estudos na Escola Primária de Kanagi. Em 4 de março de 1923, seu pai, Gen'emon, faleceu vítima de câncer de pulmão. Um mês depois, em abril, Dazai transferiu-se para a Escola Secundária de Aomori e, em 1927, a Escola Superior de Hirosaki, uma instituição preparatória para a universidade. Ele desenvolveu um interesse pela cultura do período Edo e passou a estudar gidayū, uma forma de narração cantada usada no bunraku. Por volta de 1928, Dazai editou uma série de publicações estudantis e contribuiu com algumas de suas próprias obras. Ele também publicou uma revista chamada Saibō Bungei ("Literatura Celular") com seus amigos e, posteriormente, tornou-se membro da equipe do jornal da faculdade.

O sucesso de Dazai na escrita foi interrompido quando seu ídolo, o escritor Ryūnosuke Akutagawa, cometeu suicídio em 1927, aos 35 anos. Dazai começou a negligenciar os estudos e a gastar a maior parte de sua mesada em roupas, álcool e prostitutas. Ele também se interessou pelo marxismo, ideologia fortemente reprimida pelo governo à época.

Na noite de 10 de dezembro de 1929, Dazai fez sua primeira tentativa de suicídio, mas sobreviveu e conseguiu se formar no ano seguinte. Em 1930, matriculou-se no departamento de Literatura Francesa da Universidade Imperial de Tóquio, mas logo parou de estudar novamente. Em outubro, fugiu com uma gueixa chamada Hatsuyo Oyama e foi formalmente renegado por sua família.

Nove dias após ser expulso da Universidade Imperial de Tóquio, Dazai tentou suicídio por afogamento em uma praia de Kamakura, na companhia de uma garçonete de bar de 19 anos chamada Shimeko Tanabe. Tanabe morreu, mas Dazai sobreviveu. Ele foi resgatado pela tripulação de um barco de pesca e foi acusado de cumplicidade na morte de Tanabe. Chocada com os acontecimentos, a família de Dazai interveio para interromper a investigação policial. Sua mesada foi restabelecida e ele foi liberado sem acusações. Em dezembro, recuperou-se em Ikarigaseki e casou-se com Hatsuyo lá.

Em 1929, quando se descobriu que o diretor da Escola Secundária de Hirosaki havia desviado fundos públicos, os alunos, sob a liderança de Ueda Shigehiko (Ishigami Genichiro), líder do Grupo de Estudos de Ciências Sociais, organizaram uma greve de cinco dias, que resultou na renúncia do diretor e na não aplicação de medidas disciplinares contra os alunos. Dazai quase não participou da greve, mas, imitando a literatura proletária japonesa da época, resumiu o incidente em um romance chamado "Grupo Estudantil" e o leu para Ueda. A família Tsushima via com desconfiança as atividades de esquerda de Dazai. Em 16 de janeiro do ano seguinte, a Polícia Superior Especial prendeu Ueda e outros nove alunos do Instituto Hiroko de Estudos Sociais, que atuavam como ativistas do Partido Comunista de Seigen Tanaka.

Na faculdade, Dazai conheceu o ativista Eizo Kudo e passou a contribuir mensalmente com dez ienes ao Partido Comunista Japonês. Ele foi expulso de casa após casar-se com Hatsuyo Oyama, para evitar qualquer associação de suas atividades ilegais com seu irmão Bunji, que era político. Após o casamento, Dazai foi obrigado a esconder suas simpatias e mudou-se várias vezes. Em julho de 1932, Bunji o localizou e o fez entregar-se na Delegacia de Polícia de Aomori. Em dezembro, Dazai assinou e selou um compromisso no Ministério Público de Aomori de se retirar completamente das atividades de esquerda.

Dazai cumpriu sua promessa e se retirou. Conseguiu obter a ajuda de Masuji Ibuse, um escritor consagrado cujo contato o auxiliou a publicar suas obras e a consolidar sua reputação. Os anos seguintes foram produtivos para Dazai. Ele escreveu em ritmo frenético e usou o pseudônimo "Osamu Dazai" pela primeira vez em um conto intitulado Ressha (列車, "Trem"), publicado em 1933. Essa história foi sua primeira experiência com a forma de romance em primeira pessoa que mais tarde se tornou sua marca registrada.

Em 1935, começou a ficar claro para Dazai que ele não se formaria. Ele também não conseguiu um emprego em um jornal de Tóquio. Terminou Bannen (晩年, "Anos Finais"), que pretendia ser sua despedida do mundo, e tentou se enforcar em 19 de março de 1935, falhando mais uma vez. Menos de três semanas depois, desenvolveu apendicite aguda e foi hospitalizado. No hospital, tornou-se viciado em Pavinal, um analgésico à base de morfina. Após lutar contra o vício por um ano, em outubro de 1936 ele foi levado para uma instituição psiquiátrica, trancado em um quarto e forçado a parar de repente. O tratamento durou mais de um mês.

Durante esse período, a esposa de Dazai, Hatsuyo, cometeu adultério com seu melhor amigo, Zenshirō Kodate. Isso veio à tona, e Dazai tentou cometer shinjū (suicídio duplo) com sua esposa. Ambos tomaram remédios para dormir, mas nenhum dos dois morreu. Logo depois, Dazai se divorciou de Hatsuyo. Ele casou-se novamente rapidamente, desta vez com uma professora do ensino fundamental chamada Michiko Ishihara. A primeira filha do casal, Sonoko, nasceu em junho de 1941.

Nas décadas de 1930 e 1940, Dazai escreveu vários romances e contos de natureza autobiográfica. Seu primeiro conto, Gyofukuki (魚服記, 1933, "Crônica das Vestes de Peixe"), é uma fantasia sombria que envolve suicídio. Outros contos desse período incluem Dōke no Hana (道化の花, 1935, traduzido em Portugal como As Flores do Riso), Gyakkō (逆行, 1935, "Retrocesso"), Kyōgen no Kami (狂言の神, 1936, "Deus da Farsa"), um romance epistolar chamado Kyokō no Haru (虚構の春, 1936, "Primavera Fictícia") e os contos da coleção Bannen de 1936, que descrevem seu sentimento de isolamento pessoal e sua devassidão.

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